Lula promete “abrasileirar” preço dos combustíveis se for eleito

Para o petista, o país precisa adotar uma política de investimentos no refino de diesel e gasolina e exportar o excedente de óleo cru

atualizado 24/03/2022 11:40

Luiz Inácio Lula da Silva, 35º presidente do Brasil. Ele tem cabelos brancos e barba branca - MetrópolesFábio Vieira/Metrópoles

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, pré-candidato do PT à Presidência da República, disse, em entrevista à rádio Super 91,7 FM nesta quinta-feira (24/3), que, se for eleito, pretende “abrasileirar” o preço dos combustíveis. O petista também afirmou que investirá na construção de refinarias e na busca de alternativas energéticas para que o país não precise pagar tão caro pela gasolina e pelo diesel.

Lula apontou a política de desinvestimentos adotada nos governos que sucederam o PT como responsável pelos altos preços praticados hoje, que seguem a variação do dólar. Segundo o ex-presidente, caso seja eleito, ele vai trabalhar para que o país possa refinar a gasolina e o diesel que precisa e exportar o excedente de petróleo bruto produzido.

“O Brasil é autossuficiente, não tem que exportar óleo cru para importar refinado para não ter que pagar em dólar. Além disso, tem etanol, tem diesel e o Brasil pode efetivamente fazer a discussão de invocação de combustível para o Brasil. Pode-se usar mais etanol, mais biodiesel. Não temos que pagar preço em dólar. Se ganharmos, vamos abrasileirar os preços dos combustíveis”, disse Lula.

“Esse Brasil hoje não consegue refinar toda gasolina que nós precisamos porque o governo parou a refinaria. Esse país hoje destruiu a BR e, por conta disso, tem 392 empresas importando gasolina dos Estados Unidos. Importando em dólar e precificando em dólar para nós”, criticou.

“Estou convencido de que essa questão do combustível é a demonstração mais inequívoca da irresponsabilidade e da falta de criatividade das pessoas”, declarou Lula.

Críticas a Bolsonaro

Lula ainda chamou o atual presidente, Jair Bolsonaro (PL), de ignorante e sem argumentos na tentativa de encontrar uma solução para baixar os preços.

“O presidente falou que daria murro na mesa. Quem dá murro na mesa é ignorante e não tem argumento. Reúne a Petrobras e o Conselho Nacional Energético e discute as coisas. Desde a luz energética até a gasolina. Acho que ele nem sabe que existe o conselho, o país está desgovernado. Coitado do motorista, do caminhoneiro, que paga um frete que mal dá para pagar o gasto do pneu, pedágio. Diesel a preço de ouro e, no fim do mês, não leva nada para casa”, ressaltou.

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“Cadê o preço mais barato?”

O petista ainda apontou que, nos governos petistas, a ideia era criar uma indústria nacional, mas que essa possibilidade acabou destruída pelos governos seguintes, de Michel Temer e Bolsonaro.

“Você está lembrado quando nós estávamos na Presidência? Para fazer sonda e para fazer plataforma, a gente estabelecia que tinha que ter 70% de componentes nacionais, porque a gente queria criar uma indústria nacional, para que a gente pudesse ser um país mais forte e industrializado. Desmontaram tudo isso, dizendo: ‘Se a gente tiver mais empresa, vai ter mais competitividade e vai ter o preço mais barato’. Cadê o preço mais barato?”, questionou.

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