Em carta ao papa, religiosos defendem respeito ao resultado da eleição

Comissão de Direitos Humanos Dom Paulo Evaristo Arns encaminhou documento ao Vaticano nesta sexta-feira (23/9)

atualizado 23/09/2022 10:43

Papa em entrevista coletiva no aviãoGetty Images

A Comissão de Direitos Humanos Dom Paulo Evaristo Arns (Comissão Arns) entregou ao Papa Francisco, na manhã desta sexta-feira (23/9), uma carta para pedir respeito aos resultados das eleições presidenciais de outubro.

A entrega foi realizada no Vaticano, em Roma, por Dom Pedro Luiz Stringhini, bispo de Mogi das Cruzes e presidente da Regional Sul da Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).

O documento é assinado por Margarida Genevois e José Carlos Dias, presidente de honra e presidente da Comissão Arns, respectivamente.

Citando riscos de ruptura da ordem democrática no Brasil, o documento defende o direito dos 156 milhões de eleitores brasileiros de escolherem seus representantes “em clima de respeito, dignidade e paz”.

A entidade ressalta o atual cenário social: “Nosso país enfrenta tempos dificeis: o desemprego alcança milhôes de pessoas, a fome voltou aos lares, 690 mil vidas foram perdidas para a Covid-19, a violência explode no campo ou na cidade e nossas florestas continuam a ser consumidas pelas queimadas, pelo contrabando de madeira, pela mineraçâo desenfreada que contamina os rios, mata os peixes, envenena as pessoas”.

O texto prossegue afirmando que, no próximo dia 2 de outubro, os brasileiros irão às urnas sob ameaças de ruptura
da ordem democrática que, segundo a entidade, partem de quem parece não aceitar um resultado eleitoral que não lhe favoreça.

O documento não cita explicitamente o presidente Jair Bolsonaro (PL), que tem lançado dúvidas sobre a confibialidade do sistema eletrônico de votação, antecipando possível contestação do resultado. Mesmo assim, o texto faz referência ao atual mandatário e candidato à reeleição, citando, por exemplo, seu projeto armamentista.

“Santo Padre, por isso vimos à Vossa Presença pedir pela sociedade brasileira: que ela possa exercer o direito fundamental de escolher um futuro melhor e mais decente para si mesma. Brasileiras e brasileiros de todos os rincões, de todas as culturas e de todos os credos, precisam do Vosso olhar e do Vosso apoio neste momento”, finaliza o documento.

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