Inscreva-se no canal MetrópolesTV no YouTube
Eleições 2022

Bolsonaro aposta em lives com apoiadores para mostrar força eleitoral

Presidente criou costume de transmitir recepções de apoiadores em agendas pelo Brasil. Aliados admitem estratégia de olho em outubro

30/04/2022 02:00
Compartilhar notícia
Alan Santos/PR
Bolsonaro aposta em lives com apoiadores para mostrar força eleitoral

Crítico das pesquisas eleitorais, que têm apontado vantagem de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no pleito de outubro, o presidente Jair Bolsonaro (PL) tem investido em divulgar as recepções de apoiadores em agendas pelo país para mostrar sua popularidade.

Ao participar de inauguração de obras, entrega de títulos de propriedades rurais ou ainda em períodos de descanso no litoral brasileiro, o atual chefe do Executivo federal tem o costume de abrir lives nas redes sociais cumprimentando apoiadores. A estratégia, segundo aliados, tem o objetivo de mostrar “força eleitoral”.

Levantamento feito pelo Metrópoles mostra que o presidente promoveu lives em todas as viagens realizadas pelo Brasil neste ano. A pesquisa levou em conta apenas compromissos que previam acesso ao público. 

Bolsonaro aposta em lives com apoiadores para mostrar força eleitoral - destaque galeria
14 imagens
Descendente de italianos e alemães, Bolsonaro recebeu o primeiro nome em homenagem ao jogador Jair Rosa Pinto, do Palmeiras, e o segundo, Messias, atribuído por Olinda Bonturi, mãe do presidente, a Deus, após uma gravidez complicada. Na infância, era chamado de Palmito pelos amigos
Ingressou no Exército aos 17 anos, na Escola Preparatória de Cadetes. Em 1973, foi aprovado para integrar a Academia Militar de Agulhas Negras (Aman), formando-se quatro anos depois
Dentro do Exército, Bolsonaro também integrou a Brigada de Infantaria Paraquedista, serviu como aspirante a oficial no 21º e no 9º Grupo de Artilharia de Campanha (GAC), cursou a Escola de Educação Física do Exército, serviu no 8º Grupo de Artilharia de Campanha Paraquedista e, em 1987, cursou a Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais
Em 1986, Jair foi preso por 15 dias, enquanto servia como capitão, por ter escrito um artigo para a revista Veja criticando o salário pago aos cadetes da Aman. Contudo, dois anos após o feito, foi absolvido das acusações pelo Superior Tribunal Militar (STM)
Em 1987, novamente respondeu perante o STM por passar informação falsa à Veja. Na ocasião, o até então ministro do Exército recebeu da revista um material enviado pelo atual presidente sobre uma operação denominada Beco Sem Saída, que teria como objetivo explodir bombas em áreas do Exército como protesto ao salário que os militares recebiam
Jair Messias Bolsonaro, nascido em 1955, é um capitão reformado do Exército e político brasileiro. Natural de Glicério, em São Paulo, foi eleito 38º presidente do Brasil para o mandato de 2018 a 2022
1 de 14

Jair Messias Bolsonaro, nascido em 1955, é um capitão reformado do Exército e político brasileiro. Natural de Glicério, em São Paulo, foi eleito 38º presidente do Brasil para o mandato de 2018 a 2022

Reprodução/ Instagram
Descendente de italianos e alemães, Bolsonaro recebeu o primeiro nome em homenagem ao jogador Jair Rosa Pinto, do Palmeiras, e o segundo, Messias, atribuído por Olinda Bonturi, mãe do presidente, a Deus, após uma gravidez complicada. Na infância, era chamado de Palmito pelos amigos
2 de 14

Descendente de italianos e alemães, Bolsonaro recebeu o primeiro nome em homenagem ao jogador Jair Rosa Pinto, do Palmeiras, e o segundo, Messias, atribuído por Olinda Bonturi, mãe do presidente, a Deus, após uma gravidez complicada. Na infância, era chamado de Palmito pelos amigos

Hugo Barreto/Metrópoles
Ingressou no Exército aos 17 anos, na Escola Preparatória de Cadetes. Em 1973, foi aprovado para integrar a Academia Militar de Agulhas Negras (Aman), formando-se quatro anos depois
3 de 14

Ingressou no Exército aos 17 anos, na Escola Preparatória de Cadetes. Em 1973, foi aprovado para integrar a Academia Militar de Agulhas Negras (Aman), formando-se quatro anos depois

Rafaela Felicciano/Metrópoles
Dentro do Exército, Bolsonaro também integrou a Brigada de Infantaria Paraquedista, serviu como aspirante a oficial no 21º e no 9º Grupo de Artilharia de Campanha (GAC), cursou a Escola de Educação Física do Exército, serviu no 8º Grupo de Artilharia de Campanha Paraquedista e, em 1987, cursou a Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais
4 de 14

Dentro do Exército, Bolsonaro também integrou a Brigada de Infantaria Paraquedista, serviu como aspirante a oficial no 21º e no 9º Grupo de Artilharia de Campanha (GAC), cursou a Escola de Educação Física do Exército, serviu no 8º Grupo de Artilharia de Campanha Paraquedista e, em 1987, cursou a Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais

Getty Images
Em 1986, Jair foi preso por 15 dias, enquanto servia como capitão, por ter escrito um artigo para a revista Veja criticando o salário pago aos cadetes da Aman. Contudo, dois anos após o feito, foi absolvido das acusações pelo Superior Tribunal Militar (STM)
5 de 14

Em 1986, Jair foi preso por 15 dias, enquanto servia como capitão, por ter escrito um artigo para a revista Veja criticando o salário pago aos cadetes da Aman. Contudo, dois anos após o feito, foi absolvido das acusações pelo Superior Tribunal Militar (STM)

Rafaela Felicciano/Metrópoles
Em 1987, novamente respondeu perante o STM por passar informação falsa à Veja. Na ocasião, o até então ministro do Exército recebeu da revista um material enviado pelo atual presidente sobre uma operação denominada Beco Sem Saída, que teria como objetivo explodir bombas em áreas do Exército como protesto ao salário que os militares recebiam
6 de 14

Em 1987, novamente respondeu perante o STM por passar informação falsa à Veja. Na ocasião, o até então ministro do Exército recebeu da revista um material enviado pelo atual presidente sobre uma operação denominada Beco Sem Saída, que teria como objetivo explodir bombas em áreas do Exército como protesto ao salário que os militares recebiam

Rafaela Felicciano/Metrópoles
A primeira investigação realizada pelo Conselho de Justificação Militar (CJM) concluiu que Bolsonaro e outros capitães mentiram e determinou que eles deveriam ser punidos. O caso foi levado ao Superior Tribunal Militar, que, por outra vez, absolveu os envolvidos. De acordo com uma reportagem da Folha à época, foi constatado pela Polícia Federal que, de fato, a caligrafia da carta enviada à Veja pertencia a Jair
7 de 14

A primeira investigação realizada pelo Conselho de Justificação Militar (CJM) concluiu que Bolsonaro e outros capitães mentiram e determinou que eles deveriam ser punidos. O caso foi levado ao Superior Tribunal Militar, que, por outra vez, absolveu os envolvidos. De acordo com uma reportagem da Folha à época, foi constatado pela Polícia Federal que, de fato, a caligrafia da carta enviada à Veja pertencia a Jair

JP Rodrigues/Metrópoles
Em 1988, Bolsonaro foi para a reserva do Exército, ainda com o cargo de capitão, e, no mesmo ano, iniciou a carreira política. Em 1988, foi eleito vereador da cidade do Rio de Janeiro e, em 1991, eleito deputado federal. Permaneceu como parlamentar até 2018, quando foi eleito presidente da República
8 de 14

Em 1988, Bolsonaro foi para a reserva do Exército, ainda com o cargo de capitão, e, no mesmo ano, iniciou a carreira política. Em 1988, foi eleito vereador da cidade do Rio de Janeiro e, em 1991, eleito deputado federal. Permaneceu como parlamentar até 2018, quando foi eleito presidente da República

Daniel Ferreira/Metrópoles
Durante a carreira, Bolsonaro se filiou a 10 legendas: Partido Democrata Cristão (PDC), Partido Progressista Reformador (PPR), Partido Progressista Brasileiro (PPB), Partido da Frente Liberal (PFL), Partido Progressistas (PP), Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), Democratas (DEM), Partido Social Cristão (PSC), Partido Social Liberal (PSL) e, atualmente, Partido Liberal (PL)
9 de 14

Durante a carreira, Bolsonaro se filiou a 10 legendas: Partido Democrata Cristão (PDC), Partido Progressista Reformador (PPR), Partido Progressista Brasileiro (PPB), Partido da Frente Liberal (PFL), Partido Progressistas (PP), Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), Democratas (DEM), Partido Social Cristão (PSC), Partido Social Liberal (PSL) e, atualmente, Partido Liberal (PL)

Rafaela Felicciano/Metrópoles
É casado com Michelle Bolsonaro, 40 anos, e pai de Laura Bolsonaro, 11, Renan Bolsonaro, 24, Eduardo Bolsonaro, 38, Carlos Bolsonaro, 39, e Flávio Bolsonaro, 41, sendo os três últimos também políticos
10 de 14

É casado com Michelle Bolsonaro, 40 anos, e pai de Laura Bolsonaro, 11, Renan Bolsonaro, 24, Eduardo Bolsonaro, 38, Carlos Bolsonaro, 39, e Flávio Bolsonaro, 41, sendo os três últimos também políticos

Instagram/Reprodução
Em 2018, enquanto fazia campanha eleitoral, Jair foi vítima de uma facada na barriga. Até hoje o atual presidente precisa se submeter a cirurgias por causa do incidente
11 de 14

Em 2018, enquanto fazia campanha eleitoral, Jair foi vítima de uma facada na barriga. Até hoje o atual presidente precisa se submeter a cirurgias por causa do incidente

Igo Estrela/Metrópoles
Eleito com 57.797.847 votos no segundo turno, Bolsonaro coleciona polêmicas em seu governo. Além do entra e sai de ministros, a gestão de Jair é acusada de ter corrupção, favorecimentos, rachadinhas, interferências na polícia, ataques à imprensa e a outros poderes, discurso de ódio, disseminação de notícias faltas, entre outros
12 de 14

Eleito com 57.797.847 votos no segundo turno, Bolsonaro coleciona polêmicas em seu governo. Além do entra e sai de ministros, a gestão de Jair é acusada de ter corrupção, favorecimentos, rachadinhas, interferências na polícia, ataques à imprensa e a outros poderes, discurso de ódio, disseminação de notícias faltas, entre outros

Alan Santos/PR
Programas sociais, como o Vale-gás, Alimenta Brasil, Auxílio Brasil e o auxílio emergencial durante a pandemia da Covid-19, foram lançados para tentar ajudar a elevar a popularidade do atual presidente
13 de 14

Programas sociais, como o Vale-gás, Alimenta Brasil, Auxílio Brasil e o auxílio emergencial durante a pandemia da Covid-19, foram lançados para tentar ajudar a elevar a popularidade do atual presidente

Rafaela Felicciano/Metrópoles
De olho na reeleição em 2022, Bolsonaro se filiou ao Partido Liberal (PL). O vice de sua chapa nas eleições deste ano é o general Walter Braga Netto
14 de 14

De olho na reeleição em 2022, Bolsonaro se filiou ao Partido Liberal (PL). O vice de sua chapa nas eleições deste ano é o general Walter Braga Netto

Igo Estrela/Metrópoles

As lives são realizadas por assessores presidenciais e autorizadas por Bolsonaro. As transmissões mostram dezenas de simpatizantes do governo reunidos para cumprimentar o presidente. Por vezes, são transmitidas mais de três lives por viagem. Elas mostram apoiadores que aguardam o presidente nos aeroportos do país, durante passeios por municípios e em locais de eventos oficiais. 

Além de serem divulgadas nos canais oficiais do presidente, assessores de Bolsonaro também compartilham as lives em seus perfis com a legenda “data povo”. 

Veja algumas transmissões realizadas por Bolsonaro:

Viagens e lives

De janeiro a abril, o chefe do Executivo teve agendas em 18 estados. Como de costume, Bolsonaro tem priorizado a região Sudeste, que conta com o eixo empresarial Rio-São Paulo. O presidente fez 39 transmissões ao vivo nas quais cumprimentava apoiadores durante as oito viagens que fez para o Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais.

O presidente ainda tem intensificado compromissos no Nordeste, segunda região onde mais tem investido na divulgação das recepções dos apoiadores. 

O Nordeste foi a única região em que Bolsonaro foi derrotado por Fernando Haddad (PT) no segundo turno das eleições de 2018. Na ocasião, o militar conquistou 30% dos votos, enquanto o petista teve 69%. Em campanha pela reeleição, o titular do Planalto busca conseguir mais apoio em um tradicional reduto eleitoral do ex-presidente Lula.

Desde o início do ano, o atual presidente fez sete viagens para a região, e abriu lives com a recepção de apoiadores em 37 oportunidades. 

Bolsonaro realizou quatro viagens para as regiões Norte e Sul, e fez 11 e 13 lives com admiradores, respectivamente. O presidente ainda viajou em quatro oportunidades para estados do Centro-Oeste, onde transmitiu 8 lives.

Segundo André Luiz Barbosa, professor de Empreendedorismo e Customer Experience no Ibmec SP, a estratégia do presidente tem o objetivo de “demonstrar mais humanização e buscar sensibilizar novos eleitores” nas regiões em que perdeu nas últimas eleições ou teve um resultado abaixo do esperado.

“O presidente percebeu o poder de alcance das redes sociais e consegue chegar, por meio das lives, em lugares que não alcançou em 2018. Na divisão das regiões na última eleição, Bolsonaro venceu no Centro-Oeste, no Sudeste e no Sul. Agora em 2022, o principal resultado desta estratégia é se mostrar mais em estados nos quais o pré-candidato não conseguiu converter o eleitorado”, explica.

Bolsonaro fez quatro viagens para as regiões Norte e Sul, e realizou 11 e 13 lives com apoiadores, respectivamente. O presidente ainda viajou em quatro oportunidades para estados do Centro-Oeste, onde transmitiu 8 lives.

Barbosa ressalta que a tendência é de que outros pré-candidatos à Presidência também adotem a estratégia de Bolsonaro. Ele também avalia que, ainda mais do que ocorreu em 2018, as eleições deste ano serão, de fato, disputadas nas redes sociais.

“Todos os candidatos precisam direcionar-se para redes sociais para conectar com sua base eleitoral, tornar-se mais humanizado, gerar mais proximidade e, principalmente, falar diretamente com as dores dos eleitores”, diz.

Para Eduardo Galvão, analista político e professor de relações institucionais do Ibmec Brasília, apesar da estratégia do presidente – que é “eficiente na construção de narrativas políticas” –, as pesquisas eleitorais ainda são a melhor forma para se mensurar intenções de voto no país. Recentemente, o presidente disse que quem acredita nas pesquisas também acredita no Papai Noel.

“Mesmo com o chamado ‘data povo’, do presidente Bolsonaro, as pesquisas eleitorais, feitas por institutos reconhecidos, ainda são a melhor fonte de informação e mensuração de voto que existem, porque elas obedecem uma metodologia científica. Então, a gente não está falando de qualquer impressão pessoal ou com qualquer subjetividade”, afirma.

Receba notícias do Metrópoles no seu Telegram e fique por dentro de tudo! Basta acessar o canal: https://t.me/metropolesurgente.