Ao receber apoio da Rede, Lula diz que esperava presença de Marina

Líder da Rede Sustentabilidade não participou do evento que oficializou o apoio do partido à candidatura de Lula (PT) à Presidência

atualizado 28/04/2022 15:39

Lula é pré-candidato do PT para as eleições presidenciais de 2022 Rafaela Felicciano/Metrópoles

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) celebrou, nesta quinta-feira (28/4), a adesão da Rede Sustentabilidade a sua pré-candidatura à Presidência, mas lamentou a ausência da fundadora da sigla e ex-petista Marina Silva no evento.

“Eu na verdade esperava que Marina estivesse aqui”, confessou Lula em seu discurso. O evento foi realizado num hotel no centro de Brasília. “Minha relação com ela é muito antiga, é muito grande. Não sei porque, às vezes, ela demonstra momentos de raiva”, declarou o ex-chefe de Marina.

“Eu indiquei Marina para ser ministra do Meio Ambiente quando estava em Nova York. Perdi muitas amizades com intelectuais que achavam que iam ser chamados para ministro do Meio Ambiente”, completou ele.

Marina já foi do PT e ocupou o Ministério do Meio Ambiente sob Lula, mas deixou o governo em 2008, após rusgas com a área econômica e com a ex-presidente Dilma Rousseff, então ministra de Minas e Energia. Ela reclamou, na época, de não ter o apoio do petista em suas pautas.

Em seu discurso, Lula também celebrou a decisão do Comitê de Direitos Humanos da ONU, que considerou parcial sua condenação no âmbito da operação Lava Jato, confirmando entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF).

“Essa decisão da ONU foi uma lavagem de alma extraordinária”, afirmou o ex-presidente. “A ONU deu 180 dias para o Brasil fazer uma reparação. O ideal seria tirar o Bolsonaro e me colocar para presidir o país, mas final de mandato, também não quero”, afirmou Lula.

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Tentando evitar citar o nome de Jair Bolsonaro (PL), Lula também fez uma série de críticas à atual gestão e chamou o atual chefe do Executivo de “um cidadão que jamais deveria ter chegado a presidência da República, pois é um mentiroso. Ele mente inclusive usando a palavra de Deus. Ele não é  católico, não é evangélico, é um fariseu”, discursou Lula a políticos e militantes da Rede.

“Toda vez que você nega a política, o que vem depois é pior. Foi assim na Alemanha,  com o nazismo, na Itália, com o fascismo, e aqui no Brasil”, completou Lula, que dúvida da capacidade de Bolsonaro de gestar e executar um golpe de Estado.

“Vai ter um golpe nesse país. Dia 2 de outubro, o povo brasileiro vai dar um golpe no fascismo e vai reestabeler a democracia”, discursou o ex-presidente.

Lula voltou ainda a prometer “abrasileirar” os preços da Petrobras e fez um desagravo à ex-presidente Dilma Rousseff (PT), que sofreu um impeachment em 2016. “Tenho orgulho por ter indicado Dilma, eleita e cassada porque o regime não suportava as políticas públicas que eram feitas neste país”, disse Lula.

A aliança

O evento político desta quinta marca a confirmação do apoio formal ao projeto presidencial do PT da Rede Sustentabilidade, partido fundado pela ex-ministra e ex-senadora Marina Silva.

Num encontro privado entre coordenadores do PT e da Rede antes da celebração pública da aliança, foram discutidas as propostas que deverão ser incorporadas ao programa de governo de Lula.

A Rede pediu ao PT para se comprometer com o combate ao aquecimento causado pela crise climática, uma reforma tributária progressiva e a luta contra a fome, entre outras sugestões.

A aliança formal para as eleições deste ano contou com forte articulação interna do senador Randolfe Rodrigues (AP). “Em outubro não está em jogo uma eleição, mas o futuro de uma geração, está em jogo deter o desmonte do Brasil. Ser omisso significa estar ao lado do fascismo. A Rede não poderia jamais ficar em cima do muro”, discursou ele, no evento.

Participaram do evento parlamentares e militantes das duas legendas, como o petista Aloizio Mercadante, e a deputada Joenia Wapichana (Rede-RR).

Apesar da formalização da parceria, porém, um dos pontos ressalvados no acordo com o PT é o de que lideranças da Rede que quiserem apoiar outro candidato a presidente ficarão liberadas do compromisso com o palanque de Lula.

É o caso da ex-senadora Heloisa Helena, que já assumiu ser apoiadora da candidatura de Ciro Gomes (PDT), e da própria Marina Silva, que ainda não definiu sua posição.

Em sua fala no evento, a presidente do PT, deputada federal Gleisi Hoffmann (PR), também fez um aceno a Marina lembrando dos feitos dos governos petistas na área ambiental e lembrando da participação da ex-ministra.

Coincidência

O evento político com Lula e a Rede ocorreu no mesmo centro de convenções que recebeu a cerimônia de filiação do presidente Jair Bolsonaro ao PL, em novembro do ano passado. Não foi, porém, no mesmo auditório. O evento com Lula ocorreu na sala em que ficaram jornalistas e convidados quando houve a filiação de Bolsonaro.

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