PT pede resposta a propaganda de Bolsonaro sobre caso Celso Daniel

Na mesma representação, a candidata a vice, Manuela D'Ávila, reclama de injúria sobre sua religião. Advogados querem suspensão da peça

Wilson Pedrosa/ Fotos PúblicasWilson Pedrosa/ Fotos Públicas

atualizado 26/10/2018 11:28

O PT protocolou na madrugada desta sexta-feira (26/10) representação ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) na qual pede direito de resposta referente à acusação feita na propaganda do candidato do PSL, Jair Bolsonaro, que responsabiliza o partido pelo assassinato do então prefeito de Santo André, Celso Daniel, ocorrido em 18 de janeiro de 2002.

Além do pedido de resposta, o partido requisita, em caráter liminar, a imediata suspensão da veiculação da peça publicitária. “O candidato representado imputa ao Partido dos Trabalhadores a responsabilidade pelo crime perpetrado contra o prefeito Celso Daniel. Assim o faz sem qualquer indicação de provas ou de investigações que possam levar a esta conclusão”, reclama o partido.

Na representação, o partido alega que as investigações concluíram que o assassinato do petista foi um crime comum, e não político.

“Nem mesmo as autoridades policiais, que investigaram profundamente o crime cometido contra Celso Daniel, encontraram provas ou sequer indícios que pudessem transformar a tragédia em um crime político. Não podem, portanto, os representados — de forma completamente irresponsável e infundada — atribuir ao Partido dos Trabalhadores conduta criminosa com o qual este não possui qualquer ligação”, destaca.

Religiosidade
Na mesma representação, Manuela D`Ávila (PCdoB), candidata a vice na chapa encabeçada por Fernando Haddad, também reclama de ser alvo de injúria e difamação envolvendo sua religiosidade. De acordo com os advogados do partido, os publicitários de Bolsonaro distorcem uma frase dela dita em entrevista para criar a ideia de que ela e Haddad são ateus.

“Quando da frase ‘brasileiros que não são cristãos, como eu’, verifica-se a utilização — de forma maliciosa e com evidente intenção de manipular o verdadeiro teor da fala — trecho selecionado de uma entrevista concedida pela candidata Manuela D’Ávila”, refere-se à peça.

Segundo a representação, na entrevista, a candidata a vice teve a intenção de dizer exatamente o contrário sobre sua crença. Ou seja, que muitos brasileiros não são cristãos, como ela é.

“Durante a exibição de propaganda eleitoral pela TV, no dia 25 de outubro de 2018, o candidato Jair Bolsonaro atingiu de forma injuriosa e difamatória a candidata Manuela D’Ávila e o Partido dos Trabalhadores ao proferir afirmações sabidamente inverídicas no que diz respeito às crenças religiosas da candidata representante, bem como imputar ao Partido dos Trabalhadores a responsabilidade por crime bárbaro”, diz a representação, que foi distribuída para o ministro do TSE, Carlos Bastide Horbach.

“O trecho desonestamente selecionado pelos representados confere interpretação dúbia. Entretanto, analisando o inteiro teor da resposta, e desta forma garantindo o devido contexto da sentença, é possível compreender que a fala da candidata se vale de elipse para informar que ‘faz com que brasileiros que não são cristãos, como eu [sou], sejam penalizados, não é certo’.”

Crime
Celso Daniel foi prefeito pelo PT da cidade paulista de Santo André por duas vezes: de 1989 a 1993 e de 1997 a 2002, quando foi assassinado, aos 50 anos, ao sair de uma churrascaria em São Paulo. Foi casado com a ex-ministra dos governos petistas Miriam Belchior.

Celso Daniel estava em um carro blindado, na companhia do empresário Sérgio Gomes da Silva, conhecido também como “Sombra”. Na época, a imprensa noticiou que o carro dele teria sido perseguido por outros três veículos: um Santana, um Tempra e uma Blazer, até ser interceptado e atingido por tiros nos pneus, vidros traseiro e dianteiro.

O prefeito foi retirado do veículo e levado pelos bandidos. Na manhã do dia 20 de janeiro de 2002, o corpo de Celso Daniel foi encontrado, com onze tiros, na Estrada das Cachoeiras, no Bairro do Carmo, na altura do quilômetro 328 da rodovia Régis Bittencourt (BR-116), em Juquitiba.

A Polícia Civil do Estado de São Paulo concluiu o inquérito sobre a morte de Celso Daniel no dia 1º de abril de 2002 e apontou como responsáveis seis pessoas de uma quadrilha da favela Pantanal, da zona sul de São Paulo, que sequestraram Celso Daniel por engano. Ele teria sido confundido com um comerciante que seria o verdadeiro alvo do sequestro. Entre os suspeitos, estava um menor de idade, que confessou ter sido o autor dos disparos.

A conclusão do inquérito, no entanto, não convenceu a família do prefeito que apontou falhas na investigação. Além disso, após a morte de Celso Daniel, mais sete pessoas, relacionadas ao crime ou ao prefeito foram assassinadas, todas em situações consideradas misteriosas.

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