PT já planeja oposição ferrenha ao governo de Bolsonaro

"Uma oposição colocando os interesses nacionais, os interesses de todo o povo brasileiro acima de tudo”, disse Haddad

atualizado 29/10/2018 0:46

Felipe Rau / Estadão Conteúdo

O PT, derrotado na corrida presidencial com a candidatura de Fernando Haddad, já planeja os próximos passos para voltar a se articular politicamente. O partido terá a maior bancada eleita no Congresso Nacional, com 56 deputados federais e seis senadores. Mas já há um consenso, como foi explicitado por Haddad no discurso em que reconheceu a vitória de Jair Bolsonaro (PSL), na noite deste domingo (28/10): haverá uma oposição ferrenha nos próximos quatro anos.

Nós temos a responsabilidade de fazer uma oposição colocando os interesses nacionais, os interesses de todo o povo brasileiro acima de tudo

Fernando Haddad (PT), candidato derrota à Presidência da República

Para ele, o PT tem o compromisso com a prosperidade do país. “Nós que ajudamos a construir a democracia no Brasil, uma das maiores do mundo, temos que ter o compromisso de mantê-la, de não aceitar provocações. Não aceitar ameaças”, afirmou Haddad.

Outras lideranças petistas se pronunciaram após a confirmação da vitória do candidato adversário. A senadora Gleisi Hoffmann, presidente nacional da legenda e deputada federal eleita, afirmou, na sua conta no Twitter, que, após esta noite de 28 de outubro, a primeira palavra do PT para o povo brasileiro é “resistiremos”.

 

“Resistiremos em defesa dos direitos, das liberdades da soberania! Um processo eleitoral construído em cima de impedimentos, mentiras, distorções, caixa dois vai nos impulsionar a lutar mais”, postou Gleisi.

Já o deputado federal Paulo Pimenta, líder do PT na Câmara, também foi ao Twitter para colocar: “A nossa democracia sofreu um duro golpe, mas estamos de pé e preparados para seguir lutando pelos nossos sonhos e direitos”.

“Nós precisamos mostrar capacidade de resistência”, afirmou Pimenta. “Mostrar para os fascistas que vai haver muita resistência e luta. Não aceitaremos que eles implantem aqui uma ditadura que venha a tirar do nosso povo a oportunidade, o desejo e o sonho de ser feliz”, observou.

 

Terceiro turno
Embora nenhum representante do partido tenha falado em “terceiro turno”, a verdade é que prossegue a Ação de Investigação Judicial Eleitoral (Aije) que trata de possíveis crimes eleitorais cometidos pela candidatura de Jair Bolsonaro (PSL) durante a corrida presidencial.

No documento que deu início à ação, o PT diz que a campanha de Bolsonaro cometeu “abuso de poder econômico” e “uso indevido de comunicação digital”. A proposição sugere que o Bolsonaro torne-se inelegível e teve como base denúncia publicada pelo jornal Folha de S. Paulo, segundo a qual empresas estariam favorecendo a campanha de Bolsonaro ao comprar pacotes de divulgação em massa de mensagens contra o PT no WhatsApp.

De acordo com a reportagem, empresas que apoiam a candidatura de Bolsonaro firmaram contratos de até R$ 12 milhões com serviços especializados em “disparar” mensagens por meio da ferramenta. A Aije corre sob sigilo e ainda não teve desfecho ainda.

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