Entidades apelam a ONU e OEA contra violência nas eleições do Brasil
Organizações entregaram um relatório sobre ataques feitos por Bolsonaro e apoiadores aos movimentos sociais e ativistas de direitos humanos
atualizado
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Mais de 50 entidades de defesa de diretos humanos e representantes de classes profissionais no Brasil encaminharam, nesta quinta-feira (25/10), à alta comissária de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU), Michelle Bachelet, e à Comissão Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA), um relatório no qual manifestam preocupação em relação à escalada de violência relacionada ao contexto das eleições.
O documento aponta os ataques feito pelo candidato à Presidência da República do PSL, Jair Bolsonaro, aos movimentos sociais e ativismos e pede manifestações públicas da ONU e da CIDH, condenando a violência demonstrada nos diversos casos.
As entidades pedem ainda uma manifestação formal dos órgãos internacionais para que as instituições brasileiras garantam o “direito à liberdade de associação e expressão política diante das ameaças ao Estado democrático de direito”.
“A expressão livre e plural está cerceada, gerando um clima de medo e intimidação. A violência tem tomado proporções preocupantes manifesta em discursos de ódio e ataques concretos, em sua maioria destinados a grupos minoritários (mulheres, população LGBTTI, população negra, povos indígenas, quilombolas e nordestinos/as)”, afirma o documento.
No documento, as entidades relacionam as ocorrências de ameaças, agressões e assassinatos, em decorrência de divergências de posicionamentos políticos, ao discurso de Bolsonaro.
O relatório apresenta um compilado de manifestações públicas do candidato do PSL que, de acordo com as entidades, “incentivam a violência, humilham minorias e legitimam práticas contrárias aos direitos humanos”.
As entidades ainda apontam declarações nas quais Bolsonaro questiona a legitimidade das eleições e instituições brasileiras – afirmando que as urnas eletrônicas estariam sendo fraudadas por seu concorrente e que não se conformaria com resultado distinto de sua vitória, “instaurando um clima de insegurança e medo”.
Outro ponto tratado no documento é a difusão de notícias falsas. Para as organizações que assinam a denúncia, as instituições brasileiras não têm respondido de forma diligente às denúncias referentes às declarações que violam direitos humanos, às agressões ocorridas por motivação política e à difusão de notícias falsas e difamatórias.
