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O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) confirmou segundo turno das eleições para presidente da República. Com 100% das urnas apuradas, Jair Bolsonaro (PSL) teve 46,03% dos votos, seguido de Fernando Haddad (PT), com 29,28%.

Ciro Gomes (PDT) alcançou 12,47% dos votos. Em seguida, vieram: Geraldo Alckmin (PSDB) 4,76%; João Amoêdo (Novo) 2,50%; Cabo Daciolo (Patriota) 1,26%; Henrique Meirelles (MDB) 1,20%; Marina Silva (Rede) 1,00%; Alvaro Dias (Podemos) 0,80%; Guilherme Boulos (Psol) 0,58%; Vera (PSTU) 0,05%; Eymael (Democratas) 0,04%; e João Goulart Filho (PPL) 0,03%.

O desafio do militar, agora, é manter a liderança que deteve no primeiro turno após a Corte Eleitoral indeferir o registro do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, preso em Curitiba, no âmbito da Operação Lava Jato.

Para o petista, a tarefa é aglutinar as forças de esquerda em torno de sua candidatura, especialmente o PDT de Ciro Gomes, e buscar o apoio de legendas mais ao centro, como o PSDB de Geraldo Alckmin.

Pesquisa do Ibope, divulgada no sábado (6/10), aponta empate técnico entre Jair Bolsonaro e Fernando Haddad no segundo turno, no limite da margem de erro.

Pronunciamentos
Pouco após o TSE confirmar que Bolsonaro carimbou passagem para o segundo turno, o militar da reserva postou agradecimento aos brasileiros em sua redes sociais.

O postulante do PSL ao Palácio do Planalto inicia o texto destacando que, “durante muito tempo, o povo brasileiro teve de escolher entre opções que não o representava”. Mais à frente, garante: “Agora é diferente!”. O deputado federal se diz capaz de reconhecer os próprios erros e acertos, “mas também de enxergar o potencial que o Brasil tem para se tornar um país grande e próspero”.

Bolsonaro declarou já se sentir vitorioso por estar no segundo turno com poucos recursos e tempo de TV, e após sofrer um atentado em 6 de setembro – episódio que deixou o parlamentar grande parte da campanha internado no Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo. “Se vencermos, já começamos diferente dos outros. Estamos livres para escolher nossa equipe pelo critério técnico e pela eficiência. Não devemos cargos nem favores que coloquem em xeque a autonomia de nosso governo e a soberania de nosso país. Nossa aliança é com a sociedade”, destaca.

O presidenciável também fez transmissão ao vivo pelo Facebook, na qual afirmou: “Não podemos esmorecer, afinal, o que está em jogo é a nossa liberdade, é a manutenção da Operação Lava Jato. Temos que acreditar”.

Ironias
Fernando Haddad, por sua vez, discursou em meio a correligionários e apoiadores em São Paulo. O petista ironizou Bolsonaro e contou que conversou, por telefone, com Marina Silva (Rede) e Guilherme Boulos (PSol), derrotados neste pleito.

“Vamos com uma arma: o argumento. Nós não portamos armas”, disse Haddad. Sob aplausos, o ex-prefeito de São Paulo também avaliou a disputa da segunda etapa da corrida presidencial como uma “oportunidade de ouro para discutir frente a frente, sem medo de ser feliz”.

Haddad se pronunciou ao lado da mulher, Ana Estela; de Manuela D’Ávila (PCdoB), sua vice; e da senadora Gleisi Hoffmann (PR), entre outros partidários.

“Sempre estive do lado da liberdade e da democracia. Não vou abrir mão dos meus valores. Inclusive, dos familiares que, infelizmente, foram atacados nos últimos dias de forma sorrateira”, concluiu.

ALEX SILVA/ESTADÃO CONTEÚDO