Veja imagens das manifestações em defesa da Educação pelo Brasil

Estudantes de ao menos 136 cidades de 25 estados e do Distrito Federal foram novamente às ruas para protestar contra o contingenciamento de verbas no MEC

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atualizado 30/05/2019 22:35

Estudantes de ao menos 136 cidades de 25 estados e do Distrito Federal foram novamente às ruas para protestar contra o contingenciamento de verbas para universidades públicas e institutos federais de ensino, definido pelo governo de Jair Bolsonaro (PSL). Com o apoio de educadores e de integrantes de movimentos sociais e sindicais, a mobilização dos alunos das instituições públicas desta quinta-feira (30/05/2019) é o segundo levante do gênero realizado pelo país: o primeiro ocorreu há 15 dias.

Em contraponto, o ministro da Educação, Abraham Weintraub, foi às redes sociais pedir que os pais denunciassem professores que “coagissem” alunos da rede público a participar dos atos. “Este governo acredita que as manifestações, se democráticas e pacíficas, são um direito de todo brasileiro. O que não pode acontecer são as coações de pessoas em ambiente escolar público”, disse em vídeo o ministro.

O MEC, em nota, sugeriu o corte de ponto para os servidores que foram às manifestações. “Vale ressaltar que os servidores públicos têm a obrigatoriedade de cumprir a carga horária de trabalho, conforme os regimes jurídicos federais e estaduais e podem ter o ponto cortado em caso de falta injustificada. Ou seja, os servidores não podem deixar de desempenhar suas atividades nas instituições de ensino para participarem desses movimentos”, colocou a nota.

Atos expressivos
Embora menos numerosas do que o atos do dia 15, as manifestações desta quinta foram expressivas em capitais como São Paulo, Rio, Salvador, Recife, Fortaleza e Belém. Muitas faixas e palavras de ordem faziam referência aos cortes de bolsas de pesquisa e a bloqueios que afetam a ciência.

Havia também críticas a Bolsonaro, além de alguns manifestantes que pediam a liberdade do ex-presidente Lula, o fim da reforma da Previdência e justiça para a vereadora assassinada Marielle Franco.

Confira imagens do movimento pelo Brasil:

 

 

Verba discricionária
O Ministério da Educação anunciou no final de abril contingenciamentos na área que chegavam a R$ 7,4 bilhões. No entanto, uma semana depois da primeira mobilização, o governo repôs parte dos recursos bloqueados – R$ 1,6 bilhão, ou 21% do valor que havia sido contingenciado.

Nas universidades federais, o corte chega a R$ 2 bilhões, o que representa 30% da verba discricionária, que não inclui gastos obrigatórios como salários, por exemplo. Na Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), ligada ao MEC, que financia bolsas de pesquisa, o bloqueio foi de R$ 819 milhões, ou 19% do total.

No Twitter, a tag #30MpelaEducação segue entre as mais citadas do microblog no Brasil.

 

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Veja detalhes dos atos Brasil afora: 

Distrito Federal
Em Brasília, os atos começaram às 10h, em frente ao Museu Nacional da República. Houve confusão. Sindicatos de professores e União Nacional dos Estudantes (UNE) participam do movimento. Em carros de som, líderes falam em greve geral marcada para o dia 14 de junho. Durante um princípio de tumulto entre policiais militares e manifestantes, a polícia usou spray de pimenta contra um grupo e um homem foi detido.

Confira:

 

 

 

Em frente a sede do Ministério da Educação (MEC), que liberou uma nota onde diz que irá tirar pontos dos servidores que participarem de manifestações, manifestantes colocaram fogo em um boneco do presidente Jair Bolsonaro (PSL). Confira:

São Paulo
A manifestação contra os cortes na Educação realizada no Largo da Batata, em São Paulo, reuniu um número menor de pessoas em relação ao ato do dia 15. Os protestos não contaram com a participação formal dos partidos de oposição, mas foram convocados por entidades estudantis como a União Nacional dos Estudantes (UNE) e a União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes).

Os manifestantes ocuparam parte do Largo da Batata e pelo menos uma quadra da Avenida Faria Lima até às 18h30 desta quinta-feira. Os organizadores calculam a presença de 60 mil pessoas no ato. “A gente avalia que a manifestação do dia 26 (pró-governo) foi significativa, mas não queremos comparar os dias 15, 26 e 30. São propostas diferentes. Não queremos briga de torcida”, afirma a presidente da UNE, a estudante Marianna Dias.

Segundo ela, a manifestação de hoje foi “tão vitoriosa” quanto a do dia 15. A presidente da UNE disse, ainda, que o mote “Fora Bolsonaro” por ora está fora de cogitação e o “Lula Livre” não é o centro da manifestação.

A adesão menor em relação à manifestação anterior já era esperada pelos organizadores, segundo revelou reportagem do jornal O Estado de S. Paulo publicada nesta quinta-feira. Entre os manifestantes, muitos usavam camisetas com a imagem do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a inscrição “Lula Livre”, mas esse tema ficou fora da maioria dos discursos.

Em São Paulo, as cidades de Franca, São Carlos, Campinas e ao menos 7 outras cidades tiveram as mobilizações estudantis.

Em Ribeirão Preto, o protesto ocorreu em frente ao campus da Universidade de São Paulo (USP). O grupo distribuiu panfletos e exibiram cartazes e faixas. Em Santos, os estudantes contaram com apoio de petroleiros, que protestam em defesa das refinarias e contra a reforma da Previdência.

Em Araraquara, um grupo de estudantes protestou em frente à Universidade Estadual Paulista (Unesp). A entrada de alunos e professores, porém, não foi barrada. Na mesma região, em São Carlos, estudantes, professores e servidores da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), da Universidade de São Paulo (USP) e do Instituto Federal de São Paulo (IFSP) saíram em passeata direção ao Centro da cidade. O principal ato, na capital do estado, está marcado para o fim da tarde. Diversas cidades de São Paulo registraram atos em favor do contingenciamento.

Maranhão
Em São Luís, um pequeno grupo de manifestantes bloqueou acessos na entrada e na saída da Universidade Federal do Maranhão (UFMA). Os atos começaram às 15h, na Praça Deodoro.

Ceará
Em Limoeiro do Norte, manifestantes fizeram a Câmara Municipal parar a reunião legislativa realizada toda quinta, segundo informações da UNE. Já em Quixadá, no interior do Ceará, a cerca de 170 Km de Fortaleza, estudantes e professores foram às ruas para protestar. “Sem educação, basta o presidente”, diz um dos cartazes levantados pelos manifestantes. Na capital cearense, os atos começaram às 14h, na Praça da Gentilândia.

Rio Grande do Norte
Pau dos Ferros amanheceu com estudantes nas ruas. Eles acreditam que a educação não é gasto, mas investimento. A cidade fica no interior do estado, a 404 km de Natal, onde os atos iniciaram às 15h, em frente ao Shopping Midway.

Pernambuco
Em Recife, por volta das 10h, estudantes, professores e servidores da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) realizaram um “abraço simbólico” ao prédio da instituição, no bairro de Dois Irmãos, na zona norte da cidade. A mobilização também contou com apresentações de pesquisas e projetos de extensão em aulas de rua. No interior, as ruas de Caruaru amanheceram povoadas. Os estudantes se concentraram em frente ao Grande Hotel e levantam vários cartazes: “Eu me armo de livros e me livro de armas”. Do outro lado de Pernambuco, cerca de 200 estudantes, segundo organizadores, protestaram em Araripina.

Rio de Janeiro
No Rio de Janeiro, milhares de pessoas se reuniram ao redor da igreja da Candelária, no centro, às 16h30. Professores e alunos de escolas públicas discursaram no carro de som criticando medidas anunciadas pelo Ministério da Educação.

Os manifestantes depois caminhariam pela Avenida Rio Branco até a Cinelândia. Dezenas de policiais militares acompanham o ato. No dia 15, após o fim da manifestação, houve confronto entre vândalos e PMs, e um ônibus foi incendiado.

Em frente à Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro, na cidade de Campos dos Goytacazes, pneus foram queimados por um grupo de estudantes. As chamas renderam grande quantidade de fumaça.

Goiás
A concentração aconteceu em frente à Universidade Federal de Catalão (UFCAT).

Bahia
Em Salvador, lideranças sindicais, políticas, de partidos de esquerda e suas militâncias engrossaram a manifestação de estudantes, no centro. Além de protestarem contra o corte nas verbas destinadas à educação, eles rechaçavam as reformas do governo federal, principalmente a da Previdência, e defendiam “Lula Livre” e “Fora Bolsonaro”.

Logo na largada, de cima de um minitrio, líderes do protesto pediam vaias para o ministro da Educação, Abraham Weintraub, e aplausos para os sindicatos presentes ao evento. De acordo com o comando do movimento, mais de 30 mil pessoas participaram do ato, que começou por volta das 10h e terminou por volta das 12h30. No manifesto do dia 15 de maio foi estimada a participação de mais de 50 mil pessoas.

A presidente do Sindicato dos Professores das Instituições Federais de Ensino Superior da Bahia (Apub), Raquel Nery, tentou minimizar a presença das centrais sindicais no movimento, dizendo não haver uma relação direta entre a pauta dos estudantes e a dos sindicatos. “O protesto foi organizado pelos estudantes e é deles o protagonismo. As demais entidades apoiam o movimento. Não podemos dar a esse 30 de maio a cor das centrais sindicais”, destacou.

Como no ato passado, sobraram críticas também para o governador da Bahia, Rui Costa, que é do PT. “Governador, que baixaria, educação não é mercadoria”, gritavam alunos e professores da UNEB – Universidade Estadual da Bahia, que estão em greve há 52 dias.

Piauí 
Em Teresina, capital do estado, manifestantes se reuniram na Praça da Liberdade, de onde a passeata partiu. Professores e alunos da Universidade Federal do Piauí participaram do ato.

Sergipe 
O protesto em Sergipe começou com o fechamento do principal acesso à Universidade Federal de Sergipe, em São Cristóvão (SE). Como o Fórum local funciona dentro da Federal, magistrados, servidores, advogados e os jurisdicionados foram impedidos de entrar na unidade.

Paraná 
No Paraná, foram registrados atos na Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste) em Cascavel.

Mato Grosso 
Em Mato Grosso, foram registrados atos nas cidades de Rondonópolis e Tangará da Serra.

Pará 
No estado do Pará, ao menos quatro paralisações ocorreram simultaneamente. Na capital, aulas foram suspensas em três universidades: UFPA, UFRA e IFPA. Em Altamira e Tucuruí, nas Universidades Federal do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa), e em Marabá, também fecharam.

Santa Catarina 
Em Camboriú e Florianópolis grupos fizeram cartazes e mobilizações nas instituições de ensino superior federais: Instituto Federal Catarinense (IFC), em Camboriú, e na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

Amapá 
Um grupo formado por professores e estudantes fizeram ato na portaria do campus da cidade Federal do Amapá (Unifap).

Paraíba 
Na Paraíba, grupos de estudantes e professores de universidades e institutos federais fizeram atos em Sousa e João Pessoa. Além do contingenciamento na educação, eles também protestaram contra a reforma da Previdência.

Acre 
No Acre, o protesto envolveu mais os sindicalistas que estudantes. No centro de Rio Branco, eles criticaram o contingenciamento na educação e a reforma da Previdência.

Rio Grande do Sul 
Diversas cidades do estado registraram atos: Venâncio Aires, Santa Rosa, Santa Maria, Rio Grande Lajeado e Pelotas.

Mato Grosso do Sul 
Estudantes, professores e indígenas protestaram em Campo Grande, Amambai, Anastácio e Dourados.

Alagoas 
No estado, professores, estudantes e sindicalistas protestaram na cidade de Arapiraca.

Minas Gerais
Em Belo Horizonte, manifestantes se concentraram na Praça Afonso Arinos, Região Central de Belo Horizonte, para protesto contra o corte de recursos na área da Educação. “Não é mole não, tem dinheiro pra milícia, mas não tem para a Educação”, gritam estudantes e professores. Pelo menos dois caminhões de som estavam posicionados na Avenida João Pinheiro, que passa pela praça e já teve uma das pistas fechadas.

A coordenadora do Sindicato dos Trabalhadores em Instituições Federais de Ensino (Sindifes), Cristina del Papa, acredita que 30 mil pessoas participariam do ato contra o corte de recursos do governo federal na noite desta quinta, 30, em Belo Horizonte.

A sindicalista afirma que a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) deverá perder R$ 65 milhões e que essa redução começará a ser sentida a partir de julho. “Nosso recado aqui, hoje, é que não dá para suportar o corte que está sendo feito pelo governo federal. Vai atingir o dia a dia da universidade”, afirma. Em Minas Gerais, as cidades de Juiz de Fora, Uberlândia, Ouro Preto e Governador Valadares tiveram atos. (Com informações da Folha de S.Paulo e Agência)

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