Universidades: governo federal retirou R$ 244 mi de verba, diz Andifes

Entidades do setor denunciam novo corte anunciado nesta segunda (28/11) que inviabilizaria pagamento de despesas nas universidades

atualizado 28/11/2022 23:09

imagem colorida mostra alunos caminhando pela universidade de brasília (unb), umas das universidades mais conhecidas do brasil - metrópoles Hugo Barreto/Metrópoles

A Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) publicou, na noite desta segunda-feira (28/11), nota em que denuncia os novos cortes orçamentários sofridos por universidades e institutos federais por parte do governo federal. De acordo com a organização, os valores são estimados em cerca de R$ 244 milhões.

“Enquanto o país inteiro assistia ao jogo da seleção brasileira, o orçamento para as nossas mais diversas despesas (luz, pagamentos de empregados terceirizados, contratos e serviços, bolsas, entre outros) era raspado das contas das universidades federais, com todos os compromissos em pleno andamento”, afirma o pronunciamento.

Um comunicado do Sistema Integrado de Administração Financeira do Governo Federal (Siafi), do Tesouro Nacional, vem sendo compartilhado por entidades nas redes sociais. O documento, da Subsecretaria de Planejamento e Orçamento do MEC, informa que houve deliberação “pelo bloqueio de dotações de despesas discricionárias do governo federal”.

“Foi realizado hoje, 28/11/2022, estorno dos limites de movimentação disponíveis na conta contábil 823200100 – Limite Orçamentário a Utilizar das unidades vinculadas ao MEC”, descreve o comunicado.

A Andifes argumenta que a gestão de Jair Bolsonaro (PL) parece “‘puxar o tapete’ das suas próprias unidades com essa retirada de recursos, ofendendo suas próprias normas e inviabilizando planejamentos de despesas em andamento, seja com os integrantes de sua comunidade interna, seus terceirizados, fornecedores ou contratantes”.

A associação destaca que um bloqueio anterior, realizado no meio deste ano, retirou R$ 438 milhões do setor. Dessa forma, o novo corte “praticamente inviabiliza as finanças de todas as instituições”.

Entidades denunciam corte de verbas do MEC “durante o jogo do Brasil”. Somente na Universidade de Brasília (UnB), a reitoria calcula uma perda de R$ 2 milhões.

Leia a nota completa:

Com surpresa e consternação, e praticamente no apagar das luzes do exercício orçamentário de 2022, as Universidades Federais brasileiras foram, mais uma vez, vitimadas com uma retirada de seus recursos, na tarde dessa segunda-feira (28). Enquanto o país inteiro assistia ao jogo da seleção brasileira, o orçamento para as nossas mais diversas despesas (luz, pagamentos de empregados terceirizados, contratos e serviços, bolsas, entre outros) era raspado das contas das universidades federais, com todos os compromissos em pleno andamento.

Após o bloqueio orçamentário de R$ 438 milhões ocorrido na metade do ano, essa nova retirada de recursos, estimada em R$ 244 milhões, praticamente inviabiliza as finanças de todas as instituições. Isso tudo se torna ainda mais grave em vista do fato de que um Decreto do próprio governo federal (Dec. 10.961, de 11/02/2022, art. 14) prevê que o último dia para empenhar as despesas seja 9 de dezembro. O governo parece “puxar o tapete” das suas próprias unidades com essa retirada de recursos, ofendendo suas próprias normas e inviabilizando planejamentos de despesas em andamento, seja com os integrantes de sua comunidade interna, seus terceirizados, fornecedores ou contratantes.

Como é de conhecimento público, em vista dos sucessivos cortes ocorridos nos últimos tempos, todo o sistema de universidades federais já vinha passando por imensas dificuldades para honrar os compromissos com as suas despesas mais básicas. Esperamos que essa inusitada medida de retirada de recursos, neste momento do ano, seja o mais brevemente revista, sob pena de se instalar o caos nas contas das universidades. É um enorme prejuízo à nação que as Universidades, Institutos Federais e a Educação, essenciais para o futuro do nosso país, mais uma vez, sejam tratados como a última prioridade.

A Andifes continuará sua incansável luta pela recomposição do orçamento das Universidades Federais, articulando com todos os atores necessários, Congresso Nacional, governo, sociedade civil e com a equipe de transição do governo eleito para a construção de orçamento e políticas necessárias para a manutenção e o justo financiamento do ensino superior público.

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