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Um estudante da Universidade Federal de Goiás (UFG) confessou à Polícia Civil que o pai trocou uma casa por sua vaga no curso de Medicina da instituição de ensino. O aluno prestou depoimento em 19 de julho e suas revelações serviram de base para a Operação Porta Fechada, deflagrada pela Polícia Civil na segunda-feira (30/10).

A ação, que teve desdobramentos no Distrito Federal, tinha como alvo o concurso para delegado da Polícia Civil de Goiás. Durante a investigação, os policiais identificaram fraudes também no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2016.

O aluno relatou aos investigadores que soube da negociação de sua vaga no dia em que prestou o Enem. À polícia, declarou que foi contra o esquema, mas que não desistiu de fazer a prova, porque o pai havia dado uma casa em troca da vaga.

Segundo o estudante, durante o caminho para o local do exame, o pai o instruiu para que ele respondesse apenas 10 questões nos cartões respostas, no 1º e no 2º dias de exame, e escrevesse 10 linhas da redação.

No dia seguinte ao exame, segundo relatou, o vendedor de vagas Gabriel Ribeiro de Araújo ligou, via WhastApp, e informou o estudante que ele deveria ir a Brasília terminar a redação do Enem. O aluno da Federal de Goiás narrou que um interlocutor identificado como Ronaldo Rabelo de Souza telefonou e disse que o pegaria.

Um dia depois, segundo o estudante, um carro ‘popular de cor cinza’ o buscou. No interior do veículo, estavam Ronaldo, no banco do motorista, e também ‘dois meninos e uma menina’.

No depoimento, o aluno afirmou que ‘um pouco antes de Taguatinga’, no DF, o carro parou em um posto de gasolina. Após estacionarem, uma caminhonete também parou no local. Saíram deste outro carro o vendedor de vagas Gabriel, um homem e uma menina.

De acordo com o estudante, pouco tempo depois, um outro homem chegou ao local e tirou um envelope de dentro da jaqueta. O aluno disse à polícia que lhe foi entregue a mesma redação que ele havia começado no dia da prova do Enem, com apenas 10 linhas preenchidas. Segundo o estudante, ele viu que estava junto à redação o cartão-resposta do segundo dia do exame ‘totalmente preenchido’.

O aluno ainda contou que ele e os outros estudantes que estavam em seu carro terminaram a redação no local. Os papéis, segundo o estudante, foram recolhidos pela ‘pessoa de jaqueta’.

Após o resultado do vestibular ser divulgado, o estudante informou que foi aprovado. Na sala de aula, disse ter reconhecido três colegas: os mesmos que terminaram a redação do Enem no posto de gasolina.

O que diz a UFG?
“Até o momento, a Universidade Federal de Goiás não foi informada oficialmente pela Polícia Civil. Medidas cabíveis serão tomadas somente após essa notificação. Ademais, o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) é organizado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP)”, informou a UFG.

 

 

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