Conheça Bruna Brelaz, primeira presidente negra eleita da UNE
Estudante de direito, ela tomou posse nesse domingo (18/7) na presidência da UNE, sucedendo a Iago Montalvão
atualizado
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Em quase 84 anos de história, a União Nacional dos Estudantes (UNE) jamais teve uma presidente eleita – entre os 55 que já ocuparam o cargo –, como Bruna Chaves Brelaz (foto em destaque).
Nascida em Manaus, no Amazonas, a estudante de direito de 26 anos tornou-se, ao assumir o cargo nesse domingo (18/7), a primeira mulher negra e do Norte do país a comandar a entidade, um dos principais espaços de lutas sociais e a mais importante do movimento estudantil brasileiro.
Baseando-se em sua própria experiência de vida, Bruna enxerga a oportunidade de amplificar vozes de mulheres, negros e pobres em políticas educacionais.
A jovem cresceu em Petrópolis, bairro carente de Manaus, e foi a primeira da família, por parte de mãe, a entrar em uma faculdade. Ela cursou pedagogia na Universidade do Estado do Amazonas (UEA) graças às cotas para estudantes de escolas públicas.
“A falta de perspectiva de entrar nas universidades é muito persistente, e o movimento estudantil me ajudou a enxergar, de uma outra forma, o acesso ao ensino superior”, contou, em entrevista ao Metrópoles nessa segunda-feira (19/7).
Bruna começou a se engajar em pautas sociais em 2011, quando era secundarista e participou de manifestação contra o aumento da tarifa do ônibus, em Manaus.
Aos 20 anos, em 2014, foi eleita presidente da União Estadual dos Estudantes do Amazonas.
Depois, mudou-se para Brasília, onde foi diretora de Relações Institucionais da UNE, e desde 2019 vive em São Paulo. Ela foi a tesoureira da entidade nesses últimos dois anos, durante a gestão do agora ex-presidente da organização Iago Montalvão, quando conta ter sido alvo de perseguição do governo Bolsonaro.
O ex-ministro da Educação Abraham Weintraub provocava, reiteradamente, a entidade, e chegou a publicar uma medida provisória (hoje sem validade) que instituía novas identidades estudantis (IDs) digitais. Uma das ideias era, como admitiu, “quebrar” a UNE.
“Todas as gerações que passaram pela União Nacional dos Estudantes pavimentaram o caminho para que a gente possibilitasse popularizar as universidades. Quando entra o governo Bolsonaro, partiu-se de um princípio de desmontar esse projeto”, dispara Bruna.
Bruna avalia que o impeachment do atual chefe do Executivo federal é uma exigência “para ontem” e que Bolsonaro distanciou a possibilidade de continuar um caminho de avanços por mais pluralidade nas universidades.
“Nós temos um próximo período de muitas lutas, em que os estudantes vão precisar fortalecer ainda mais as mobilizações de rua pelo ‘Fora, Bolsonaro’, porque os estudantes têm projetos, e Bolsonaro não tem projeto para a educação do país”, afirma a nova presidente da UNE.
“Com Bolsonaro, a gente não tem espaço para poder dialogar sobre um projeto de educação. Ele nos tirou todas as perspectivas; desconstruiu tudo aquilo que nós montamos, tijolinho por tijolinho, mobilização por mobilização, para que houvesse a garantia de mais financiamento da universidade, mais proteção e garantia da entrada do povo mais pobre da universidade”, complementa a Bruna.
A UNE mobiliza estudantes a participar de manifestações nos próximos dias 24 de julho e 11 de agosto.
A seguir, assista os principais trechos da entrevista:










