Inscreva-se no canal MetrópolesTV no YouTube
Brasil

Ecumenismo político marca velório de Goldman; Doria não compareceu

O governador João Doria (PSDB), desafeto do tucano, decretou luto de três dias e ofereceu o Palácio dos Bandeirantes para a família

02/09/2019 15:32
SUAMY BEYDOUN/AGIF/ESTADÃO CONTEÚDO
Ecumenismo político marca velório de Goldman; Doria não compareceu

O velório do ex-governador de São Paulo Alberto Goldman reuniu na manhã desta segunda-feira (2/9/2019) lideranças políticas de diversos partidos na Assembleia Legislativa de São Paulo. A grande ausência foi o governador João Doria (PSDB), desafeto do tucano. Doria não veio mas decretou luto de três dias e ofereceu o Palácio dos Bandeirantes para a família velar o corpo. Os familiares, porém, optaram pela Assembleia.

Presente ao velório, ex-governador Geraldo Alckmin exaltou o papel de Goldman como referência para os tucanos: “Ele é uma bela luz para orientar os novos tempos do PSDB. Sempre foi muito coerente, com uma linha só: olhar para social, defesa da democracia”.

Depois de apoiar Paulo Skaf na disputa pelo governo paulista no ano passado, o ex-governador foi alvo de um pedido de expulsão do PSDB por parte do grupo do governador João Doria. “Goldman foi muito generoso comigo. No ano passado, quando fui candidato a governador, ele abertamente me apoiou apesar de estar no PSDB. Guardo com muito carinho essa atitude”, disse Skaf ao chegar ao velório.

Receba no seu email as notícias de Boletim Metrópoles

Frequência de envio: Diário

Ver todas as newsletters

O ex-presidente Fernando Henrique, por sua vez, lembrou que esteve ao lado de Goldman no período da democratização e classificou o ex-governador como um homem “correto e sério”.

Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles

O vereador e ex-senador Eduardo Suplicy, do PT, contou que entrou no MDB nos fim dos 70 incentivado por Goldman. “Ele era uma voz progressista no PSDB”, afirmou o petista.

O ex-presidenciável Eduardo Jorge, da Rede, chamou Goldman de “porto seguro” no PSDB. “Essa polarização infernal que o Brasil copiou da Argentina está destruindo o PSDB. A perda de Goldman acelera mais esse processo. Goldman era um porto seguro de pessoas sensatas e fiéis ao ideário social-democrata do PSDB”.

O corpo será transportado para o Cemitério Israelita do Butantã, na zona oeste paulistana, onde ocorrerá o enterro, às 15h. Goldman morreu no início da tarde de Domingo (dia 1º). Ele tinha 81 anos e estava internado desde 19 de agosto no Hospital Sírio-Libanês, na capital paulista, quando passou mal durante um procedimento para tratamento de um câncer. O líder tucano teve uma hemorragia no cérebro detectada por exames e foi operado em seguida, mas não resistiu. Ex-comunista, Goldman aderiu à social-democracia e se tornou um de seus maiores nomes no País.