Tarifaço: 577 itens da aviação civil podem pagar apenas tarifa de 10%

CNI diz que, se a aplicação da isenção à aviação civil ocorrer, 577 itens ficariam sujeitos apenas à tarifa de 10% e quatro estariam isentos

atualizado

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exportação ceará
1 de 1 exportação ceará - Foto: Pádua Martins/Ascom Ipece

Um levantamento mostra que boa parte dos produtos de aviação civil exportados com destino aos Estados Unidos terá que pagar apenas 10% para entrar nos Estados Unidos. Cerca de 577 itens ficariam livres da sobretaxa de 50% imposta pelo governo do presidente Donald Trump. Os números foram divulgados nesta quinta-feira (7/8) pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), um dia após a imposição de tarifas unilaterais dos EUA.

Conforme a CNI, a aplicação da isenção prevista para a aviação civil pode modificar o alcance efetivo da tarifa adicional de 40% sobre 601 produtos exportados. “Caso a exceção seja aceita, 577 deles ficariam sujeitos apenas à tarifa de 10% anunciados em abril, enquanto quatro estariam isentos de ambas”, ressalta o estudo.

Os setores com maior número de produtos exportados nessa condição seriam:

  • Máquinas e equipamentos (34,9%);
  • Equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (26,5%);
  • Máquinas, aparelhos e materiais elétricos (17,7%);
  • Produtos de borracha e de material plástico (7,2%); e
  • Outros equipamentos de transporte (7,1%).

O tarifaço de Donald Trump

  • O presidente norte-americano, Donald Trump, assinou, em 31 de julho, ordem executiva que oficializou a tarifa de 50% contra os produtos exportados do Brasil para os Estados Unidos.
  • Na prática, os 50% são a soma de uma alíquota de 10% anunciada em abril, com 40% adicionais anunciados no começo do mês e oficializados na última quarta-feira (30/7).
  • Apesar disso, o líder norte-americano deixou quase 700 produtos fora da lista de itens afetados pela tarifa extra de 40%. Entre eles, suco de laranja, aeronaves, castanhas, petróleo e minérios de ferro.
  • Os produtos isentos dessa segunda leva serão afetados apenas com a taxa de 10%.
  • As tarifas entraram em vigor em 6 de agosto.
  • Em resposta ao tarifaço, o governo Lula acionou a Organização Mundial do Comércio (OMC) contra as tarifas unilaterais impostas por Trump. O Executivo brasileiro protocolou um pedido de consulta em Genebra em 6 de agosto.

As exportações isentas do novo tarifaço de Trump concentram-se principalmente na indústria extrativa, que responde por 68,9% dessas vendas, com destaque para petróleo leve e pesado.

Na indústria de transformação, o setor de coque, derivados de petróleo e biocombustíveis representa 21,5% do valor isento, especialmente outros combustíveis automotivos e óleos combustíveis pesados (sem biodiesel). O restante do valor exportado está concentrado nos setores de metalurgia e de madeira.

Metade das exportações serão sobretaxadas em 50%

O levantamento também mostra que metade das exportações com destino aos Estados Unidos será sobretaxada em 50% para entrar no país. Conforme a CNI, 41,4% da pauta exportadora brasileira aos EUA, com 7.691 produtos de variados setores, está sujeita à tarifa combinada de 50%. Em 2024, a exportação desses bens alcançou US$ 17,5 bilhões.

O estudo indica que o principal segmento exportador ao mercado norte-americano é a indústria de transformação, que responde por 69,9% do valor comercializado no ano passado.

“A indústria de transformação responde por 69,9% desse valor, com 7.184 produtos afetados pelas tarifas combinadas, que totalizaram US$ 12,3 bilhões em 2024”, ressalta trecho da pesquisa.

Segundo o levantamento, os setores com maior número de produtos exportados afetados pela sobretaxa de 50% seriam:

  • Vestuário e acessórios (14,6%);
  • Máquinas e equipamentos (11,2%);
  • Produtos têxteis (10,4%);
  • Alimentos (9%);
  • Químicos (8,7%); e
  • Couro e calçados (5,7%).

Além disso, os setores de aço, alumínio e cobre, sobretaxados pela Seção 232, representam 9,3% da pauta exportadora nacional e terão que pagar tarifa de 50%.

A CNI enfatiza que, combinados, esses blocos representam 50,7% das exportações brasileiras aos norte-americanos.

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