Sugestão de secretário incomoda Bolsonaro: “Gente sem o mínimo de coração”

O presidente não citou nominalmente o secretário especial da Fazenda, Waldery Rodrigues, que apresentou a ideia de congelar aposentadorias

atualizado 15/09/2020 11:26

Incomodado com a repercussão negativa do assunto, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) disse, nesta terça-feira (15/9), que vai levantar um “cartão vermelho” para integrantes do governo federal que propuserem congelar aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Sem citar nominalmente o secretário especial da Fazenda, Waldery Rodrigues, que defendeu a ideia publicamente nessa segunda-feira (14/9), Bolsonaro disse que “quem porventura vir a propor para mim uma medida como essa, só posso dar um cartão vermelho para essa pessoa”.

O recado foi publicado nesta manhã em uma rede social. Bolsonaro apresentou as manchetes de alguns jornais do país que publicaram a proposta da equipe econômica de congelar a aposentadoria e disse não querer mais ouvir falar em Renda Brasil até 2022.

“É gente que não tem o mínimo de coração, o mínimo de entendimento para com os aposentados do Brasil”, disse. “Pode ser que alguém da equipe econômica tenha falado desse assunto, mas por parte do governo jamais vamos congelar salários de aposentados”, completou.

Ao portal G1, Waldery Rodrigues disse que “a desindexação que apoiamos diretamente é a dos benefícios previdenciários para quem ganha um salário mínimo e acima de um salário mínimo, não havendo uma regra simples e direta”. “O benefício hoje sendo de R$ 1,3 mil, no ano que vem, ao invés de ser corrigido pelo INPC, ele seria mantido em R$ 1,3 mil. Não haveria redução, haveria manutenção”, completou.

Nesta manhã, o ministro da Economia, Paulo Guedes, “ex-posto Ipiranga”, foi chamado de última hora pelo presidente. O encontro não está na agenda de nenhum dos dois e, por isso, Guedes precisou cancelar a participação em uma teleconferência, que estava marcada para às 9h.

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“Quero justificar um pequeno atraso que nós tivemos na nossa programação de hoje, pois o ministro Paulo Guedes, que estaria conosco às 9h, foi convocado de última hora pelo presidente da República, o que mudou um pouco a nossa agenda, mas eu quero informar aos nossos participantes que o ministro Paulo Guedes estará conosco aqui, hoje, a partir do meio-dia”, disse o mediador da atração.

O assunto da reunião, contudo, não foi informado pela Secretaria de Comunicação (Secom) da Presidência da República. O Metrópoles procurou o Ministério da Economia para saber se o secretário Waldery Rodrigues segue no governo federal, mas a pasta não se manifestou. O espaço continua aberto.

Há um ano, episódio semelhante ocorreu na equipe econômica do governo. Na ocasião, o então secretário da Receita Federal, o economista Marcos Cintra, deixou a pasta após defender a criação de um tributo nos moldes da antiga CPMF.

O tema gerou bastante desgaste do governo Bolsonaro com a população. Marcos Cintra saiu do governo, e a proposta, também defendida pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, não ganhou amparo no Congresso Nacional até o momento, ficando de fora da primeira parte da reforma tributária.

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