Secretário da Fazenda critica governadores que comemoraram tarifaço

Para o secretário Guilherme Mello, os governadores precisam “construir uma saída, e não comemorar o ataque ao país”

atualizado

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Secretário Guilherme Mello
1 de 1 Secretário Guilherme Mello - Foto: Hugo Barreto/Metrópoles

O secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Guilherme Mello, afirmou, nesta sexta-feira (11/7), que os governadores dos estados que podem ser impactados pelas tarifas de 50% impostas pelos Estados Unidos precisam “construir uma saída, e não comemorar o ataque ao país”.

“São Paulo e Espírito Santo são estados que têm uma relação maior, do ponto de vista da exportação, com os Estados Unidos. Então, tendem a sofrer mais, o que, imagino, mobilize os setores produtivos e, espero eu, os governos dos estados a construir uma saída, e não comemorar o ataque ao país”, disse.

A declaração foi dada durante a apresentação do Boletim Macrofiscal de junho, divulgado pela Secretaria de Política Econômica (SPE). No documento, a Fazenda revisou as expectativas para o crescimento econômico e a inflação do país.

Alguns governadores, como Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Romeu Zema (Novo), vieram a público para criticar as tarifas de Trump. Mas nas declarações, eles optaram por culpar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Zema classificou o tarifaço como uma medida “errada e injusta”, mas criticou o que chamou de “intromissões” de Lula em assuntos dos Estados Unidos.

“Há tentativas de censurar a oposição a Lula nas redes sociais de acabar com a nossa liberdade de expressão. O STF, estamos vendo, já passou dos limites. As provocações em intromissões de Lula em assunto dos Estados Unidos são lamentáveis, mas esses erros e essas injustiças não devem ser consertadas com mais injustiça e erro”, declarou ele.

Por outro lado, Tarcísio foi mais incisivo e responsabilizou o presidente Lula pelas tarifas impostas pelo governo de Trump.

Nas redes sociais, o governador escreveu que “Lula colocou sua ideologia acima da economia, e esse é o resultado”. O governador disse que “não adianta se esconder atrás do Bolsonaro”, pois “a responsabilidade é de quem governa”.

Tarifa de Trump não deve afetar o PIB

O Macrofiscal é um relatório bimestral responsável por divulgar as projeções de curto e médio prazo para os indicadores de atividade econômica e de inflação, utilizados no processo orçamentário da União.

A SPE ressaltou que as projeções ainda não consideram os impactos potenciais da elevação na tarifa de importação dos Estados Unidos para o Brasil de 10% para 50%. A pasta entende que o impacto da medida deve ser concentrado em alguns setores da indústria de transformação, mas acredita que o “tarifaço” terá pouca influência na estimativa de crescimento em 2025.


Trump, tarifas, Brasil e Bolsonaro

  • Trump tem ameaçado o mundo com um tarifaço e dá atenção especial ao grupo do Brics e ao Brasil.
  • O presidente norte-americano já ameaçou aplicar taxas de 100% aos países-membros do bloco que não se curvarem aos “interesses comerciais dos EUA”.
  • Após sair em defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro, Trump decidiu impor as tarifas de 50% sobre as exportações brasileiras. De acordo com o líder norte-americano, o Brasil não está “sendo bom” para os EUA.
  • O presidente Lula reagiu invocando a soberania brasileira e informou que a resposta à taxação será por meio da Lei brasileira de Reciprocidade Econômica.
  • Ao anunciar tarifa de 50% sobre produtos brasileiros, Trump indicou que pode rever a medida se o Brasil “abrir seu mercado e remover barreiras comerciais”.

EUA: 2º maior comprador do Brasil

Desde 2009, a China é o principal parceiro comercial do Brasil.

À época, os chineses desbancaram os EUA e tornaram-se os maiores compradores de produtos brasileiros. Dessa forma, os norte-americanos ocupam o segundo lugar do ranking de compradores de mercadorias nacionais.

Em 2024, a venda de produtos brasileiros aos Estados Unidos somou US$ 40,3 bilhões, o que representa um aumento de 9,2% em comparação a 2023, quando os EUA importaram US$ 36,9 bilhões. Nunca o Brasil exportou tanto para a terra do “Tio Sam” como no ano passado.

Do total exportado pelo Brasil, aproximadamente 12% vão para os Estados Unidos. Estão entre os principais: óleos brutos de petróleo, ferro, aço, celulose, café, suco de laranja, carne bovina, aeronaves e máquinas para o setor de energia.

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