Sanções a Belarus podem encarecer alimentos no Brasil, afirma ministra
Barreiras econômicas dos EUA e da União Europeia podem prejudicar fornecimento de fertilizantes da Belarus para a safra de verão no Brasil
atualizado
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A ministra da Agricultura, Tereza Cristina, afirmou ao jornal O Estado de S.Paulo, nesta terça-feira (16/11), que o governo federal age para evitar que as sanções econômicas contra Belarus por violação dos direitos humanos provoquem mais uma disparada no preço dos alimentos no Brasil. O país europeu é responsável por 20% do potássio usado como fertilizante no campo brasileiro.
O presidente Alexander Lukashenko é acusado de permitir que pessoas do Oriente Médio entrem na Europa usando Minsk, capital de Belarus, como rota e sigam para a fronteira polonesa. Nesse cenário, a União Europeia decidiu aplicar sanções ao país.
Em entrevista exclusiva ao jornal, a ministra Tereza Cristina revelou a preocupação do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) em relação ao assunto. Barreiras econômicas dos EUA e da União Europeia podem prejudicar o fornecimento de fertilizantes de Belarus para a próxima safra de verão no Brasil. Tereza Cristina garantiu, no entanto, que a atual safra brasileira já está garantida. “Inclusive está plantada mais de 70%.”
“Eu saio daqui e vou para a Rússia conversar com alguns de nossos fornecedores, para garantir que teremos 100% dos fertilizantes de que precisamos para nossa próxima safra de verão”, afirmou.
Troca de produtos
Questionada se é possível o governo adotar uma solução similar à do Irã, de trocar produtos com Belarus, a ministra afirmou: “Sim, é uma solução. É um limitador que o Brasil tenta compensar. No caso do Irã, a gente entrega milho, eles trocam por fertilizantes (ureia). A gente já conversou com Belarus, eles nos procuraram na semana passada no Ministério da Agricultura”.
De acordo com o IBGE, no Brasil, a alta no preço dos alimentos foi de 12,54% no acumulado de 12 meses e de 21,39% desde o início da pandemia de Covid-19. O efeito é mais severo sobre os mais pobres.
Também segundo o instituto, os gastos com alimentação representam 20,94% da renda das famílias que vivem com um a cinco salários mínimos.






