Saiba como a praga de gafanhotos pode afetar seu bolso se chegar ao Brasil

Com aproximação da nuvem de insetos, o Ministério da Agricultura declarou nessa quinta-feira (25/06) estado de emergência fitossanitária

atualizado 26/06/2020 13:39

Nuvem de gafanhotosGoverno de Córdoba/Divulgação

Se não bastassem as crises sanitária e econômica provocadas pelo novo coronavírus, esta semana alguns países da América do Sul entraram em alerta com uma nuvem de gafanhotos que avança aparentemente em direção ao Uruguai, com risco, mesmo que pouco expressivo, de chegar ao Brasil.

De acordo com autoridades da Argentina, os insetos, que têm até 15 centímetros de envergadura, entraram no país pelo Paraguai e chegaram, nessa quinta-feira (25/06), a cerca de 30 quilômetros do Rio Grande do Sul. Confira aqui o mapa atualizado.

Por causa da situação, o Ministério da Agricultura declarou estado de emergência fitossanitária. A ação permite a implementação do plano de supressão de praga, além da adoção de medidas emergenciais.

De acordo com nota divulgada pela pasta na noite dessa quinta-feira (25/06), “é pouco provável – até o presente momento – que a nuvem avance em território” brasileiro. Caso isso aconteça, no entanto, economistas e, sobretudo, produtores locais temem possíveis estragos.

Para o professor da Faculdade de Ciências Econômicas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs) Leonardo Xavier, as pragas de gafanhoto podem atingir os plantios das chamadas “culturas de inverno”, que abrangem o trigo e a pastagem para a pecuária (criação de gado).

“Se as nuvens de gafanhotos chegarem no Brasil devem justamente afetar esses dois plantios, que estão na fase inicial, no campo semeado”, explica o professor, que também é especializado em economias agrícola e rural.

Dessa maneira, a produção de trigo e de gado estariam comprometidas na região. “Trabalhando com essa hipótese, vai provocar um aumento dos preços dos derivados do trigo, como o pão, e das carnes bovinas, por exemplo”, analisa o professor.

Assim, o preço da farinha de trigo, por exemplo, pode crescer ainda mais, uma vez que, com o avanço da crise do novo coronavírus, o produto teve inflação de 9% de janeiro a maio deste ano, segundo dados do IBGE.

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Ele ressalta, porém, que com uma queda na produção o país pode comprar esses produtos de fora e que não há risco de uma falta de alimentos. “Só que, no final das contas, o mais vulnerável é o consumidor”, diz Xavier.

O professor Augusto Alvim, docente da escola de negócios da PUC-RS, por sua vez, é mais otimista. O economista afirma que essa praga localizada não é capaz de afetar o mercado nacional, como alterar o preço de alguns produtos.

“Claro que isso pode trazer algum dano localizado. Caso chegue no país, vai afetar alguns produtores, mas o estado do Rio Grande do Sul tem um plano de contingência para combater os insetos”, analisa Alvim.

Apesar do olhar positivo, o professor destaca o efeito que a praga pode causar ao atingir o pasto bovino, uma vez que o clima recente no estado, mais seco do que o normal, não colaborou para a criação de gado. “A perda seria ainda maior”, completa.

“Mas falar em mudança do preço da carne, mesmo no Rio Grande do Sul? Acho exagerado. O mercado de carne é muito interligado. Então, se tem uma perda na questão da fronteira oeste, as outras regiões compensariam”, sustenta o especialista.

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