Poupança, Tesouro Direto, ações, renda fixa: onde investir na recessão?

Com queda da taxa básica de juros, investimentos conservadores se tornam pouco atraentes. Risco pode ser sinônimo de rentabilidade

atualizado 04/09/2020 10:53

Michael Melo/Metrópoles

O Brasil entrou em recessão técnica ao registrar pelo segundo trimestre consecutivo queda no Produto Interno Bruto (PIB). Entre abril e junho deste ano, a economia brasileira caiu 9,7%. Nos três meses anteriores, a queda tinha sido de 2,5%.

Os dados foram divulgados nessa terça-feira (1º/9) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Dessa maneira, o segundo trimestre de 2020 protagonizou o maior tombo para três meses de toda a série histórica, iniciada em 1996.

Porém, o que isso significa para os investimentos? A recessão pode alterar tanto os investimentos de renda fixa (mais conservadores) quanto os de renda variável (mais arriscados), mas é preciso entender que a queda ocorreu no semestre passado.

Na renda fixa, boa parte dos investimentos, como a poupança e alguns títulos públicos do Tesouro Direto, estão atrelados à taxa básica de juros, a taxa Selic. Em tese, os países tendem a reduzir os juros em meio a recessões para estimular a economia.

No Brasil, o Comitê de Política Monetária (Copom) baixou a taxa Selic para 2% ao ano, o menor patamar da história. Isso significa que investimentos mais conservadores estão rendendo menos, em alguns casos, se comparados à inflação.

Um dia após o resultado do PIB, o presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, que participa das decisões do Copom, reforçou nessa quarta-feira (2/9), em evento promovido pela Bloomberg, que existe pouco espaço para novos cortes na taxa Selic.

A previsão do relatório de mercado Focus é de que a Selic siga em 2% até o fim deste ano. “Sobre os rendimentos em renda fixa, não tem muito o que esperar em rentabilidade de curto prazo”, diz o planejador financeiro CFP Bruno Mori, da Planejar.

“Na renda variável, quando as economias estão em recessão, significa que as empresas estão produzindo menos, lucrando menos. Então, teoricamente, as ações tendem a depreciar”, complementa, ao destacar, porém, que a opção é a melhor no quesito rentabilidade.

Na mesma medida, o consultor José Leonardo, sócio diretor da Plano, empresa de consultoria de finanças pessoais, ressalta que cada vez mais é importante que a pessoa direcione, sempre com segurança, parte dos investimentos para a renda variável.

“Não necessariamente precisa ser de maneira direta, como na compra e venda da ações e de câmbio, por exemplo, mas pode se fazer isso através dos fundos de investimentos, de multimercado ou de ações”, exemplifica José Leonardo.

Como migrar?

O primeiro passo para fazer essa migração, caso o investidor queira ter uma rentabilidade maior, é fazer, ou manter, uma uma reserva de segurança. Para isso, é necessário colocar o dinheiro (para no mínimo seis meses) em ativos seguros e com liquidez.

“A renda fixa vai cumprir um papel importantíssimo na carteira de qualquer investidor, independentemente do momento em que se esteja passando. Assim, se tem a garantia de que, mesmo ganhando pouco, vai ganhar sempre”, diz José Leonardo, da Plano.

A partir desse momento, feito a tarefa de casa, é possível buscar outras alternativas em renda variável, diversificando a carteira de investimentos, segundo Bruno Mori, da Planejar. Isso é importante para evitar perdas generalizadas.

“A gente pode buscar outras alternativas com maiores rentabilidades, como a Bolsa de Valores, um fundo de ações e fundo multimercado. Mas isso é muito pessoal e depende de cada investidor”, complementa o planejador financeiro CFP.

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