Ministro defende consumo de energia fora do pico para barrar crise

Bento Albuquerque descarta apagão e racionamento e fala em incentivo ao deslocamento de consumo para além dos horários de pico

atualizado 03/06/2021 11:48

Ministro Bento AlbuquerqueFernando Frazão/Agência Brasil

O ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, voltou a descartar risco de apagão e racionamento no país e disse estudar medidas que vão desde a importação de mais energia até o incentivo ao deslocamento de consumo para além dos horários de pico, via desconto na tarifa.

“Todas as medidas estão sendo analisadas. Não podemos ser surpreendidos. Então, tudo está sendo considerado, inclusive deslocar o pico de demanda. Aí você dá muito mais segurança e consegue reduzir o custo [da energia]. Estamos conversando com os grandes consumidores e vamos trabalhar isso de forma transparente antes de tomarmos qualquer decisão”, disse em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo.

Como mostrou o Metrópoles no início de maio, a falta de chuvas tem causado desabastecimento dos reservatórios das hidrelétricas. Para se ter dimensão da escassez de água nas bacias das usinas, um quarto dos reservatórios das hidrelétricas está com nível abaixo de 30%. Dez dos 39 reservatórios estão no limite da reserva.

Foi criada uma sala de situação on-line para acompanhar a crise, formada pelos ministérios de Minas e Energia, Economia, Infraestrutura, Agricultura e Desenvolvimento Regional, Casa Civil e a Advocacia-Geral da União. Os órgãos vinculados e as agências também fazem parte. O Ministério de Relações Exteriores acompanha em função das questões de importação de energia.

Bento culpou o fenômeno La Niña pela pior crise hídrica dos últimos 91 anos e disse que, apesar de todas as medidas para garantir o fornecimento de energia, não tem como garantir se vai chover mais até setembro, quando o Ministério da Economia prevê descompasso entre crescimento e fornecimento de energia para suportá-lo. “É mais fácil ganhar na loteria”, afirmou.

Para ele, a saída definitiva de situações como a atual é acelerar a transição energética, reduzindo a dependência das hidrelétricas. Atualmente, cerca de 64% da energia gerada no país vem dessas usinas, e a meta, segundo Bento, é chegar a 48% na próxima década.

Últimas notícias