Membro da transição, Persio Arida diz que Brasil “gasta muito e mal”

Para Persio Arida, ex-presidente do BNDES, aprovação de reformas tributária e administrativa é “vital” para o crescimento

atualizado 15/11/2022 13:05

Imagem colorida de Persio Arida Reprodução

Integrante da equipe de transição do governo eleito na área econômica, Persio Arida, ex-presidente do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e do Banco Central (BC), defendeu nesta terça-feira (15/11) a aprovação das reformas tributária e administrativa, se possível já em 2023.

Persio Arida é um dos participantes da Brazil Conference, evento promovido pelo Grupo de Líderes Empresariais (Lide) em Nova York. No segundo dia do seminário, o ex-presidente do BNDES participa do painel “A Economia do Brasil a partir de 2023”.

“Temos um Estado que é percebido publicamente como ineficiente. Temos um Estado que gasta muito e gasta mal. Essa reforma no funcionamento do Estado é fundamental. Um de seus aspectos é a reforma administrativa. E temos também outras dimensões, em particular a necessidade de revisar os gastos públicos”, afirmou Arida.

Segundo ele, é urgente uma “revisão de independente de gastos, verificando se os gastos, inclusive os tributários, fazem ou não fazem mais sentido”. “O tamanho do contencioso tributário nos indica que nosso sistema arrecada muito, mas funciona mal”, apontou Arida.

“Hoje, a tributação atinge desproporcionalmente os mais pobres”, prosseguiu o ex-presidente do BNDES. “Temos de ter uma tributação mais justa. O conjunto de reformas tributárias será lento para ser implementado, mas será vital.”

Em seu pronunciamento, Persio Arida afirmou ainda que o futuro governo precisará ter capacidade de “persuasão política” para viabilizar as reformas. “A reforma tributária já tem algum progresso de amadurecimento. Mas a reforma administrativa em nível federal ainda engatinha”, lamentou.

Crescimento com inclusão

Segundo Arida, o principal desafio do país neste momento é “crescer de forma inclusiva e sustentável”.

“Temos de atender essa massa de população marginalizada, sem condições de inserção no mercado de trabalho. Temos de crescer com programas sociais emergenciais por um período razoável de tempo”, concluiu.

Campos Neto, Meirelles e Temer

Mais cedo, como o Metrópoles noticiou, o presidente do BC, Roberto Campos Neto, o ex-ministro da Fazenda Henrique Meirelles e o ex-presidente Michel Temer reforçaram a importância de que o futuro governo adote uma política fiscal responsável.

“Temos uma situação mais complexa daqui para frente. O mundo precisa de reformas. Passamos muito tempo sem reformas”, afirmou Campos Neto. “A pandemia deixou cicatrizes muito grandes, principalmente nos mais carentes. Mas precisamos mostrar a quem investe no país que nós temos disciplina fiscal.”

“Precisamos persistir no combate à inflação. Essa é a melhor forma de contribuir com o crescimento sustentável. Somente um plano coeso com coerência fiscal e continuidade das reformas vai assegurar uma trajetória de crescimento sustentável”, concluiu.

Mais lidas
Últimas notícias