Irã x EUA: alta da Petrobras limita perdas na Bolsa brasileira

Escalada da tensão entre os EUA e o Irã fez petróleo disparar no mercado internacional, mas beneficiou papéis de petrolífera

atualizado 03/01/2020 17:50

Hugo Barreto/Metrópoles

A escalada de tensão entre Estados Unidos e Irã também contaminou o Ibovespa, principal índice da Bolsa paulista, a B3, que iniciou o pregão abandonando o nível recorde dos 118 mil pontos conquistados ontem. Ao contrário da véspera, a queda é quase generalizada na carteira – uma das poucas exceções é a Petrobras, que opera em alta. Por volta das 10h50, o índice caía 0,75%, aos 117.686 pontos.

As bolsas internacionais e o petróleo eram afetados após Washington ordenar um ataque e matar o comandante das Forças Quds, uma unidade especial da Guarda Revolucionária do Irã, o general Quassim Suleimani. Teerã prometeu uma “retaliação severa” ao ataque.

“Esse evento gerou uma mudança do clima, que estava positivo nos últimos dias. Agora, os possíveis desdobramentos são pouco claros, o que, no curto prazo, gera uma aversão a risco”, explicou Silvio Campos Neto, economista da Tendências Consultoria.

O dólar tinha alta acentuada de cerca de 1% contra o real nesta sexta-feira, chegando a superar R$ 4,07, acompanhando a força da moeda norte-americana com as novas tensões políticas no Oriente Médio.

O petróleo se mantém em alta próxima de 4%, com o temor de retaliação do país do Oriente Médio ao ataque norte americano da noite de ontem. Pouco antes das 11h, ações PN da Petrobras subiam 0,39%, enquanto o papel ON estava em leve ata de 0,06%.

Empresas
“Apesar de à primeira vista a Petrobras reagir positivamente, o mercado deverá monitorar se a companhia repassará o movimento nos próximos dias”, diz a XP Investimentos em comentário a clientes.

“Normalmente, a Petrobras não tem reagido a movimentos de curto prazo e sem respaldo em dinâmicas estruturais de oferta e demanda, como no caso do ataque à Arábia Saudita em setembro.”

O desbloqueio do caixa para pagamento de compensações a moradores de Maceió ajuda as ações da petroquímica Braskem, que estão entre as maiores altas do Ibovespa, com 3,39% por volta das 10h40.

A Braskem informou que as autoridades concordaram em restituir os recursos do caixa que estavam bloqueados na Justiça como forma de custear o Programa de Compensação Financeira e Apoio à Realocação dos 17 mil moradores afetados pelo afundamento de bairros em Maceió, em Alagoas.

O montante bloqueado era de R$ 3,7 bilhões por conta de ações judiciais movidas pelo Ministério Público Estadual, Defensoria Pública e Ministério Público Federal como forma de garantir a indenização aos moradores, dos quais a Braskem irá transferir R$ 1,7 bilhão para uma conta bancária da própria companhia para o programa.

A empresa terá de manter capital de giro mínimo no valor de R$ 100 milhões nesta conta, que será verificada por empresa de auditoria externa.

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