Ipea: greve derruba indústria e setor tem pior mês da história em maio
A paralisação dos caminhoneiros, que durou 11 dias, fez produções despencarem no mês passado em comparação a abril

A greve dos caminhoneiros que parou o país por 11 dias em maio fez a indústria brasileira registrar o pior desempenho de sua história. A produção industrial despencou 13,4% no mês passado na comparação com abril, o que representa um impacto maior que o da crise financeira global, de 2008, quando a queda, em um único mês, foi de 11,2%.
A estimativa referente a maio é do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e será divulgada nesta quarta-feira (27/6). Se a projeção for confirmada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no próximo dia 4 de julho, o parque fabril terá amargado o pior desempenho dentro da série histórica iniciada em 2002, já desconsideradas as influências sazonais. Os segmentos mais afetados foram os de automóveis e alimentos.

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Ver todas“Houve caso de um fabricante de massa que interrompeu a produção porque não recebeu farinha. Um produtor de leite teve de jogar fora litros do produto porque venceu a data da validade.” Um levantamento da federação nos dias mais críticos da greve aponta que seis em cada dez indústrias fluminenses pararam ou reduziram as atividades durante a paralisação.
Os cálculos do Ipea mostram que a greve derrubou a atividade econômica como um todo em maio, interrompendo o processo de retomada. O instituto estima que, além da indústria, as vendas do comércio varejista tenham recuado 1,4% na passagem de abril para maio, sob influência da crise de desabastecimento causada pela paralisação.
A expectativa é que as perdas generalizadas prejudiquem os dados do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro no segundo trimestre, embora alguns setores tenham apresentado desempenho bastante positivo em abril. “A dúvida é até que ponto o mês de junho vai conseguir recuperar o que foi perdido em maio”, diz Leonardo Mello de Carvalho, técnico do Ipea responsável pelo estudo.
Segundo ele, o aumento das incertezas no cenário externo e interno também devem prejudicar o desempenho dos investimentos no ano. “Se a expectativa ficou um pouco mais nebulosa, mais incerta, a intenção de investimento fica menor”, justificou o técnico do Ipea.
Na Alumbra, fabricante de materiais elétricos como interruptores e tomadas, instalada em São Bernardo do Campo (SP), a greve dos caminhoneiros jogou para baixo a projeção de vendas no ano. Em maio, a produção ficou 15% abaixo do planejado inicialmente, segundo o diretor de tecnologia da empresa, Cláudio Barberini Jr.
A fábrica reduziu o ritmo de produção porque teve dificuldade de escoar seus produtos. “Eu tinha matéria-prima, tinha produto, mas não tive como escoar”, afirmou. A empresa usou a frota própria de seis caminhões para fazer entregas nas proximidades. Os clientes mais distantes ficaram sem o produto.



