Inflação de julho sobe 0,26%, puxada por alta da energia elétrica

Mais uma vez, o desempenho da inflação foi influenciado pelos preços da energia elétrica residencial

atualizado

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Arthur Menescal/Especial Metrópoles
conta de energia
1 de 1 conta de energia - Foto: Arthur Menescal/Especial Metrópoles

Os preços de bens e serviços do país avançaram 0,26% em julho, um aumento de 0,02 ponto percentual em comparação a junho (0,24%). Em 12 meses até julho, a inflação acumula alta de 5,23%, ainda acima do teto da meta (4,50%). No ano, o índice acumula alta de 3,26%. No mesmo mês de 2024, a variação foi de 0,38%.

O resultado do mês passado ficou abaixo do esperado por analistas do mercado financeiro. A mediana das previsões do relatório Focus e do mercado era alta de 0,34% e 0,36%, respectivamente.

Os dados fazem parte do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que mede a inflação oficial do país, divulgado nesta terça-feira (12/8) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Energia elétrica mais cara puxa inflação

O resultado mensal foi influenciado pela alta de 3,04% nos preços da energia elétrica residencial, devido à manutenção da bandeira tarifária vermelha no patamar 1, com taxa adicional de R$ 4,46 na conta de luz a cada 100 KWh consumidos. Ela também exerceu o maior impacto individual no índice, com incremento de 0,12 ponto percentual.

Nos primeiros sete meses do ano, a energia elétrica residencial acumula uma alta de 10,18% — a maior variação para o período desde 2018, quando o acumulado foi de 13,78%.

“Sem a contribuição da energia elétrica, o resultado do IPCA de julho ficaria em 0,15%”, destaca Fernando Gonçalves, gerente da pesquisa do IPCA.

Segundo o IBGE, a alta no subitem reflete uma série de reajustes nas tarifas, por parte das concessionárias, nos estados de São Paulo (13,97%), Curitiba (1,97%), Porto Alegre (14,19%) e Rio de Janeiro (-2,16%).


O que é IPCA

  • O IPCA é calculado desde 1979 pelo IBGE. O índice é considerado o termômetro oficial da inflação e é usado pelo Banco Central para ajustar a taxa básica de juros, a Selic.
  • Ele mede a variação mensal dos preços na cesta de vários produtos e serviços, comparando-os com o mês anterior. A diferença entre os dois itens da equação representa a inflação do mês observado.
  • O IPCA mensura dados nas cidades, de forma a englobar 90% das pessoas que vivem em áreas urbanas no país.
  • O índice pesquisa preços de categorias como transporte, alimentação e bebidas, habitação, saúde e cuidados pessoais, despesas pessoais, educação, comunicação, vestuário, artigos de residência, entre outros.
  • O IPCA referente a agosto será divulgado em 10 de setembro.

Destaques do IPCA de julho

Seis grupos de produtos e serviços pesquisados apresentaram variação positiva na passagem de junho para julho. As exceções foram os grupos de Alimentação e bebidas (-0,27%), Vestuário (-0,54%) e Comunicação (-0,09%).

Confira o resultado, por grupos, do IPCA:

  • Alimentação e bebidas: -0,27%;
  • Habitação: 0,91%;
  • Artigos de residência: 0,09%;
  • Vestuário: -0,54%;
  • Transportes: 0,35%;
  • Saúde e despesas pessoais: 0,45%;
  • Despesas pessoais: 0,76;
  • Educação: 0,02%; e
  • Comunicação: -0,09%.

Veja o impacto, por grupos, na inflação em julho:

  • Alimentação e bebidas: -0,06 ponto percentual;
  • Habitação: 0,14 ponto percentual;
  • Artigos de residência: 0 ponto percentual;
  • Vestuário: -0,03 ponto percentual;
  • Transportes: 0,07 ponto percentual;
  • Saúde e cuidados pessoais: 0,06 ponto percentual;
  • Despesas pessoais: 0,08 ponto percentual;
  • Educação: 0 ponto percentual; e
  • Comunicação: 0 ponto percentual.

Alimentação amplia sequência de quedas

O grupo Alimentação e bebidas, que tem o maior peso no índice, registrou queda pelo segundo mês consecutivo, com redução de 0,27% em julho, após cair 0,18% em junho.

De acordo com o IBGE, o recuo foi impulsionado pela alimentação no domicílio (ou seja, o preço dos produtos nos mercados) que também caiu 0,69% na passagem de junho para julho, com destaque para:

  • as quedas nos preços da batata-inglesa (-20,27%), da cebola (-13,26%) e do arroz (-2,89%).

“Com a queda de alimentos importante na cesta de consumo das famílias, o resultado do IPCA no mês ficou em 0,26%. Sem a contribuição dos alimentos, a inflação seria de 0,41%”, explica Gonçalves.

A alimentação fora do domicílio registrou variação de 0,87% em julho, frente ao 0,46% de junho. O lanche também acelerou de 0,58% em junho para 1,90% em julho, e a refeição saiu de 0,41% em junho para 0,44% em julho. Segundo o gerente do IPCA, as altas na alimentação fora do domicílio podem ser explicadas pelo período de férias.

Outros destaques

Com a segunda maior variação e impacto em julho, a alta do grupo Despesas pessoais foi impulsionada pelo reajuste, a partir de 9 de julho, nos jogos de azar (com avanço de 11,17% e impacto de 0,05 ponto percentual).

O grupo Transportes acelerou de junho (0,27%) para julho (0,35%), impulsionado pela alta nas passagens aéreas (19,92%). Os combustíveis, por sua vez, recuaram 0,64% em julho. Foram computadas quedas nos preços do etanol (-1,68%), do óleo diesel (-0,59%), da gasolina (-0,51%) e do gás veicular (-0,14%).

Gonçalves destaca que “o grupamento dos combustíveis registrou queda nos preços pelo quarto mês consecutivo. Em junho, houve redução no preço da gasolina nas refinarias.”

No grupo Saúde e cuidados pessoais destacam-se o aumento no preço dos itens de higiene pessoal (0,98%) e no plano de saúde (0,35%), que reflete a incorporação dos reajustes autorizados pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).

Para os planos contratados após a Lei nº 9.656/98, o percentual é de até 6,06%, com vigência a partir de maio de 2025 e cujo ciclo termina em abril de 2026. Já os contratados antes da lei, as variações foram de 6,47% e 7,16%, a depender do plano.

O recuo de Vestuário foi puxado pelas quedas na roupa feminina (-0,98%) e na roupa masculina (-0,87%).

INPC tem alta de 0,21%

A inflação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) subiu 0,21%, após registrar variação de 0,23% em junho. Nos últimos 12 meses até julho, o INPC acumula alta de 5,13%. No ano, o acumulado é de 3,30%.

Os produtos alimentícios passaram de -0,19% em junho para -0,38% em julho. A variação dos não alimentícios passou de 0,37% em junho para 0,41% em julho, conforme mostrado pelo IBGE.

O índice serve de referência para o reajuste do salário mínimo e de benefícios sociais.

O INPC é um indicador que mede a variação média dos preços de um conjunto específico de produtos e serviços consumidos pelas famílias com renda entre 1 e 5 salários mínimos mensais.

A inflação para o mercado

As projeções do mercado financeiro para a inflação deste ano seguem distantes da meta, mas nas últimas semanas tem se aproximado das expectativas do Banco Central (BC) e do Ministério da Fazenda.

Segundo o relatório Focus publicado nessa segunda-feira (11/8), a estimativa dos analistas consultados pelo Banco Central para o IPCA foi reduzida pela 11ª semana consecutiva. A previsão passou de 5,07%, na semana anterior, para 5,05%.

O próprio BC — que tem o papel de controlar o avanço da inflação por meio da taxa básica de juros (a Selic) — informou que há 70% de probabilidade de a meta inflacionária ser descumprida neste ano.

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