Imóveis: Caixa planeja crédito fixo com taxa de 8% a 9% ao ano

O lançamento do crédito imobiliário sem correção ocorrerá na próxima semana, durante cerimônia no Palácio do Planalto

Raimundo Sampaio/Esp. Metrópoles

atualizado 10/02/2020 17:57

A Caixa Econômica Federal já bateu o martelo quanto aos juros que serão cobrados na nova modalidade de crédito imobiliário, sem correção. As taxas mínimas devem começar entre 8% e 9% ao ano e o banco da habitação mira, de acordo com fontes próximas à instituição, bater a marca dos R$ 10 bilhões em empréstimos na linha prefixada para a compra da casa própria no primeiro ano de operação.

O lançamento do crédito imobiliário sem correção ocorrerá na próxima semana, durante cerimônia no Palácio do Planalto. Deve contar, inclusive, com a presença do presidente Jair Bolsonaro, em evento similar ao do anúncio da modalidade com lastro no índice de inflação, o IPCA, realizado em agosto do ano passado.

O evento foi antecipado, antes ocorreria em março, por conta do processo de abertura de capital da Caixa Seguridade, holding de seguros do banco. Há quase que um mantra nos corredores da instituição: “foco no IPO (oferta pública inicial de ações, na sigla em inglês)”.

A data do lançamento do crédito imobiliário sem correção ainda está sendo fechada e já mudou algumas vezes por conta da agenda de Bolsonaro. A última opção cogitada e que chegou a ser reservada, dia 19 de fevereiro, foi descartada justamente por conta disso.

Hora extra
Nesse primeiro ano de governo, Bolsonaro e o presidente da Caixa, Pedro Guimarães, estreitaram relações. O executivo, que investiu a maioria de seus fins de semana em 2019 conhecendo a rede física do banco público Brasil afora, passou a acompanhar o presidente em viagens e também em algumas das lives pelo Facebook, feitas tradicionalmente às quintas-feiras.

Uma apresentação com mais de dez slides está sendo preparada para a cerimônia oficial que ocorrerá no Planalto. O foco da Caixa, conforme fontes, é mostrar que o banco tem “segurança” e “tranquilidade” para lançar a nova modalidade de crédito imobiliário, aposta para ampliar a oferta de crédito imobiliário no país.

Além disso, o lançamento vai marcar a ampliação da família de produtos no banco público. Assim, a Caixa passa a oferecer a seus clientes três modalidades de crédito imobiliário: Taxa Referencial (TR) mais juros; com lastro no IPCA e sem correção (pré-fixada). A ideia do banco público, conforme uma fonte, é colocar no mercado taxas diferentes, conforme os prazos da linha pré-fixada – como, por exemplo, de 20 anos, cujos juros serão mais atrativos que a de 30 anos.

TR zerada
O lançamento do crédito imobiliário sem correção é também mais uma ofensiva da atual gestão da Caixa de confrontar a linha tradicional, que cobra juros mais TR. O presidente do banco tem chamado atenção para o tema de forma recorrente, deste antes do lançamento da modalidade que tem lastro no IPCA. Ele defende que a TR está zerada, mas que isso pode mudar, o que representaria um risco para os bancos.

Durante evento no fim de janeiro, o presidente da Caixa confirmou que a perspectiva do banco é de que os juros da modalidade pré-fixada ficassem abaixo de 10% ao ano. Disse ainda que, embora a oferta do banco compreenda prazos mais longos, a expectativa era a de que o prazo médio ficasse ao redor dos 8,5 anos.

Concorrentes observam
Entre os bancos privados, o crédito pré-fixado é visto com mais bons olhos que o anterior, com lastro no índice oficial de inflação, o IPCA. Questionado pela reportagem, o Bradesco informou que estuda a nova modalidade. Já o Itaú Unibanco afirmou que não tem planos de operá-la no curto prazo, mas que está sempre atento aos movimentos do mercado.

“O crédito imobiliário pré-fixado desperta mais interesse que o IPCA porque é mais seguro aos clientes. O risco é da curva de juros, que fica com o banco e a tesouraria tem como controlar, ao menos no cenário atual”, diz o executivo de um grande banco, na condição de anonimato.

Em outra frente, o presidente da Caixa também defende, nos bastidores, que os juros da linha TR caiam mais, considerando o atual patamar dos juros básicos no País, a Selic, que sofreu um novo corte na semana passada, caindo para o nível histórico de 4,25% ao ano, conforme uma fonte. Guimarães tem defendido a redução de taxas em várias modalidades, principalmente, no imobiliário, que tem o imóvel como garantia, e ainda outras linhas que penalizam os mais pobres como o cheque especial.

Líder de mercado
Com a ofensiva nos juros e maior foco no imobiliário, a Caixa retomou, no ano passado, o posto de líder no crédito imobiliário com recursos da poupança (SBPE), ao conceder R$ 26,6 bilhões em 2019 ante R$ 13,3 bilhões no exercício anterior, conforme dados da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip). Assim, desbancou, o concorrente Bradesco – líder em 2018, com cerca de R$ 17,9 bilhões, seguido por Itaú Unibanco, com R$ 16,7 bilhões.

Procurada, a Caixa não comentou. Disse que as taxas da modalidade pré-fixada ainda estão sendo fechadas e confirmou que o evento de lançamento não será no dia 19 de fevereiro.

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