Haddad diz que governo depende de alta do IOF para atingir meta fiscal

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, também reforçou que o governo federal não pretende mudar a meta fiscal deste ano, de déficit zero

atualizado

metropoles.com

Compartilhar notícia

Hugo Barreto/Metrópoles @hugobarretophoto
Coletiva-Haddad
1 de 1 Coletiva-Haddad - Foto: <p>Hugo Barreto/Metrópoles<br /> @hugobarretophoto</p><div class="m-banner-wrap m-banner-rectangle m-publicity-content-middle"><div id="div-gpt-ad-geral-quadrado-1"></div></div> </p>

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou, nesta terça-feira (1º/7), que será necessário manter o aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), aprovar a medida provisória que eleva tributos e cortar R$ 15 bilhões em benefícios fiscais para cumprir a meta fiscal de déficit zero em 2025.

Segundo o ministro, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não pretende alterar a meta e seguirá buscando alternativas que reforcem o compromisso com a responsabilidade fiscal.

Na semana passada, o decreto que aumentava as alíquotas do IOF foi derrubado pelo Congresso Nacional, em uma derrota para o governo. A Advocacia-Geral da União (AGU) deve judicializar a questão, o que pode agravar a relação entre os dois Poderes.

Haddad evitou comentar se a AGU levará o caso ao Supremo Tribunal Federal (STF), mas reforçou que o IOF é utilizado para fins de sonegação e que a Receita Federal trabalha para “fechar a brecha”.

“O advogado-geral da União [Jorge Messias] foi incumbido pelo presidente [Lula] de saber se atravessaram os limites estabelecidos pela Constituição. Se sim, é natural que o presidente busque o reparo. Se não, as negociações vão continuar”, declarou ele.

Mais tarde, o advogado-geral da União fará um pronunciamento sobre o tema.


Primeiro decreto derrubado em mais de 30 anos

  • A votação da Câmara e do Senado dessa quarta-feira (25/6), que resultou na derrubada do decreto presidencial de reajuste do IOF, é algo que não acontecia há mais de 30 anos.
  • A última vez que um decreto presidencial acabou derrubado pelo Congresso Nacional foi em 1992, no governo Fernando Collor de Mello.
  • À época, o Congresso derrubou um decreto que alterava regras para o pagamento de precatórios, meses antes de a Câmara abrir o processo de impeachment contra o então presidente.
  • Agora, em derrota expressiva para o governo, a Câmara aprovou a revogação com 383 votos favoráveis e 93 contrários e, horas depois, o Senado confirmou a anulação em votação simbólica.

Benefícios fiscais

Haddad informou que o governo federal pretende apresentar, após o recesso Legislativo, uma nova proposta sobre o corte de benefícios fiscais, atendendo a pedidos feitos por parlamentares.

“Vamos fazer uma proposta para o Congresso, com base nas conversas com os líderes naquele domingo. Eles pediram para preservar os benefícios constitucionais. Vamos elaborar uma peça preservando esses setores que têm proteção constitucional, o Super Simples e a cesta básica nacional”, anunciou o ministro.

Meta fiscal

A meta fiscal deste ano é de déficit zero (ou seja, o equilíbrio entre despesas e receitas), com intervalo de tolerância que permite saldo negativo de até R$ 31 bilhões nas contas públicas. Isso porque o arcabouço fiscal permite um rombo de até 0,25% do PIB.

Conforme o Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) de 2025, as projeções dos próximos exercícios são:

  • 2026: superávit de 0,25% do PIB (R$ 33,1 bilhões);
  • 2027: superávit de 0,50% do PIB (R$ 70,7 bilhões);
  • 2028: superávit de 1% do PIB (R$ 150,7 bilhões).

Na tentativa de cumprir a meta fiscal do lado das despesas, a equipe econômica anunciou, em 22 de maio, o congelamento de R$ 31,3 bilhões, distribuídos entre R$ 10,6 bilhões em bloqueio e R$ 20,7 bilhões em contingenciamento.

O decreto do IOF, no entendimento da Fazenda, seria uma forma de ajudar na arrecadação. No entanto, o aumento das alíquotas provocou reação negativa do mercado financeiro e do Congresso, o que resultou na revogação da medida.

A equipe econômica deve anunciar se fará novos cortes no Orçamento da União (bloqueios ou contingenciamentos) em 22 de julho, quando tradicionalmente é divulgado o relatório bimestral de avaliação de receitas e despesas.

Críticas a Bolsonaro

O ministro da Fazenda também voltou a criticar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). De acordo com Haddad, a atual gestão não está “fazendo contas” de olho nas Eleições de 2026, ao contrário do que teria feito o governo anterior.

“Nós não estamos fazendo conta. Nós não somos o governo Bolsonaro, a quem tudo foi permitido para ganhar a eleição. Não funciona assim conosco. Temos responsabilidade”, declarou.

Haddad pontuou que o governo não quer estragar as contas públicas, mas indicar outro caminho.

“O presidente Lula sabe da importância de fazer as coisas certas”, disse ele. “O país não precisa mais disso. O presidente Lula é o presidente da responsabilidade fiscal, não tem outro campeão de responsabilidade fiscal”, concluiu.

Quais assuntos você deseja receber?

Ícone de sino para notificações

Parece que seu browser não está permitindo notificações. Siga os passos a baixo para habilitá-las:

1.

Ícone de ajustes do navegador

Mais opções no Google Chrome

2.

Ícone de configurações

Configurações

3.

Configurações do site

4.

Ícone de sino para notificações

Notificações

5.

Ícone de alternância ligado para notificações

Os sites podem pedir para enviar notificações

metropoles.comNotícias Gerais

Você quer ficar por dentro das notícias mais importantes e receber notificações em tempo real?