Focus reduz expectativa de inflação e mantém previsão de Selic a 5%

De acordo com o Relatório de Mercado Focus, projeção para o índice em 2020 seguiu em 3,80%

atualizado 23/09/2019 9:32

Daniel Ferreira/Metrópoles

Os economistas do mercado financeiro alteraram levemente a previsão para o IPCA – o índice oficial de preços – em 2019 e 2020. O Relatório de Mercado Focus, divulgado na manhã desta segunda-feira (23/09/2019) pelo Banco Central, mostra que a mediana para o IPCA este ano passou de alta de 3,45% para elevação de 3,44%. Há um mês, estava em 3,65%. A projeção para o índice em 2020 seguiu em 3,80%. Quatro semanas atrás, estava em 3,85%.

Além disso, na esteira da decisão do Banco Central sobre juros, na semana passada, os economistas do mercado financeiro mantiveram suas projeções para a Selic (a taxa básica da economia) no fim de 2019 e 2020. O Relatório de Mercado Focus trouxe que a mediana das previsões para a Selic este ano seguiu em 5,00% ao ano.

O Focus trouxe ainda a projeção para o IPCA em 2021, que seguiu em 3,75%. No caso de 2022, a expectativa permaneceu em 3,50%. Há quatro semanas, essas projeções eram de 3,75% e 3,50%, respectivamente.

A projeção dos economistas para a inflação está abaixo do centro da meta de 2019, de 4,25%, sendo que a margem de tolerância é de 1,5 ponto porcentual (índice de 2,75% a 5,75%). Para 2020, a meta é de 4%, com margem de 1,5 ponto (de 2,50% a 5,50%). No caso de 2021, a meta é de 3,75%, com margem de 1,5 ponto (de 2,25% a 5,25%). Já a meta de 2022 é de 3,50%, com margem de 1,5 ponto (de 2,00% a 5,00%).

Na semana passada, o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC atualizou suas projeções mais recentes para a inflação. Considerando o cenário de mercado, a projeção para o IPCA em 2019 está em 3,3%. No caso de 2020, está em 3,6%.

Em 6 de setembro, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que o IPCA avançou 0,11% em agosto. No ano, a taxa acumulada é de 2,54% e, em 12 meses até agosto, de 3,43%.

No Focus, entre as instituições que mais se aproximam do resultado efetivo do IPCA no médio prazo, denominadas Top 5, a mediana das projeções para 2019 seguiu em 3,40%. Para 2020, a estimativa do Top 5 seguiu em 3,73%. Quatro semanas atrás, as expectativas eram de 3,51% e 3,90%, nesta ordem.

No caso de 2021, a mediana do IPCA no Top 5 seguiu em 3,80%, ante 3,75% de um mês atrás. A projeção para 2022 no Top 5 permaneceu em 3,75%, ante 3,60% de quatro semanas antes.

PIB
A expectativa de crescimento da economia em 2019 seguiu em 0,87%. Há quatro semanas, a estimativa de alta era de 0,80%.

Para 2020, o mercado financeiro manteve a previsão de alta do Produto Interno Bruto (PIB), em alta de 2,00%. Quatro semanas atrás, estava em 2,10%. No fim de agosto, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que o PIB do segundo trimestre de 2019 subiu 0,4% em relação ao primeiro trimestre.

No fim de junho, o BC havia atualizado, por meio do Relatório Trimestral de Inflação (RTI), sua projeção para o PIB em 2019, de alta de 2,0% para elevação de 0,8%. Esta projeção será novamente atualizada na próxima quinta-feira, também pelo RTI.

A projeção para a produção industrial de 2019 passou de baixa de 0,47% para retração de 0,53%. Há um mês, estava em alta de 0,08%. No caso de 2020, a estimativa de crescimento da produção industrial foi de 2,48% para 2,29%, ante 2,50% de quatro semanas antes.

A pesquisa Focus mostrou ainda que a projeção para o indicador que mede a relação entre a dívida líquida do setor público e o PIB para 2019 foi de 56,10% para 56,05%. Há um mês, estava em 56,39%. Para 2020, a expectativa passou de 58,30% para 58,00%, ante 58,50% de um mês atrás.

Selic
O Relatório de Mercado Focus trouxe que a mediana das previsões para a Selic este ano seguiu em 5,00% ao ano. Há um mês, estava no mesmo patamar. Já a projeção para a Selic no fim de 2020 permaneceu em 5,00% ao ano, ante 5,25% de quatro semanas atrás.

No caso de 2021, a projeção foi de 7,00% para 6,75%, igual a um mês antes. A projeção para a Selic no fim de 2022 permaneceu em 7,00%, mesmo porcentual de quatro semanas antes.

Na semana passada, o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC cortou a Selic em 0,50 ponto porcentual, de 6,00% para 5,50% ao ano. Foi o segundo corte consecutivo da taxa básica. No comunicado sobre a decisão, o BC avaliou que o cenário externo, apesar de incerto, está favorável para países emergentes.

Além disso, reconheceu avanços nas reformas econômicas e divulgou projeções comportadas de inflação para 2019 e 2020. Neste contexto, a instituição também indicou que pode promover novos cortes na Selic.

No grupo dos analistas consultados que mais acertam as projeções (Top 5) de médio prazo, a mediana da taxa básica em 2019 foi de 5,00% para 4,75% ao ano, ante 5,00% de um mês antes. No caso de 2020, passou de 5,00% para 4,75% ao ano, ante 5,13% de quatro semanas atrás.

A projeção para o fim de 2021 no Top 5 permaneceu em 6,50%. Há um mês, estava em 7,00%. Para 2022, a projeção do Top 5 seguiu em 6,50% ao ano, ante 7,00% de um mês antes.

Mês de setembro
Os economistas do mercado financeiro alteraram levemente a previsão para o IPCA em setembro de 2019, de alta de 0,09% para elevação de 0,08%. Um mês antes, o porcentual projetado indicava inflação de 0,17%.

Para outubro, a projeção no Focus seguiu com alta de 0,16% e, para novembro, permaneceu com alta de 0,24%. Há um mês, os porcentuais de alta eram de 0,22% e 0,25%, respectivamente.

No Focus desta segunda, a inflação suavizada para os próximos 12 meses foi de 3,41% para 3,45% de uma semana para outra – há um mês, estava em 3,56%.

Câmbio
O relatório de mercado Focus mostrou alteração no cenário para a moeda norte-americana em 2019. A mediana das expectativas para o câmbio no fim deste ano foi de R$ 3,90 para R$ 3,95, ante R$ 3,80 de um mês atrás.

Para o próximo ano, a projeção para o câmbio permaneceu em R$ 3,90, ante R$ 3,81 de quatro pesquisas atrás.

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