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O diretor do Fundo Monetário Internacional (FMI) para as Américas, Alejandro Werner, afirmou nesta sexta-feira (8/6) que o anúncio do Banco Central do Brasil de que não utilizará a política monetária para controlar a alta do dólar é uma decisão adequada. “Para administrar, suavizar e evitar condições desordenadas nos mercados financeiros, como no de câmbio, há outros instrumentos”, afirmou. A política utilizada pelo Banco Central, até agora, tem sido os leilões de swaps cambiais.

Nessa quinta (7), o presidente do Banco Central do Brasil, Ilan Goldfajn, havia dito que não iria usar a taxa básica de juros, a Selic, para interferir no câmbio. Ele assegurou que a política monetária continuará sendo utilizada para controlar a inflação, sua função principal. Goldfajn também afirmou que até o final da semana que vem ocorrerão leilões adicionais de contrato de swap cambial no valor total de US$ 20 bilhões.

“Cremos que, em termos gerais, são os princípios adequados à condução da política monetária e financeira do Brasil. Claramente, o movimento das moedas dos países desenvolvidos tem impacto sobre os países emergentes”, afirmou o diretor do FMI. Segundo ele, há mercados emergentes vulneráveis, mas também há um grupo de emergentes que tem setor financeiro sólido “que vão permitir enfrentar muito bem a situação”.

Quando questionado se o Brasil estaria entre o grupo de países vulneráveis, o diretor afirmou que o país não tem questões preocupantes relacionadas a vulnerabilidades externas, como problemas em conta corrente. “É uma economia que não tem uma necessidade de financiamento externo grande”, afirmou.

Ainda assim, o diretor comentou o desequilíbrio fiscal brasileiro e a importância de discutir o tema durante as eleições deste ano. “Nos últimos anos, o Brasil passou a enfrentar um desafio fiscal muito importante, e esse desafio é muito grande e já está presente no debate político com as discussões da reforma previdenciária”, disse.

As declarações foram feitas durante uma coletiva do FMI realizada hoje para detalhar o acordo fechado ontem entre o fundo e a Argentina, que colocará US$ 50 bilhões a disposição do país durante 36 meses.

“A agenda do Brasil, para os próximos anos para poder consolidar sua situação econômica está muito clara e isso estará presente no processo eleitoral, e o próximo governo dará os sinais importantes para ver se estes pontos avançam ou não”, concluiu Werner.