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Depois de chegar a R$ 3,96 e fechar a quinta-feira (7/6) cotado a R$ 3,91, o dólar continua baixando nesta sexta (8/6). No meio do dia, ele chegou a R$ 3,71, o equivalente a uma queda de 4,15%.
O movimento é uma reação à oferta adicional de US$ 20 bilhões ao mercado pelo Banco Central (BC) e também à firme disposição da autoridade monetária de conter a volatilidade no mercado, que nessa quinta (7) fechou na maior cotação em mais de dois anos. Na mesma trajetória da moeda, a Bolsa acumula queda de quase 3%.

O presidente do BC, Ilan Goldfajn, anunciou que, caso necessário, vai recorrer às reservas cambiais para oferecer ao mercado o montante de R$ 20 bilhões. Entretanto, descartou a possibilidade de elevar juros a fim de conter o câmbio.

Também nesta sexta-feira (8), Goldfajn anunciou um leilão de 60 mil contratos de swap cambial, após forte variação de queda no mercado futuro. Ao oscilar dos R$ 3,832 para R$ 3,809, o contrato entrou em leilão às 10h10 e voltou a ser negociado normalmente por volta das 10h13. Às 12h10, o dólar à vista operava a R$ 3,7756.

O movimento contraria o fortalecimento global da divisa americana tanto em relação a moedas de economias desenvolvidas (exceto o iene japonês) quanto em comparação às emergentes. Esse movimento poderá gerar pressão de alta da divisa dos EUA ante o real.

A valorização vista globalmente antecede uma série de eventos importantes, como as reuniões do G-7 nesta sexta (8) e sábado (9); as reuniões de política monetária do Fed e do BCE na próxima semana e também o aguardado encontro entre o presidente dos EUA, Donald Trump, e o líder da Coreia do Norte, Kim Jong-un, em Cingapura.

Bolsa
O Ibovespa amplia mínimas sucessivas e cai quase 3%, já abaixo do patamar dos 72 mil pontos. Nessa quinta-feira (7), o índice chegou a cair 6,5% durante o pregão.

Petrobras e Eletrobras se destacam entre as baixas desta sexta-feira (8), em mais um dia de maior aversão ao risco e consequente continuidade do movimento de fuga de estrangeiros. Na direção oposta, JBS e Marfrig lideravam entre as altas, beneficiadas pela queda do dólar. Em maio, os estrangeiros retiraram R$ 8,433 bilhões da B3. Nos primeiros três pregões de junho, as retiradas já somam R$ 2,053 bilhões.

“A situação ainda é bastante volátil. Temos as contas públicas descontroladas, rumores de uma possível terceira denúncia da procuradora-geral da República, Raquel Dodge, contra Michel Temer, incertezas no quadro eleitoral, cenário externo ruim, petróleo em queda e como consequência um forte fluxo de saída de estrangeiros da bolsa”, diz Luiz Roberto Monteiro, operador da mesa institucional da Renascença.