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Economia

Fed aumenta taxa de juros nos EUA, em decisão que não ocorria desde 2023

Elevação anunciada pelo banco central americano foi de 0,25 ponto percentual, o que colocou os Fed funds no intervalo entre 3,75% e 4,00%

16/09/2026 15:02, atualizado 16/09/2026 19:13
Kevin Dietsch/Getty Images
Imagem do Federal Reserve (Fed), o Banco Central dos Estados Unidos - Metrópoles

O Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês), do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), elevou os juros básicos dos Estados Unidos em 0,25 ponto percentual (p.p.), fixando a taxa no intervalo entre 3,75% e 4,00%. Unânime, a decisão foi anunciada nesta quarta-feira (16/9) e era amplamente esperada pelo mercado.

A última vez que o Fed elevou os juros foi em 26 de julho de 2023. Na ocasião, o Fomc aplicou a mesma dose de aumento à taxa básica (os “Fed funds”): a alta foi de 0,25 ponto percentual, passando para entre 5,25% e 5,50%.

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Depois disso, o Fed manteve os juros congelados por um longo período e só iniciou um ciclo de cortes ao longo de 2024 e 2025, reduzindo a taxa até o nível entre 3,50% e 3,75% em dezembro do ano passado. Neste ano, nas cinco decisões anteriores ao anúncio desta quarta-feira, os Fed funds foram mantidos nesse patamar (3,50%/3,75%).

Sem surpresas

A nova decisão do Fed, que tem forte impacto sobre a economia global (leia mais sobre esse tema neste link), não surpreendeu o mercado. Longe disso. De acordo com a ferramenta FedWatch, do CME Group, as chances de uma alta de 0,25 p.p. dos juros eram de 92,7% no início da tarde desta quarta-feira.

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E tal estimativa não é um mero chute. Ela é calculada com base nos preços dos contratos futuros de 30 dias dos Fed Funds Futures, negociados na bolsa do CME Group.

Essa foi a segunda decisão do Fomc sob a liderança de Kevin Warsh, que assumiu a presidência do Fed em maio por indicação do presidente Donald Trump. O republicano vinha exercendo forte pressão para que os juros caíam nos EUA.

Comunicado

No comunicado em que anunciou a alta dos juros, o Fed destacou que, embora a incerteza permaneça elevada como resultado dos problemas geopolíticos, os gastos internos têm demonstrado resiliência. A geração de empregos, notaram os integrantes do BC americano, tem acompanhado a evolução da força de trabalho, e a taxa de desemprego apresentou pouca variação.

Em contrapartida, a inflação permanece elevada. Na visão do Fed, a decisão desta quarta-feira contribui para um retorno mais rápido dos preços para a meta de 2% ao ano estabelecida pelo Fomc.

Projeções

A projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) americano de 2026 passou de 2,2% no relatório de junho para 2,3%. Para 2027, ela mudou de 2,3% para 2,4%. No caso de 2008, ela permaneceu em 2,2%.

Já a estimativa da inflação (PCE) em 2026 aumentou. Ela foi de 3,6% em junho para 3,7% agora. Para 2027, ela se manteve em 2,3% e, para 2028, foi de 2,0% para 2,1%. Em 2029, a estimativa é de 2,0%.

Análise

Paula Zogbi, da Nomad, destaca que a decisão do Fed ocorreu de forma unânime. “Essa é uma informação relevante, já que em julho o comitê havia mantido a taxa por 9 votos a 3, com os dirigentes Beth Hammack, Neel Kashkari e Lorie Logan preferindo já naquele momento elevar em 0,25 p.p.”, diz. “É um sinal positivo para a credibilidade da instituição em meio a ruídos sobre a possibilidade de Warsh se submeter à pressão política.”

Zogbi ressalta que o material de projeções oficiais dos membros do comitê indicou que o Fed antevê mais uma elevação da taxa de juros em 2026, embora o comunicado oficial não tenha dado indicações explícitas sobre os próximos passos do Fomc.

Selic no Brasil

No início da noite desta quarta-feira, a partir das 18h30, o Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central (BC), também anunciará o novo patamar da taxa básica do Brasil, a Selic. A expectativa, nesse caso, é de um corte de 0,25 p.p., o que levaria os juros brasileiros dos atuais 14% para 13,75% ao ano.