Inscreva-se no canal MetrópolesTV no YouTube
Negócios

Analistas destacam divergência na decisão do Fed sobre juros nos EUA

Votação teve nove votos a favor da manutenção da taxa, mas três dirigentes do BC americano queriam aumentá-la em 0,25 ponto percentual

29/07/2026 15:53, atualizado 29/07/2026 16:05
Marc Hmeena/iStock/Getty Images Plus
Homem de gravata e roupa social empilhando peças com símbolos de porcentagem - Metrópoles

O Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês), do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), manteve, pela quinta vez seguida em 2026, a taxa de juros dos Estados Unidos no intervalo de 3,50% e 3,75%. A decisão, anunciada nesta quarta-feira (29/7), não foi unânime, porém.

O resultado final foi de 9 votos a favor da manutenção e 3 votos por uma alta de 0,25 ponto percentual da taxa, o que elevaria os juros de referência para entre 3,75% e 4,00%.

Receba no seu email as notícias de Boletim Metrópoles

Frequência de envio: Diário

Ver todas as newsletters

Na avaliação de André Valério, economista do Banco Inter, a decisão de manter os juros no atual patamar já era esperada pelo mercado, mas a dissidência foi grande. “Essa foi a primeira vez desde 2016 em que três membros do comitê divergem na mesma direção, mostrando a discordância crescente, com alguns integrantes cada vez mais preocupados com a dinâmica inflacionária”, diz.

Para Valério, a tendência é de uma alta em setembro, na próxima reunião do Fomc. “Com a incerteza do conflito no Oriente Médio e o preço do petróleo rondando os US$ 100, podemos ver a inflação não ceder o suficiente, o que poderia levar mais membros do comitê a votar por uma alta na próxima reunião”, afirma.

Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles

Menor otimismo

Para José Aureo, da Blue3 Investimentos, o Fed optou por aguardar novos dados, mas manteve aberta a possibilidade de elevar os juros caso a inflação volte a mostrar maior persistência, especialmente diante dos riscos relacionados à energia, às tarifas comerciais e à demanda ainda firme.

“Para os mercados, a manutenção evita um aperto imediato das condições financeiras, mas a divisão dentro do comitê tende a limitar um movimento mais consistente de otimismo”, diz o economista.

Paula Zogbi, estrategista-chefe da Nomad, observa que o comunicado divulgado pelo Fed foi praticamente idêntico ao da reunião anterior, em junho, “incluindo o trecho em que o comitê se compromete em entregar estabilidade de preços”. “As bolsas americanas se recuperavam das mínimas do dia após a decisão de manutenção, já que as expectativas estavam divididas, com probabilidade razoável de alta”, diz.

Comunicado sucinto

O comunicado emitido pelo Fomc justificando a decisão de manter os juros foi sucinto. O órgão do Fed ressaltou que a atividade econômica está se expandindo a um “ritmo sólido”, apesar da elevada incerteza que se deve, em parte, ao conflito no Oriente Médio.

“O crescimento da produtividade e o investimento de capital são fortes. A criação de empregos acompanhou o crescimento da força de trabalho e a taxa de desemprego apresentou pouca variação!”, acrescenta o texto. “A inflação permanece elevada em relação à meta de 2%, refletindo, em parte, choques de oferta que impulsionaram aumentos de preços em certos setores, incluindo o de energia.”