Fala de Bolsonaro sobre previdência gera instabilidade nos mercados
Proposta do presidente é considerada insuficiente por profissionais do ramo
atualizado
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Há cautela no mercado doméstico por conta da proposta do presidente Jair Bolsonaro para a reforma da Previdência. Em entrevista na última quinta-feira (3/1) noite ao SBT, Bolsonaro afirmou que a idade mínima para aposentadoria deverá ser de 62 anos para homens e 57 anos para mulheres, com período de transição.
O presidente também defendeu exigências diferentes para algumas categorias – porque “65 anos fica um pouco forte para algumas profissões” – e disse que caberia ao futuro presidente reavaliar a situação e analisar um possível novo aumento da idade mínima. A percepção de especialistas é de que há uma frustração por parte do mercado, que esperava uma proposta mais rígida.
Juros
Os juros futuros confirmaram a previsão de uma abertura em alta, puxada pela proposta considerada “tímida” por profissionais de mercado do presidente Jair Bolsonaro para a reforma da Previdência.
“Faz com que as taxas realizem parte do otimismo visto nos últimos dias”, diz um operador de renda fixa. O economista Silvio Campos Neto, da Tendências Consultoria Integrada, avalia que “Bolsonaro já indica uma proposta excessivamente tímida e insuficiente para reverter o temor com a situação fiscal” em texto publicado pela empresa.
Às 9h35, o DI para janeiro de 2021 tinha taxa de 7,27%, ante 7,22% no ajuste de ontem. O DI para janeiro de 2023 projetava 8,44%, de 8,39% ontem no ajuste.
Após dois dias de otimismo com o novo governo, o dólar abriu instável e alternava altas e baixas no início dessa manhã. Após abrir em leve queda, a moeda americana renovou sucessivas máximas frente ao real e virou para o terreno positivo, chegando a tocar os R$ 3,7683, em alta de 0,28%, para voltar novamente ao negativo.
Um exterior positivo, no entanto, favorável à tomada de risco, impede movimentos mais bruscos. Expectativas positivas com o encontro entre China e Estados Unidos na próximo semana e o corte no compulsório pelo Banco do Povo da China aumentam o apetite por risco nos mercados globais e aumentam a disposição dos investidores ao risco. A alta do petróleo também favorece os países exportadores da commodity e ajudam a segurar o real.
Há expectativa ainda com a divulgação do relatório de empregos (payroll) americano hoje, às 11h30, e discurso do presidente do Fed, Jerome Powell, em evento sobre política monetária às 13h15. Esses dois fatores devem delinear o comportamento da divisa globalmente.
O Ibovespa abriu em queda, contrariando a valorização generalizada das bolsas na Europa, dos índices acionários futuros de Nova York e do petróleo. A alta de mais de 2% da commodity na Nymex e na ICE foi incapaz de segurar a variação positiva das ações da Petrobras que, na abertura, subiram também refletindo reação favorável às diretrizes do novo presidente da estatal, Roberto Castello Branco, detalhadas ontem durante cerimônia de posse que encerrou-se após o fechamento do mercado. A ON da Vale abriu e segue em alta firme com as boas notícias da China, as mesmas que animam as bolsas europeias e os índices futuros de NY.
Às 10h27, o Ibovespa caía 0,59% aos 91.027 pontos. Na mínima intraday, caiu aos 90.952 pontos em baixa de 0,67%.
