Começa o governo de Jair Bolsonaro, o 38º presidente da República

Confira o perfil do chefe do Poder Executivo do Brasil, os fatos que o levaram ao Planalto e a composição do novo governo federal

atualizado 01/01/2019 12:42

Quando o capitão da reserva do Exército Brasileiro Jair Messias Bolsonaro, 63 anos, subir a rampa do Palácio do Planalto e receber das mãos do advogado Michel Temer a faixa presidencial, o Brasil ganhará o seu 38º presidente da República. Será a primeira vez que o país estará sob o comando de um homem egresso das fileiras militares desde a redemocratização, em 1985.

Conservador nos costumes e liberal na economia, Bolsonaro trará de volta valores enaltecidos pelos militares durante os quase 21 anos nos quais conduziram a vida dos brasileiros. Amor pela Pátria e por símbolos nacionais, princípios cristãos, proteção da propriedade privada e da família tradicional deverão permear a rotina da nova cúpula do governo federal.

A agenda social mantida nos 13 anos de gestões petistas, que priorizava populações tradicionalmente excluídas, dará lugar a um governo “para todos”, indistintamente, conforme o novo presidente anunciou durante sua diplomação, em 10 de dezembro, no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

A partir de 1º de janeiro, serei o presidente dos 210 milhões de brasileiros. Governarei em benefício de todos, sem distinção de origem social, raça, sexo, cor, idade ou religião

Jair Messias Bolsonaro

A trajetória política de Bolsonaro rumo à Presidência da República foi calcada em décadas de exercício de mandatos parlamentares. Primeiramente, a partir de 1988, exerceu por dois anos o cargo de vereador do Rio de Janeiro pelo extinto PDC. Depois, cumpriu sete mandatos consecutivos como deputado federal na Câmara dos Deputados – foram 28 anos, e nove partidos políticos, integrando o chamado baixo clero, ala numerosa, mas considerada de pouca expressão na cúpula do Legislativo federal.

Por vezes, tentou puxar o protagonismo para si, sem muito sucesso. Em fevereiro de 2017, quando concorreu à Presidência da Câmara, por exemplo, recebeu apenas 4 votos, o que mostrava sua pouca influência no Parlamento à época. No entanto, o resultado não parecia refletir sua aprovação crescente nas ruas do país.

Natural de Glicério (SP), o presidente sedimentou o próprio caminho rumo ao Palácio do Planalto com bandeiras de fortalecimento dos sistemas de segurança pública e de combate à corrupção, temas que nortearam seu discurso político.

A favor do ex-militar estava a derrocada do Partido dos Trabalhadores (PT) e seus principais líderes. Bolsonaro crescia aos olhos dos brasileiros, enquanto os representantes mais expressivos do PT e dos governos federais petistas definhavam à sombra dos escândalos do Mensalão e Petrolão, seguidos pelo impeachment, em 2016, da presidente Dilma Rousseff e, em 2018, pela prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Um movimento que também tirou forças da chamada esquerda política do país como um todo.

Sem Lula – seu principal opositor – na disputa eleitoral, abriu-se o caminho de Bolsonaro rumo ao Planalto, ancorado no discurso do fortalecimento dos sistemas de segurança pública e de combate à corrupção, além da defesa da família e propriedade, da justiça social e do crescimento econômico, com emprego e renda para todos, sem concessões ou benesses especiais a qualquer segmento social, sejam mulheres, indígenas, negros, LGBTs ou outras minorias.

O discurso de Bolsonaro, fortalecido digitalmente pelo filho Carlos (vereador da capital fluminense), parecia dar resultados. Ele soube igualmente explorar viagens, palestras e agendas populares para se consolidar entre os eleitores.

As mídias sociais on-line seguirão como o norte da comunicação do novo presidente da República. Boa parte do primeiro escalão foi anunciado por Bolsonaro via Twitter. O método lembra o formato adotado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump – de quem o brasileiro é fã declarado.

Apesar de se afastar da campanha nas ruas do país após sofrer um atentado à faca durante agenda em Juiz de Fora (MG), em 6 de setembro, o ex-paraquedista do Exército agradou tanto pelo conteúdo do discurso quanto pela forma direta de falar a 55.205.640 milhões de brasileiros que lhe conferiram 55,54% dos votos válidos nas últimas eleições presidenciais.

Confira imagens da campanha eleitoral e da trajetória de Bolsonaro rumo ao Planalto:


Guinada à direita

Do ponto de vista ideológico, a posse do capitão reformado Jair Bolsonaro na Presidência da República representa a chegada ao poder de grupos formados no polo direito da política brasileira. Minoritários desde a abertura política, os seguidores do novo ocupante do Palácio do Planalto resgatam o discurso do anticomunismo, predominante durante o regime militar.

Os novos titulares da Esplanada agregam, ainda, elementos contemporâneos, como a influência das igrejas neopentecostais e dos setores mais radicais do agronegócio. Nesses campos, comungam das mesmas bandeiras conservadoras nos costumes e no enfrentamento aos ambientalistas.

Desde o fim da ditadura, na economia, os presidentes empossados alternaram programas liberais e heterodoxos, em diferentes gradações. Também com variáveis níveis de prioridade, aplicaram políticas sociais compensatórias e tomaram medidas em defesa dos direitos humanos.

O governo Bolsonaro assume, inicialmente, com uma equipe liberal na economia. Responsável pelo comando dessa área, o ministro Paulo Guedes tem origem no mercado financeiro e demonstra disposição para implantar seus princípios. Nesse aspecto, sinaliza semelhanças com a linha adotada por Zélia Cardoso de Mello na administração do presidente Fernando Collor de Mello.

A mesma sintonia com o mercado se verificou no final do governo de Itamar Franco, nas gestões de Fernando Henrique Cardoso e no primeiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva. Na reta final dos oitos anos no Planalto, o petista adotou medidas anticíclicas para enfrentar a crise econômica internacional.

Lula deixou a marca de esquerda na potencialização de programas sociais. Dilma Rousseff aprofundou as ações anticíclicas até o final do primeiro mandato e sofreu impeachment quando tentava mudar de rumo. Em seu governo-tampão, de dois anos e sete meses, Michel Temer alinhou-se ao mercado na economia e segurou gastos na área social.

Primeiro presidente depois do regime militar, José Sarney convocou a Assembleia Nacional Constituinte. Elaborada sob o comando do deputado Ulysses Guimarães (do então PMDB-SP), a Constituição Cidadã deu ao Brasil um conjunto de leis modernas em relação ao meio ambiente e liberalizante nos costumes e quanto às práticas religiosas. Estabeleceu, também, cláusulas e rigorosas em relação à proteção dos direitos humanos. Essas cláusulas, agora, são contestadas pelos grupos que assumem o poder.

Com Bolsonaro, PSL sobe ao poder

RAFAEL CARVALHO/GOVERNO DE TRANSIÇÃO

Bancada federal do PSL se reúne com Bolsonaro na sede da transição, em Brasília


A chegada de Jair Bolsonaro ao Palácio do Planalto marca também o crescimento do Partido Social Liberal (PSL) no país. Até então nanica, a legenda – presidida pelo deputado federal eleito por Pernambuco, Luciano Bivar – foi a que mais surpreendeu nas eleições de outubro passado.

Passou de zero para três governadores: o pecuarista goiano Antonio Denarium, em Roraima, o comandante do Corpo de Bombeiros Carlos Moisés, em Santa Catarina, e o coronel da Polícia Militar de Rondônia, Marcos Rocha, venceram o pleito. Todos no segundo turno da votação.

Outros noves peesselistas que disputavam o comando de seus estados, no entanto, nem sequer foram para a rodada final das eleições: Josan Leite, em Alagoas; Cirilo Fernandes, no Amapá; Hélio Góis, no Ceará; Carlos Manato, no Espírito Santo; Maura Jorge, no Maranhão; Ogier Buchi, no Paraná – ele teve a candidatura negada pelo TRE-PR; Fábio Sérvio, no Piauí; João Tarantella, em Sergipe; e César Simoni, no Tocantins.

A sigla, que teve apenas um deputado federal eleito em 2014, conseguiu emplacar 52 parlamentares em 2018. No Senado, foram quatro nomes aprovados pelo voto popular, entre eles o de Flávio Bolsonaro, filho do presidente.

O crescimento exponencial da bancada fará com que o PSL receba neste ano R$ 110 milhões do fundo partidário, abastecido com verbas públicas. Valor 17 vezes maior que o embolsado pela sigla em 2017.

Esse aumento na bancada também trouxe mais problemas para administrar. Antes mesmo de tomar posse, os futuros parlamentares entraram em conflitos com nomes da legenda. Houve atrito entre a deputada eleita Joice Hasselmann e o senador eleito Major Olímpio (ambos por SP), e entre o deputado eleito Julian Lemos (PB) e o vereador carioca Carlos Bolsonaro, filho do presidente e que não pertence ao partido. O baixo número de ministérios concedidos ao partido e a preferência de Bolsonaro pelo DEM também causou ciúmes dentro do PSL.

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