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Ex-presidente da Petrobras diz que ignorou mensagens de Bolsonaro

“[Bolsonaro] chegou a me mandar mensagens e eu simplesmente não atendia”, revelou Castello Branco, ao Roda Viva

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Roberto Castello Branco
1 de 1 Roberto Castello Branco - Foto: Hugo Barreto / Metrópoles

O ex-presidente da Petrobras Roberto Castello Branco (foto em destaque) afirmou, na segunda-feira (28/3), que chegou a ignorar mensagens do presidente Jair Bolsonaro (PL).

Castello Branco foi demitido por Bolsonaro em 19 de fevereiro, via Facebook, em meio a sucessivos aumentos no preço dos combustíveis.

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Há quatro tributos que incidem sobre os combustíveis vendidos nos postos: três federais (Cide, PIS/Pasep e Cofins) e um estadual (ICMS)
No caso da gasolina, de acordo com dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), a composição do preço nos postos se dá por uma porcentagem em cima de cada tributo
O preço na bomba incorpora a carga tributária e a ação dos demais agentes do setor de comercialização, como importadores, distribuidores, revendedores e produtores de biocombustíveis
Além do lucro da Petrobras, o valor final depende das movimentações internacionais em relação ao custo do petróleo, e acaba sendo influenciado diretamente pela situação do real – se mais valorizado ou desvalorizado
A composição, então, se dá da seguinte forma: 27,9% – tributo estadual (ICMS); 11,6% – impostos federais (Cide, PIS/Pasep e Cofins); 32,9% – lucro da Petrobras; 15,9% – custo do etanol presente na mistura e 11,7% – distribuição e revenda do combustível
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O preço da gasolina tem uma explicação! Alguns índices são responsáveis pelo valor do litro de gasolina, que é repassado ao consumidor na hora de abastecer

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Há quatro tributos que incidem sobre os combustíveis vendidos nos postos: três federais (Cide, PIS/Pasep e Cofins) e um estadual (ICMS)

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No caso da gasolina, de acordo com dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), a composição do preço nos postos se dá por uma porcentagem em cima de cada tributo

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O preço na bomba incorpora a carga tributária e a ação dos demais agentes do setor de comercialização, como importadores, distribuidores, revendedores e produtores de biocombustíveis

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Além do lucro da Petrobras, o valor final depende das movimentações internacionais em relação ao custo do petróleo, e acaba sendo influenciado diretamente pela situação do real – se mais valorizado ou desvalorizado

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A composição, então, se dá da seguinte forma: 27,9% – tributo estadual (ICMS); 11,6% – impostos federais (Cide, PIS/Pasep e Cofins); 32,9% – lucro da Petrobras; 15,9% – custo do etanol presente na mistura e 11,7% – distribuição e revenda do combustível

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O disparo da moeda americana no câmbio, por exemplo, encarece o preço do combustível e pode ser considerado o principal vilão para o bolso do consumidor, uma vez que o Brasil importa petróleo e paga em dólar o valor do barril, que corresponde a mais de R$ 400 na conversão atual

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A alíquota do ICMS, que é estadual, varia de local para local, mas, em média, representa 78% da carga tributária sobre álcool e diesel, e 66% sobre gasolina, segundo estudos da Fecombustíveis

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“As pressões se fazem na forma de recados, através de mensagens, mas o melhor a fazer é o que se tem convicção de que está certo. Faça a coisa certa e não tenha medo”, afirmou o economista, em entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura.

“[O presidente Jair Bolsonaro] chegou a me mandar mensagens e eu simplesmente não atendia. Eu explicava e fornecia informações ao ministro Bento [Albuquerque, de Minas e Energia], porque os preços estavam subindo. Pronto”, prosseguiu.

Também na segunda-feira, Bolsonaro decidiu tirar o general Joaquim Silva e Luna, sucessor de Castello Branco, da presidência da empresa.

Em 10 de março, a Petrobras anunciou mega-aumento de até 24,9% no valor dos combustíveis.

“Infelizmente, isso é um fato comum na história da Petrobras. O mandato médio do presidente é inferior a dois anos, enquanto na iniciativa privada ficam entre cinco a 10 anos”, criticou Castello Branco, ao destacar que os últimos três presidentes da Petrobras (Pedro Parente, Castello Branco e general Silva e Luna) foram demitidos por circunstâncias políticas.

“Isso é muito ruim para a empresa. É um sinal muito ruim para a economia brasileira e para quem investe no Brasil. Não são interferências diretas, mas são pressões por interferências na determinação de preços de uma empresa que não é um órgão do governo”, acrescentou.

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