Economistas avaliam que inflação mais alta pode se disseminar

Avanço dos preços de energia elétrica, combustíveis e alimentos fez IPCA ter o maior resultado para o mês de maio desde 1996

atualizado 09/06/2021 19:43

Michael Melo/Metrópoles

No mês passado, a inflação deu mais um salto e preocupou o mercado financeiro. Diante da pressão pelo avanço dos preços de energia elétrica, combustíveis e alimentos, o Índice de Preços do Consumidor Amplo (IPCA), que regula a inflação no país, ficou em 0,83% em maio.

Esse foi o maior resultado para o mês desde 1996, de acordo com dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quarta-feira (9/6).

Economistas ouvidos pelo Metrópoles afirmam que há risco desse cenário se estender, o que torna a inflação mais longa e disseminada, podendo afetar o bolso do consumidor em diversos fatores.

As projeções da XP Investimentos para o IPCA indicavam um valor de 0,73%, mas o economista-chefe da empresa, Caio Megale, não se surpreendeu quando viu o registro de 0,83%.

“Já era esperada uma inflação salgada em maio. Normalmente maio não é um mês de alta inflação, mas outros índices já sinalizavam que no próximo mês viria um repasse forte”, afirmou. “A nossa previsão era 0,73% e veio 0,83%. Isso é algo que chama a atenção. Essa pressão toda veio do atacado”, completou.

Apesar de já ser esperado, para o economista-chefe da Indosuez, Vladimir Vale, essa alta preocupa. “É um patamar bastante elevado considerando as metas de inflação. Isso acaba deixando parte do mercado e o Banco Central (BC) numa posição desconfortável, estamos levando em conta o risco desse processo se estender”, disse ao Metrópoles. O centro da meta é 3,75% em 2021, podendo variar entre 2,25% e 5,25%.

De acordo com o especialista, conforme esses choques persistem, o BC é forçado a reagir para preservar a política monetária. Com o aumento da inflação, a instituição precisa elevar a taxa Selic, que regula os juros no país. A previsão é de que tenha uma alta de 5,75% até o fim de 2021. Na prática, isso significa mais juros para o consumidor. Na próxima quarta-feira (16/6), o Comitê de Política Monetária (Copom) anunciará a sua decisão sobre a Selic, atualmente em 3,5% ao ano.

No diagnóstico do economista-chefe da Infinity, Jason Vieira, essa medida que o BC pode vir a tomar não será suficiente para controlar a inflação.

“Há fatores temporários, mas que estão se tornando mais presentes do que o imaginado. Commodities, habitação e problemas climáticos… Como lidar com a política monetária nesse sentido? Não tem o que fazer”, afirmou.

“Não adianta subir os juros, porque isso não vai fazer cair o preço da energia. Mesma coisa com a comida. Ninguém vai comer menos porque os juros aumentaram”, explicou Vieira.

No último mês, as famílias gastaram mais com carnes e alimentação fora de casa. Também pesaram mais no bolso, medicamentos, plano de saúde e itens de vestuário.

A gasolina chegou a subir 2,87% em maio e acumulou alta de mais de 45% em 12 meses. Esse aumento e o da conta de luz representaram quase metade da inflação do mês. Por fim, houve também elevação nos preços do gás encanado, de botijão, veicular, etanol e óleo diesel.

De acordo com os especialistas, caso o programa de vacinação contra a Covid-19 não acelere, o próximo setor que sofrerá com a inflação será o de serviços.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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