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Economia

Dólar sobe e Bolsa tem 11ª queda seguida com aversão global ao risco

Moeda americana registrou alta de 0,32%, a R$ 5,22. Ibovespa, o principal índice da B3, fechou em baixa de 0,22%, aos 166,4 mil pontos

18/08/2026 17:05, atualizado 18/08/2026 17:09
Jackal Pan/Getty Images
Imagem de notas de dólar dos EUA - Metrópoles

O dólar registrou alta de 0,40% sobre o real, cotado a R$ 5,22, nesta terça-feira (18/8). O Ibovespa fechou em baixa de 0,22%, aos 166,4 mil pontos. Essa foi a décima primeira queda seguida do principal índice da Bolsa brasileira (B3).

Os mercados de câmbio e ações refletiram, em grande medida, um comportamento de aversão ao risco. Com isso, a maioria das bolsas de Wall Street e europeias recuou durante o pregão.

O índice DXY, que mede a força do dólar frente a uma cesta de seis moedas fortes (como o euro, o iene e a libra esterlina), registrou leve aumento de 0,09%, aos 99,66 pontos.

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Os investidores continuam atentos aos desdobramentos da guerra no Oriente Médio. As notícias vindas do front indicam chances diminutas de um acordo entre Estados Unidos e Irã. Teerã, por exemplo, voltou a afirmar que o Estreito de Ormuz, por onde circula um quinto da produção mundial de petróleo, seguirá fechado.

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Alta do petróleo

Com isso, o preço da commodity voltou a subir, embora a alta tenha sido moderada. O barril do tipo Brent, a referência internacional, avançou 0,17%, a US$ 91,02. O tipo West Texas Intermediate (WTI), que baliza o comércio nos Estados Unidos, aumentou 0,52%, a US$ 84,94.

Juros nos EUA

Houve ainda uma fonte de alívio no cenário internacional. Dados divulgados pelo Federal Reserve (Fed, o banco central americano) mostraram que a produção industrial dos Estados Unidos subiu pouco menos do que o esperado. A elevação foi de 0,2% em julho sobre junho, ante expectativa de alta de 0,3%.

As informações das últimas semanas indicam uma desaceleração da economia americana. Houve perdas de empregos e a inflação, se não cai, não sobe de forma acentuada.

Nesse cenário, avaliam os investidores, diminuem as possibilidades de um aumento dos juros nos Estados Unidos na próxima reunião do Fed, em setembro. A alta da taxa americana afeta toda a economia global.

Aumenta, por exemplo, o interesse dos investidores por aportes em títulos da dívida, os Treasuries, em detrimento de ativos de renda variável, como as ações negociadas em bolsas de valores. Também tende a provocar uma valorização global do dólar.

Turbulências

Apesar da cautela, os mercados de câmbio e ações no Brasil parecem se afastar nesta terça-feira da última grande fonte de turbulências, disparada na semana passada. Ela ocorreu com a veiculação de uma análise do JPMorgan, na terça-feira (11/8).

Na ocasião, o banco americano rebaixou a recomendação de investimentos no Brasil de “overweight” (equivalente a “compra”) para neutra. A avaliação, grosso modo, partiu do pressuposto de que a corrida eleitoral acentuará a volatilidade dos ativos no país.

Houve, na sequência, uma fuga de investimentos estrangeiros na B3. Em agosto, o saldo desses aportes está negativo em R$ 15,6 bilhões, o pior número desde 2022.

Análises

João Vitor Saccardo, responsável pela mesa de renda variável da Convexa, observa que o mercado segue avaliando as “incertezas provocadas pelo conflito no Oriente Médio”. “Diante desse cenário, a curva de juros local sobe, com maior abertura nas pontas mais longas”, diz. “No Ibovespa, os bancos, em geral, recuaram, assim como os setores mais ligados à economia doméstica. Vale e Petrobras operaram em leve alta.”

Para Emerson Junior, responsável pela mesa de câmbio da corretora, diferentemente dos pregões anteriores, a moeda brasileira desta vez “caminhou ao lado de pares emergentes”. “O índice DXY operou próximo da estabilidade no cenário internacional”, afirma. “O movimento refletiu a cautela contínua dos investidores diante das incertezas fiscais domésticas e do compasso de espera nos mercados globais.”