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Após a recente reversão do cenário externo, com a valorização do dólar em relação a diversas moedas de países emergentes – como o Brasil –, os membros do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) decidiram, por unanimidade, manter a taxa básica de juros (Selic) em 6,50% ao ano. A decisão, anunciada na noite dessa quarta-feira (16/5) pela instituição, gerou diversas reações do mercado financeiro.

A expectativa era que a entidade cortasse em 0,25% a taxa básica, dando fim ao ciclo de queda iniciado em 2016. Mas o aumento de risco econômico da medida levou o Banco Central a antecipar os planos, mantendo o mesmo índice vigente.

“Considerando o cenário básico, o balanço de riscos e o amplo conjunto de informações disponíveis, o Copom decidiu, por unanimidade, pela manutenção da taxa básica de juros em 6,50% a.a [ao ano]”, escreveu o Banco Central, em nota divulgada nesta tarde. “O Comitê entende que essa decisão reflete a mudança recente no balanço de riscos para a inflação prospectiva e é compatível com a convergência da inflação para a meta no horizonte relevante para a condução da política monetária, que inclui os anos-calendário de 2018 e, em maior grau, de 2019”, acrescentou.

Segundo o BC, “o Comitê enfatiza que o processo de reformas e ajustes necessários na economia brasileira contribui para a queda da taxa de juros estrutural. As estimativas dessa taxa serão continuamente reavaliadas”.

Prudência
O Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) avaliou como prudente a decisão tomada pelo Copom. De acordo com a instituição, o anúncio interrompe o ciclo de 12 quedas consecutivas da taxa básica de juros da economia brasileira.

De acordo com a Confederação Nacional da Indústria (CNI), a manutenção dos juros em 6,5% ao ano reflete, provavelmente, as preocupações do BC com os impactos da recente desvalorização do real frente ao dólar. Para a indústria, a inflação baixa e o ritmo muito lento de recuperação da economia permitiriam um novo corte na taxa Selic.

Decisão
Na nota divulgada nessa quarta(16), o Banco Central afirmou que o cenário externo tornou-se mais desafiador e apresentou volatilidade. A evolução dos riscos, em grande parte associados à normalização das taxas de juros em algumas economias avançadas, produziu ajustes nos mercados financeiros internacionais. Como resultado, houve redução do apetite ao risco em relação a economias emergentes.

O Comitê julga que o comportamento da inflação permanece favorável, com diversas medidas de inflação subjacente em níveis ainda baixos, inclusive os componentes mais sensíveis ao ciclo econômico e à política monetária, concluiu o BC.