Conheça as refinarias que serão vendidas pela Petrobras

Processo de venda foi dividido em duas fases e está previsto para terminar em 2021

Michael Melo/MetrópolesMichael Melo/Metrópoles

atualizado 28/06/2019 12:18

A Petrobras anunciou na manhã desta sexta-feira (28/06/2019), as refinarias selecionadas para serem vendidas à iniciativa privada, em um processo dividido em duas fases e previsto para terminar em 2021. O desinvestimento reduzirá o parque de refino da estatal pela metade, com menos 1,1 milhão de barris diários de capacidade. Estão no pacote também ativos logísticos, que serão repassados aos novos donos. O prazo para demonstrar interesse pelos ativos vai até 16 de agosto.

Veja a seguir as características das refinarias na primeira fase da venda:

Refinaria Abreu e Lima (RNEST, Pernambuco)
As operações foram iniciadas em 2014, nesta que é a primeira refinaria construída pela estatal após 34 anos. Cercada de muita polêmica e incluída nas investigações da Operação Lava Jato, o projeto foi inicialmente planejado para ser uma parceria com a venezuelana PDVSA, o que não chegou a ser concretizado. Está localizada no Porto de Suape, a 45 quilômetros de Recife, em Pernambuco. Atualmente, processa 230 mil barris diários de petróleo, no primeiro de dois trens de processamento planejados, com produção focada em diesel (70%).

A refinaria foi projetada para produzir diesel com baixo teor de enxofre, o Diesel S-10 (concentração de 10 partes por milhão de enxofre). Produz ainda nafta, óleo combustível, coque e GLP (Gás liquefeito de petróleo). A Rnest será vendida junto com um gasoduto de 101 quilômetros ligado ao Terminal de Suape.

Refinaria Landulpho Alves (RLAM, Bahia)
Primeira refinaria brasileira, a Rlam foi criada em 1950 no Recôncavo Baiano e produz 31 produtos em 26 unidades de processamento, com capacidade total de 333 mil barris diários. Ao todo, são 201 tanques e 18 esferas de armazenamento numa área de 6,5 km². Os principais produtos da unidade são o diesel, gasolina, querosene de Aviação (QAV), asfalto, nafta petroquímica, gases petroquímicos (propano, propeno e butano), parafinas, lubrificantes, GLP e óleos combustíveis (industriais, térmicas e bunker).

Atende estados da região Nordeste, exporta para Estados Unidos, Argentina e alguns países da Europa. Além da refinaria, estão no pacote 669 quilômetros de gasodutos e quatro terminais na Bahia (Candeias, Itabuna, Jequié e Madre de Deus).

Refinaria Presidente Getúlio Vargas (REPAR, Paraná)
Começou a operar em 1977, em Araucária, no Paraná, e tem capacidade de processar 208 mil b/d, ou 12% da produção nacional, em uma área que ocupa 10 milhões de metros quadrados. Os principais produtos são diesel, gasolina, GLP, coque, asfalto, óleos combustíveis, QAV, propeno e óleos marítimos. Junto com a refinaria, serão vendidos 476 quilômetros de oleodutos longos: OPASC, ligando a Repar aos Terminais de Guaramirim, Itajaí e Biguaçu; OLAPA, ligando a unidade ao Terminal de Paranaguá; OSPAR, ligando a refinaria ao Terminal São Francisco do Sul.

Também serão vendidos cinco terminais: Paranaguá (Paraná), São Francisco do Sul (Santa Catarina), Guaramirim (Santa Catarina), Itajaí (Santa Catarina), e Biguaçu (Santa Catarina). A unidade tem ainda uma interligação, desde 2012, com a fábrica de fertilizantes de Araucária (PR), para a qual fornece resíduo asfáltico, óleos combustíveis e utilidades.

Refinaria Alberto Pasqualini (REFAP, Rio Grande do Sul)
Em Canoas, no Rio Grande do Sul, a Refap começou a operar em 1968 e ocupa área de 5,8 km², com capacidade para processar 208 mil b/d. Entre os principais produtos estão: Diesel, gasolina, GLP, óleo combustível, querosene de aviação, solventes (hexano, aguarrás e petrosolve), asfalto, coque, enxofre e propeno. Atende principalmente ao mercado regional, com foco na maximização da produção de óleo diesel. Além da refinaria, serão vendidos 260 quilômetros de oleodutos e dois terminais no Rio Grande do Sul: Niterói e Tramandaí. Em 2000, a Petrobrás vendeu 30% de participação na Refap para a espanhola Repsol, sociedade desfeita em 2010.

SEGUNDA FASE DA VENDA

Refinaria Isaac Sabbá (REMAN, AM)
Inaugurada em 1957 com o nome do seu fundador, a unidade foi incorporada à Petrobrás em 1974. A Reman fica à margem esquerda do Rio Negro, em Manaus, no Amazonas, e tem capacidade de processar 46 mil b/d,. Seus principais produtos são GLP, nafta petroquímica, gasolina, querosene de aviação, óleo diesel, óleos combustíveis, óleo leve para turbina elétrica, óleo para geração de energia, asfalto. Possui uma termelétrica com capacidade para atender uma cidade de 35 mil habitantes, ou 5,8 megawatts. A unidade está interligada a três portos de recebimento e entrega de derivados geridos pela Transpetro.

Lubrificantes e Derivados de Petróleo do Nordeste (Lubnor)
Apesar da pouca capacidade de processamento, de 8 mil b/d, a Lubnor é uma das líderes nacionais em produção de asfalto (13% do mercado) e a única no país a produzir lubrificantes naftênicos, um produto próprio para usos nobres, tais como: isolante térmico para transformadores de alta voltagem, amortecedores para veículos e equipamentos pneumáticos. Inaugurada em 1996, a Lubnor produz 235 mil toneladas/ano de asfaltos e 73 mil metros cúbicos por ano de lubrificantes naftênicos.

Todo o petróleo processado pela Lubnor é do tipo ultra pesado: 85% provenientes do Espírito Santo e o restante, 15%, do Ceará. Do total processado, 62% do volume é destinado à produção de asfalto, abastecendo todos os estados do Nordeste, e cerca de 16% são empregados na obtenção de lubrificantes naftênicos. A refinaria utiliza duas estruturas portuárias: o Porto do Mucuripe, em Fortaleza, e o Terminal de Pecém, em São Gonçalo do Amarante. Fica em Murcuripe, em uma área de 218 mil m2.

Refinaria Gabriel Passos (REGAP, MG)
Localizada em Betim, região metropolitana de Belo Horizonte, a Regap começou a operar em 1968 e é interligada aos dutos Orbel I, Orbel II, ao Gasoduto Betim (Gasbel). Também há o gasoduto Gasbel 2, que não é ligado à Regap, mas traz gás para Minas Gerais. Tem capacidade para 150 mil b/d e os principais produtos processados são: Gasolina A, diesel, combustível marítimo (bunker), querosone de aviação (QAV), gás liquefeito de petróleo (GLP), asfaltos, coque verde de petróleo, óleo combustível, enxofre e aguarrás. A refinaria possui uma área total de 12.800.000 m² e sua área industrial é de 2.305.515 m². Possui, ainda, uma reserva ecológica com 50.000 m².

Unidade de Industrialização do Xisto (SIX, no Paraná)
Localizada em São Mateus, no Paraná, em cima de uma das maiores reservas de xisto ou folhelho do mundo, tem capacidade de processamento de 5.880 toneladas por dia. O xisto ou folhelho pirobetuminoso é uma rocha sedimentar, com conteúdo de matéria orgânica na forma de querogênio, que somente por aquecimento (pirólise) pode ser convertido em óleo e gás. A refinaria produz óleos combustíveis, GLP, gás combustível, nafta, enxofre e insumos para pavimentação que são utilizados pelos mais diversos segmentos industriais, tais como cerâmica, refinaria de petróleo, cimenteira, usinas de açúcar e agricultura.

No ramo de fertilizantes, a SIX produz a água de Xisto, que é um insumo para a formulação de fertilizantes. A SIX funciona também como um centro avançado de pesquisa na área de refino, onde são desenvolvidos projetos em conjunto com o centro de pesquisa da Petrobrás, o Cenpes, e universidades. O parque tecnológico da SIX é o maior da América Latina e um dos maiores do mundo em plantas-piloto, composto por 15 unidades criadas para atender as necessidades dos variados processos de refino.

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