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A Confederação Nacional da Indústria (CNI) apresentou, nesta segunda-feira (5/3), o Mapa Estratégico da Indústria 2018-2022, com uma agenda do setor para o próximo governo. Construído com a participação de líderes empresariais, o documento orientará os debates e as propostas que eles entregarão aos candidatos às eleições deste ano.

O mapa aponta os 11 fatores-chave, as ações e os objetivos capazes de aumentar a competitividade e promover o crescimento sustentado da economia até 2022, quando se encerrará o mandato do próximo presidente da República.

Segundo a CNI, para superar a pior crise da história e voltar a crescer de forma sustentada, é preciso atuar em duas frentes. Uma é a superação rápida das deficiências que aumentam os custos de produção e comprometem a produtividade. A outra é o desenvolvimento de competências para construir o futuro. Isso exige iniciativas como o aumento da capacidade de inovação das empresas, a inserção na indústria 4.0 e a participação na economia de baixo carbono.

“Fazer mais do mesmo não reverterá, com a intensidade necessária, a trajetória percorrida nos últimos anos. Com um trabalho contínuo e persistente de reformas econômicas e institucionais, é possível recuperar e alcançar patamares mais elevados de produtividade e competitividade”, afirma o presidente da CNI, Robson Braga de Andrade.

Simulações feitas pela CNI mostram que, com a implementação das ações propostas no mapa, o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro – medido pela paridade de poder de compra – crescerá 4% ao ano, em média, a partir de 2023. Caso esse cenário se confirme, o PIB per capita aumentará 3,5%, em média, também a partir de 2023, com a população crescendo a uma taxa de 0,5% ao ano. Dessa forma, o PIB per capita do Brasil atingiria US$ 50 mil em 2054, o mesmo patamar da renda dos Estados Unidos, da Holanda e da Suíça em 2016.

O mapa alerta que a recuperação da capacidade de competir nos mercados globais e a volta do crescimento sustentado dependem do aumento da produtividade. Dados do Fórum Econômico Mundial mostram que o Brasil vem caindo no ranking global de competitividade. Em 2013, ocupava a 48ª posição entre 144 países analisados. Em 2017, foi para 80º entre 137 nações. “A perda da competitividade nacional compromete o crescimento econômico e a geração de emprego e renda”, destaca o documento da CNI.

O estudo aponta que, de 2006 a 2016, a produtividade brasileira cresceu menos do que a dos 10 principais parceiros comerciais do país. Nesse período, a produtividade no trabalho da indústria do Brasil aumentou 5,5%, enquanto a dos Estados Unidos subiu 16,2%, e a da Argentina, 11,2%. Em 2017, a produtividade brasileira teve incremento de 4,5% em relação a 2016. Mas, como alerta a CNI, é preciso avançar ainda mais para compensar o baixo desempenho dos anos anteriores.

Competitividade sustentável
Diante desse cenário, a edição 2018-2022 do Mapa Estratégico da Indústria traz os 11 fatores-chave para o Brasil ganhar competitividade de forma sustentável. São eles: segurança jurídica; ambiente macroeconômico; eficiência do Estado; governança e desburocratização; educação; financiamento; recursos naturais e meio ambiente; tributação; relações do trabalho; infraestrutura; política industrial, de inovação e de comércio exterior; produtividade e inovação na empresa.

Os fatores-chave são desdobrados em 38 temas prioritários e 60 objetivos com as respectivas metas e seus indicadores. No fator-chave segurança jurídica, por exemplo, um dos objetivos é dar maior qualidade, previsibilidade e qualidade das normas.

Os problemas derivados da insegurança em leis e regulações no ambiente de negócios se exacerbaram. Esses problemas, somados à relação superposta e, por vezes, conflituosa entre Poderes e entre Poderes/órgãos de controle, criaram uma segunda geração do Custo Brasil, com impacto sobre a produtividade"
Mapa Estratégico da Indústria 2018-2022

Os temas saúde e segurança pública foram incluídos como prioridade no fator-chave Eficiência do Estado, Governança e Desburocratização. “O quadro atual do sistema de saúde brasileiro e da segurança pública, além de resultar em baixa qualidade de vida para a população, afeta negativamente a competitividade da indústria em razão da queda da produtividade do trabalho e do aumento de custos”, diz a publicação.

Ganharam destaques na nova edição do Mapa a Indústria 4.0 e a economia digital. Também foram enfatizadas as questões relacionadas ao uso eficiente dos recursos naturais e à conservação do meio ambiente, à política industrial, de inovação e comércio exterior, à educação e à produtividade e inovação dentro da empresas.

A primeira versão do Mapa Estratégico da Indústria, que abrangia o período 2007-2015, foi lançada em abril de 2005. Entre as 18 metas estabelecidas para 2015, estavam o crescimento de 7% para o Produto Interno Bruto (PIB), a expansão de 6% na produtividade industrial e a redução dos juros reais para 4% ao ano. O acompanhamento dos indicadores mostrou que, de 2007 a 2013, o Brasil reduziu as desigualdades sociais e avançou na inclusão digital da população. Mas não conseguiu fazer os investimentos necessários em saneamento, transportes e energia, ampliar as exportações e aumentar o ritmo de expansão da produtividade industrial e o crescimento da economia.

Em maio de 2013, a CNI apresentou a segunda edição do mapa, desta vez para o período 2012-2022, com 10 fatores-chave. O acompanhamento dos indicadores mostrou a deterioração da economia brasileira. Com a queda da atividade, dos investimentos e do emprego, e o aumento da inflação e dos juros registrados a partir de 2014, o país ficou muito distante dos objetivos traçados.