Clubes de assinatura crescem 18%; bebidas alcoólicas são destaque

O dado de 2021 coincide com a intensificação do uso abusivo de álcool durante a pandemia. A venda on-line de bebidas subiu 93,9% no período

atualizado

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Lojinha Uai/Reprodução
Cachaça
1 de 1 Cachaça - Foto: Lojinha Uai/Reprodução

A pandemia da Covid-19 obrigou comerciantes a se reinventarem, o que ajudou a impulsionar a cultura dos clubes de assinatura no Brasil. O faturamento desse modelo de negócio registrou crescimento de 18% entre janeiro e setembro de 2021, chegando a bater R$ 1 bilhão.

No período, aproximadamente dois mil novos clubes foram lançados, com uma média de 605 novos assinantes por dia. É o que mostram os dados divulgados pela empresa de tecnologia e e-commerce, Betalabs.

“O resultado reforça a tendência de crescimento oriundo do maior volume de negócios pela internet e pela mudança no comportamento do consumidor, que passou a demandar maior conveniência e a gastar mais com autocuidado, bem-estar e entretenimento”, avalia Luan Gabellini, sócio-diretor da Betalabs.

Dentre os diversos segmentos, um destacou-se durante o isolamento provocado pela doença: os clubes especializados em bebidas alcoólicas. Essa categoria ocupa a segunda posição na preferência do consumidor (19% do total de clubes de assinatura), perdendo apenas para os livros (26%).

O dado coincide com a intensificação do uso abusivo de álcool durante a pandemia. Segundo uma pesquisa realizada pela Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), a venda on-line de bebidas alcoólicas subiu 93,9%, com 248,9 mil compras realizadas de 24 de fevereiro a 3 de maio deste ano. Os números foram comparados aos de 2019.

Além de comprarem mais, os consumidores também estão gastando valores mais elevados por pedido. O tíquete médio analisado pela companhia é de R$ 310,70, com crescimento real (acima da inflação) de 4,3% em relação ao mesmo período do ano anterior. O custo-benefício faz com que muitos consumidores migrem para os clubes de assinatura.

Ao observar esse movimento, Rafael Araújo, criador do ClubeCN, decidiu largar sua carreira na área de direito e se juntar ao empreendedor Marcos Paolinelli para criar o que ficaria conhecida como a maior loja de cachaças on-line do mundo, a Cachaçaria Nacional.

Cinco anos depois, ele percebeu que os clubes de assinatura estavam ganhando espaço no Brasil – graças aos vídeos compartilhados nas mídias sociais mostrando as embalagens sendo abertas, popularmente conhecidos como “unboxing”. Foi uma novidade na época e, contrariando muitos, não foi algo passageiro, tanto que hoje os clubes registraram crescimento, mesmo em um período pandêmico”, afirma Araújo.

Atualmente, o clube de cachaças possui mais de 1.200 membros. A expectativa é que a Cachaçaria Nacional e o ClubeCN encerrem o ano de 2021 com faturamento de R$ 8 milhões e 70% de crescimento em comparação ao ano de 2020.

Regiões e e-commerce

Grande parte dos clubes de assinatura encontram-se na região Sudeste. Três em cada dez (32%) estão em São Paulo. Rio de Janeiro e Minas Gerais detêm 12% e 9%, respectivamente. Na sequência, aparecem Rio Grande do Sul (9%), Paraná (9%), Santa Catarina (5%), Distrito Federal (4%), Pernambuco (3%), Bahia (2%) e Goiás (1%), e os demais estados totalizam, somados, 14%.

Diante da disparada desse modelo de negócio em todos os cantos do Brasil, um levantamento feito pelo Ebit Nielsen aponta, ainda, que 95% dos brasileiros afirmam que pretendem continuar comprando on-line mesmo após o fim da pandemia.  A estimativa é de que o e-commerce brasileiro cresça 26% até o fim deste ano.

Para João Drummond, CEO e fundador da Crawly, startup de desenvolvimento de robôs inteligentes para busca e coleta de dados, esse é um caminho sem volta.

“Para além dos preços, com uma análise mais aprofundada sobre informações a respeito de produtos e vendedores (onde estão, quantos são e como estão sendo apresentados na internet), as empresas podem elaborar estratégias complexas de precificação, gestão de estoque e logística e de marketing de produtos, com foco em se tornarem mais atraentes aos consumidores que seus concorrentes”, conclui o CEO.

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