Um de ambiente externo benigno para ativos de risco e a expectativa de fluxo mais forte de recursos para o Brasil ao longo dos próximos meses, desencadeada pelo resultado do leilão de aeroportos, guiaram os negócios no mercado de câmbio doméstico nesta sexta-feira (15/3). Afora uma alta pela manhã, atribuída por operadores à saída pontual de investidores estrangeiros, o dólar operou pela maior parte da sessão desta sexta-feira em terreno negativo.

Com máxima de R$ 3,8722 e mínima de R$ 3,8080, a moeda americana fechou cotada a R$ 3,8206, em queda de 0,74%. O fortalecimento do real em quatro dos últimos cinco pregões fez com que o dólar encerrasse esta semana com perdas de 1,28%. No acumulado do mês, contudo, a moeda americana ainda acumula ganho de 1,79%.

Notícias de que houve avanço nas negociações comerciais entre Estados Unidos e China, escudadas pela expectativa de que o Federal Reserve reitere, em seu encontro na próxima semana, que será paciente na condução da política monetária, minaram o dólar no mercado externo nesta sexta-feira. O DYX, que mede o desempenho do dólar em relação a outras moedas fortes, caiu 0,19%. A moeda americana também perdeu força em relação a divisas de emergentes, como o peso mexicano e a rand sul-africano.

Ao enfraquecimento global do dólar somou-se o otimismo com a possibilidade de entrada de recursos externos em operações de concessões e privatizações conduzidas pelo governo Jair Bolsonaro. O governo federal arrecadou à vista R$ 2,377 bilhões (dos quais R$ 2,158 bilhões de ágio) na concessão de 12 aeroportos em leilão realizado nesta sexta-feira, com participação de empresa espanhola Aena e da suíça Zurich.

Em evento na FGV no Rio, o ministro da Economia, Paulo Guedes, voltou a reiterar a disposição do governo em tocar um amplo processo de privatização, que poderia arrecadar, ao lado de venda de imóveis da União, R$ 1,2 trilhão.

Segundo Reginaldo Galhardo, gerente de câmbio da Treviso Corretora, o resultado do leilão de aeroportos trouxe a percepção de que estrangeiros estão dispostos a trazer recursos para o país para investimentos em longo prazo. “O mercado não teve como sustentar uma posição comprada em dólar hoje (sexta) com essa expectativa de entrada de recursos com concessões e privatizações”, disse.

Galhardo ressalta, contudo, que o receio com notícias que demonstram dificuldades de o governo emplacar uma reforma da Previdência robusta, que garanta economia na casa de R$ 1 trilhão, impede que investidores adotem uma aposta mais forte na queda da moeda americana.

Após a instalação nesta semana da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), o mercado aguarda o detalhes sobre a proposta de mudança para as aposentadorias dos militares. O texto apresentado ao Ministério da Economia inclui uma reestruturação da carreira militar que implicaria custo extra em torno de R$ 10 bilhões nos primeiros dez anos. Operadores afirmam que essa informação trouxe certo desconforto, embora tenha sido incapaz de tirar a força do real.