Brasil é 35º em ranking de 56 países sobre custo da cesta básica

Custos com a alimentação básica do brasileiro equivalem a 33,7% do salário mínimo, segundo levantamento da plataforma internacional Picodi

atualizado 12/02/2021 7:37

Dinheiro moedaHugo Barreto/Metrópoles

O Brasil figura entre os países onde é preciso gastar pelo menos um terço do salário mínimo para comprar a cesta básica de alimentos. Isso é o que mostra levantamento realizado pela plataforma global de e-commerce Picodi, com base nos pisos nacionais de 2021 de 56 nações.

A alimentação básica do brasileiro em 2021 representa cerca de 33,7% da remuneração mínima líquida, que equivale a R$ 1.012 por mês.

A remuneração líquida é o dinheiro que um funcionário leva para casa após todas as deduções, como, no caso do Brasil, FGTS e INSS.

No ranking elaborado pelo site Picodi, presente em 44 países, o Brasil está na 35ª colocação, atrás de nomes como Argentina, Montenegro, Chile, Taiwan e Colômbia.

As três primeiras colocações são da Grã-Bretanha, Austrália e Irlanda, respectivamente. Nesses países, a cesta básica vale menos de 8% do mínimo.

Na outra ponta da tabela, Nigéria e Uzbequistão têm salários mínimos que não cobrem o necessário. A alimentação básica equivale a 131% do piso no país africano. Veja o ranking:

A cesta básica usada no levantamento, contudo, é universal, composta de oito itens: pão, leite, ovos, arroz, queijo, carne, frutas e vegetais.

O preço total dos alimentos básicos aumentou de R$ 304,27, em 2020, para R$ 341,12, em 2021, o que representa uma alta de 12,1%.

“Os preços dos produtos vêm do site numbeo.com, no qual os dados são coletados por usuários da internet de todo o mundo”, explicou o Picodi.

O economista Clovis Scheres, supervisor do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), avalia que a situação do Brasil, na realidade, é mais grave ainda.

Ele ressalta a necessidade de levar em consideração itens específicos nos pratos do brasileiro, como feijão, óleo de soja e açúcar.

Pesquisa realizada pelo Dieese em 17 capitais aponta que, em janeiro, a cesta básica do brasileiro custou R$ 558,86.

Em algumas cidades, como São Paulo, Florianópolis, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Vitória e Brasília, a alimentação básica chega a custar mais de R$ 600.

Na prática, isso significa que o tempo médio necessário para adquirir os produtos da cesta, em janeiro, foi de 111 horas e 46 minutos.

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“Para uma pessoa, a gente acha que pouco mais da metade de um salário mínimo serve. Para uma família de um casal e dois filhos, seria basicamente três vezes disso”, diz Scheres.

“Então, um salário mínimo não dá condição para uma família comprar e consumir os produtos básicos, por isso, a realidade é muito mais preocupante no Brasil”, complementa.

Com base na cesta mais cara (de São Paulo), o Dieese estima que o salário mínimo necessário deveria ser de R$ 5.495,52, o que corresponde a cinco vezes o mínimo já reajustado, de R$ 1.100.

O cálculo é feito levando em consideração uma família de quatro pessoas, com dois adultos e duas crianças.

Metodologia e fonte de dados

No relatório, explica a plataforma, os salários mínimos mais recentes em 2021 foram comparados com as remunerações mínimas aplicáveis ​​para 2020. As taxas de salário mínimo vêm dos sites oficiais do governo. Foram omitidos países onde o rendimento mínimo é negociado com sindicatos e aqueles onde não existe um valor mínimo nacional.

Quanto aos países onde se aplicam diferentes taxas de salário mínimo para várias unidades administrativas (Canadá, Filipinas, Tailândia, Vietnã), foi calculado o valor médio de todos os rendimentos líquidos. Os salários líquidos foram determinados com calculadoras de impostos locais.

O exemplo de cesta básica analisado na pesquisa foi criado apenas para fins estatísticos. Os valores indicados no relatório foram calculados com base nas recomendações de alguns ministérios da Saúde em relação às necessidades nutricionais mínimas. Os preços dos produtos vêm de numbeo.com, em que os dados são coletados por usuários da internet de todo o mundo.

Para a conversão para moedas locais, usou-se as taxas médias do Google Finance no quarto trimestre de 2020.

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