Brasil atraiu R$ 1,39 bilhão estrangeiro por dia em março para a Bolsa

Apenas nos três primeiros meses de 2022, foram movimentados R$ 92 bilhões, o que já corresponde a 96% do acumulado em 2021

atualizado 31/03/2022 9:49

bolsa de valoresInternet/Reprodução

Apenas em março, o Brasil atraiu, em média, R$ 1,39 bilhão por dia para a Bolsa de dinheiro estrangeiro, apesar dos riscos domésticos, como as eleições, por exemplo. Um dos principais tipos de ativos que atraem o capital de fora são as commodities, cujos preços dispararam após o início do conflito entre a Rússia e a Ucrânia.

Apenas nos três primeiros meses de 2022, foram movimentados R$ 92 bilhões, 96% dos R$ 104,2 bilhões acumulados em 2021. Em março deste ano, foram R$ 26,4 bilhões.

Grandes fundos globais sozinhos direcionaram US$ 7,7 bilhões em três meses, até o dia 28/3. Foi o que indicou um levantamento feito pela consultoria americana EPFR encomentado pelo jornal O Estado de S. Paulo.

Segundo esse levantamento, o aumento da aplicação de dinheiro estrangeiro ocorreu em diversos outros países emergentes, mas o Brasil se destacou pelo tamanho e pela preferência pelas commodities, dizem profissionais de mercado ouvidos pelo jornal.

“Não é que o investidor estrangeiro esteja extremamente otimista com o Brasil, mas está animado em relação a outras opções do mercado”, disse o estrategista-chefe da XP Investimentos ao Estadão.

Fatores

Para os especialistas, a entrada de capital mantém o dólar abaixo de R$ 5 amortece choques externos sobre a economia e contém pressões inflacionárias. Segundo eles, são diversos os fatores que explicam os aportes estrangeiros no Brasil. Um deles foi o movimento de correção de desempenho do mercado brasileiro em relação aos outros emergentes.

Com a pandemia, ações caíram por esses países e o dólar subiu. No segundo semestre de 2020, porém, os países começaram a se recuperar, movimento que perdurou em 2021. O Brasil ficou de fora dessa tendência. com isso, os ativos brasileiros se tornaram mais baratos, no fim das contas, explica Cassiana Fernandez, economista-chefe para o Brasil do banco de investimentos JPMorgan.

Outro fator foi a melhora das contas do governo e a agilidade do Banco Central em aumentar os juros, lembra o pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV/Ibre), Armando Castelar. Outros países também estão com juros altos, mas o Brasil se destaca por estar ainda mais acima. Isso atrai investimentos em ativos de dívida, por exemplo.

Além disso, a melhora das contas públicas reduz o risco-país, indicador que aponta a confiabilidade de determinada nação honrar seus compromissos.

Cassiana pontua que o Brasil está distamte do conflito na Europa e os investidores estão preocupados em tirar dinheiro de ativos na Rússia e países da região.

Para o economista chefe da Blueline Asset Management, Fábio Akira, o mercado financeiro tem um humor cíclico com relação à atratividade pelos investidores internacionais. “Vai de ‘queridinho’ a ‘patinho feio’ rapidamente”, diz.

Longo prazo

Além dos investimentos de curto prazo, o cenário é propício para carteiras baseadas em infraestrutura para o longo prazo. Para Edson Ogawa, responsável pela área do Project Finance, do Santander, há agora uma movimentação no sentido desses ativos maior do que havia há um ou dois anos.

“Temos visto vários eventos de curto prazo que estão gerando esse fluxo maior de recurso entrando no Brasil, mas são recursos que têm foco muito grande no cenário específico do capital. No mundo da infraestrutura, o investidor estrangeiro e local sempre está olhando o longo prazo”, explica.

Para ele, é esse olhar para as próximas décadas que torna o país atraente, apesar do período eleitoral, que costuma desestabilizar as certezas dos investidores estrangeiros. Para Edson, o governo não consegue realizar os investimentos necessários na infraestrutura e o país precisa atrair mais capital estrangeiro para ser possível cumprir as metas no setor.

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