Bolsa cai 1% com PIB abaixo do esperado e nova data de votação de PEC
Economia brasileira cresceu menos no 3º tri e esfriou expectativas de retomada; PEC da transição deve começar a tramitar na próxima semana
atualizado
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O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores brasileira, encerrou a quinta-feira (01/12) com queda de 1,4%, aos 110.925 pontos. O mercado reagiu mal à divulgação do PIB do 3º trimestre de 2022, que veio abaixo do esperado.
A economia cresceu 0,4% no terceiro trimestre deste ano, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado veio ligeiramente abaixo da mediana das expectativas do mercado. Analistas consultados pela Bloomberg projetavam um avanço de 0,6% do PIB no trimestre.
As principais contribuições negativas foram dos setores de agropecuária e comércio, que tiveram desaceleração no período. O comércio, importante categoria dentro de serviços (setor responsável por 70% do PIB brasileiro), recuou 0,1% no terceiro trimestre. Já o agro recuou 0,9% no mesmo período.
A queda desses setores refletiu nas ações da bolsa. As empresas que mais perderam valor no dia estão no grupo do varejo e de exportação.
A varejista Magazine Luiza liderou as quedas da quinta-feira, com recuo de 9%. A produtora de carnes BRF, que é dona das marcas Sadia e Perdigão, teve uma queda parecida na Bolsa.
A lista de piores desempenhos foi completada pela varejista de moda e calçados Alpargatas, fabricante das Havaianas, e a produtora de carnes Marfrig, com desvalorização perto de 7%.
Os investidores também estão atentos à tramitação da PEC de Transição apresentada pela equipe do próximo governo de Luiz Inácio Lula da Silva. O texto prevê uma despesa de R$ 198 bilhões fora do limite do teto de gastos, o que foi interpretado pelo mercado como um sinal de indisciplina fiscal do próximo governo.
A PEC deverá começar a tramitar na próxima quarta-feira (07/11), quando será apreciada pela Comissão de Constituição e Justiça do Senado.
Dólar
Influenciado por uma queda das bolsas dos Estados Unidos, o dólar não reagiu aos fatores internos negativos e encerrou o dia praticamente estável, cotado a R$ 5,19.
