Auxílio emergencial para artistas começa a ser pago, mas há risco de fraude
Alguns parlamentares veem a Lei Aldir Blanc como privilégio de categoria profissional que tem influência política

Após mais de sete meses do início da pandemia do novo coronavírus, começa a ser pago um auxílio emergencial para artistas. Aproximadamente R$ 797 milhões serão utilizados, mas existem dúvidas sobre a sua utilidade.
Para tentar ganhar o benefício, basta se declarar artista, sem a necessidade de comprovação da atividade, o que gera maior risco de fraudes.
Os critérios de seleção são bem semelhantes aos do auxílio emergencial federal e não é possível acumular os dois. Sendo assim, pessoas que teriam direito a ajuda já podem ter recebido do governo federal, impedindo o direito a Lei Aldir Blanc. Serão poucos os que terão direito e o dinheiro deve ser utilizado para outras finalidades.
A lei tem com conceito muito amplo sobre atividade cultural, incluindo festas populares e “centros de cultura alimentar”. Dessa forma, há uma grande margem para pagamentos de vendedores ambulantes em eventos de rua, por exemplo.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesPara ter direito ao auxílio da Lei Aldir Blanc, é necessário ter “atuado social ou profissionalmente nas áreas artística e cultural” nos 24 meses anteriores à publicação da lei, ou seja, de maio de 2018 a maio de 2020.

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Ver todasO Tribunal de Contas da União (TCU) mostrou preocupação com a fiscalização do repasse desses recursos, principalmente por chegarem a estados e municípios em período eleitoral. Apesar de ser dinheiro federal, será distribuídos pelos estados. Alguns parlamentares enxergam o programa como privilégio de uma categoria política que tem influência na política.
Esclarecimentos
A Confederação Nacional dos Municípios solicitou ao TCU e à Secretaria Especial da Cultura do Ministério do Turismo esclarecimentos sobre alguns trechos de regulamentação da Lei Aldir Blanc. O objetivo é justamente ter total clareza na interpretação do documento para orientar os gestores municipais.
Em razão da crise econômica causada pela pandemia do novo coronavírus, o texto previa o pagamento de três parcelas de R$ 600 para os trabalhadores informais da cultura. Como as parcelas seriam prorrogadas automaticamente junto com o auxílio emergencial, a interpretação de vários estados é de que devem ser cinco parcelas no total.
Além dessa renda, os recursos poderão ser usados como subsídios para manutenção de espaços culturais, fomento a projetos e, ainda, linhas de crédito.
Critérios para aprovação:
- Renda familiar mensal per capita de até meio salário mínimo ou renda familiar mensal total de até três salários mínimos;
- Não possui emprego formal;
- Não receber benefício previdenciário ou aposentadoria;
- Não receber seguro-desemprego;
- Não receber benefício assistencial (com exceção do Bolsa Família).









