Durigan diz que Lula deve ligar ou mandar carta a Trump sobre tarifaço
Estados Unidos discutem taxar produtos brasileiros em pelo menos 25% por supostas práticas "irrazoáveis"

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o Brasil continua em busca de diálogo com autoridades norte-americanas contra a ameaça de imposição de novas tarifas a produtos brasileiros.
Durigan acrescentou que o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), deve enviar uma carta ou fazer uma ligação telefônica para o presidente Donald Trump.
“Presidente deve ligar ou mandar uma carta para o presidente Trump. Eu também já disse, estou à disposição para falar com o Scott Bessent (secretário do Tesouro dos EUA). O (Ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços) Marcio Elias Rosa está falando com o Jamieson Greer (secretário de Negócios dos EUA); deve falar agora nesses próximos dias”, revelou.
A fala de Durigan foi feita na sexta-feira (12/6) ao podcast Warren Política, que foi ao ar na manhã desta segunda-feira (15/6) no YouTube.
Lula e Trump estarão no encontro do G7, grupo das sete maiores economias do mundo, na França. O Brasil não integra o grupo de países-membros, mas participa como convidado. Até o momento, nenhuma agenda entre os dois presidentes foi divulgada.
Na terça-feira (9/6), o ministro da Fazenda disse que, “nos próximos dias”, haveria um encontro virtual entre Marcio Elias e Greer, do qual ele provavelmente participaria.
Durigan acrescentou que o Brasil pode fazer negociações setoriais, ou seja, barganhando temas de interesses paralelos entre os dois países. Nesse caso, entrariam em debate pontos como o etanol e a tecnologia de nuvem dos norte-americanos, além do açúcar e da indústria de aviação brasileiros.
As tarifas
O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) propôs taxar as importações brasileiras em 25% para punir práticas “irrazoáveis”. A proposta consta na conclusão da investigação aberta sobre o Pix pelo governo norte-americano e divulgada nesta segunda. Agora, ela será levada a audiências públicas para discutir o assunto.
A apuração é fundamentada na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, que trata da política comercial do país.
A segunda medida propõe um acréscimo de 12,5% porque o Brasil teria falhado em impor uma ação legal que proíba a importação de produtos manufaturados com mão de obra de trabalho forçado. O caso foi tratado em uma investigação que envolve ao todo 54 países.

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