Doria diz ter plano para vacinar paulistas se Bolsonaro vetar Coronavac

Ao lado do presidente da Câmara, Rodrigo Maia, o governador de São Paulo garante que há "plano alternativo" para estado comprar imunizante

atualizado 23/10/2020 14:53

João Doria e Rodrigo Maia mostram a vacina CoronavacRafaela Felicciano/Metrópoles

São Paulo – O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), garantiu que o estado vai comprar a vacina chinesa contra o coronavírus ainda que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) vete a aquisição do imunizante, conforme ameaçou – o chefe do Executivo nacional disse que negaria o dinheiro mesmo com a aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

“A vacina Coronavac, da Sinovac e do Instituto Butantan, é a mais avançada em testes no Brasil”, disse Doria em coletiva de imprensa no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista, na tarde desta sexta-feira (23/10).

“Diante de uma circunstância negacionista externada pelo presidente da República, de que mesmo com aprovação da Anvisa o Ministério da Saúde não distribuiria [a vacina], São Paulo tem um plano alternativo, e os brasileiros de São Paulo serão imunizados”, garantiu o governador tucano.

O chefe do Executivo paulista disse ainda que, caso a vacina chinesa não entre realmente no programa nacional de imunização, o Instituto Butantan poderá produzi-la comercialmente. “Vamos vender a vacina para outros estados, para governadores, prefeitos, e para outros países”, afirmou.

Ao lado do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), Doria fez novas críticas a Bolsonaro, a quem acusou de ter humilhado o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, ao desautorizar a assinatura do protocolo de compra de 46 milhões de doses da vacina Sinovac.

“A vacina é a proteção à vida e um direito de todos os brasileiros. É o único caminho de retomada da economia, da normalidade”, frisou o tucano.

“Quero desejar pronto restabelecimento ao general Pazuello [diagnosticado com Covid-19] e me solidarizar pela posição que teve na reunião com os governadores. Prefiro guardar a posição e a imagem de Pazuello na reunião com os governadores à cena que assisti ontem ao lado do presidente Bolsonaro”, completou o titular do Palácio dos Bandeirantes, referindo-se à fala do ministro sobre o presidente mandar e ele obedecer.

Maia coloca panos quentes

Ao lado de Doria, Maia disse acreditar no diálogo com Bolsonaro para liberar a vacina. “Tenho certeza de que quando a vacina tiver aprovação da Anvisa a gente conseguirá sim, com diálogo com o presidente da República, autorizar não só essa como todas as vacinas”, assinalou o democrata.

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“Espero que a gente possa construir por meio do diálogo a solução”, reforçou Maia, que nesta semana deixou de receber Doria em Brasília porque teve uma indisposição. O político fluminense fez questão de desfazer boatos de que a briga entre o tucano e Bolsonaro em torno da vacina poderia ter influenciado o cancelamento da agenda.

“Fiz questão de estar aqui [em São Paulo] hoje porque na quarta tivemos algumas notícias de que não o atendi por algumas notícias. Mas eu peguei uma virose, peguei dos meus filhos. Estou pegando uma virose a cada duas semanas, já emagreci 11 kg”, disse o presidente da Câmara federal, que recentemente se curou da Covid-19.

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