Diretor-geral do Denatran pede demissão do cargo e sai atirando

Em carta encaminhada ao Ministério da Infraestrutura, Jerry Adriane Dias Rodrigues diz que há falta de estratégia e gestão no departamento

Vinicius Loures/Câmara dos DeputadosVinicius Loures/Câmara dos Deputados

atualizado 27/08/2019 21:53

Em uma carta encaminhada à secretaria de Transportes do Ministério da Infraestrutura, o diretor-geral do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), Jerry Adriane Dias Rodrigues, pediu, nesta terça-feira (27/08/2019), para deixar o cargo e criticou a estrutura do órgão. No documento, a que o Estadão teve acesso, Rodrigues alega que falta estratégia e gestão.

Segundo ele, não há uma estratégia para atingir as premissas estabelecidas pelo Código de Trânsito Brasileiro e pelo Plano Nacional de Redução de Mortes e Lesões de Trânsito. “Tampouco estou conseguindo estabelecer essa estratégia, a fim de subsidiar o ministro e suas decisões”, argumenta. “Quero deixá-lo à vontade para procurar alguém mais alinhado a sua forma de pensar e de trabalhar. Esta semana faço o meu pedido de exoneração”.

Policial rodoviário federal, Rodrigues tem como padrinho político o deputado federal Hugo Leal (PSD-RJ), de quem foi assessor até assumir o Denatran, em fevereiro. Na carta de três páginas ao ministério, o diretor agradece pela confiança nele depositada. “No entanto, depois de passados cerca de oito meses desde (…), sinto que não estou conseguindo responder à altura (…), razão pela qual estou colocando em suas mãos a função de diretor do Denatran pelas razões que seguem”, diz, no documento.

Procurado pelo Estadão, Rodrigues inicialmente disse que “desconhecia essa informação”. Quando a reportagem informou que teve acesso ao inteiro teor do documento, o diretor orientou que sua assessoria de comunicação fosse procurada para falar sobre o tema.

Ao listar as razões pela qual deseja deixar a chefia do Denatran, Jerry destaca ainda que, para cumprir sua missão, a relação do Denatran com a União, os estados e os municípios precisa estar alinhada. “Isso demanda a necessidade de que, efetivamente, haja uma visão intersetorial, integrada e estratégica do assunto, o que não me parece estar ocorrendo. Não estou conseguindo avançar”.

Gestão causa mortes
Para o diretor do Denatran, as pessoas estão morrendo ou ficando com lesões permanentes por causa da gestão atual do trânsito. Na carta ao ministério, ele afirma que, nos últimos dez anos, foram cerca de 400 mil mortos e um número ainda maior de pessoas ficaram dependentes do governo em razão da invalidez. “Esse assunto me motiva e me preocupa. Tenho tentado buscar condições de corrigir os erros e decisões tendenciosas do passado, mas não estou conseguindo”, disse.

No documento a seus superiores, Rodrigues diz também que “durante muito tempo este departamento foi disputado, nem sempre para atender interesses republicano”.

“Tenho uma estrutura de pessoal inadequada, insuficiente e com pouca qualificação. As demandas são superiores à capacidade de atendimento. Muitas vezes, assuntos de menor importância estão tomando tempo que deveria, em face da pouca quantidade de pessoal qualificado, ser utilizado para analisar temas relevantes. Muitas resoluções têm mais a cara dos setores interessados na regulamentação do que uma visão estratégica do Denatran”, ressaltou.

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