Desembargador do TRF-1 apresenta ao CNJ método que zerou acervo de 40 mil processos

Gabinete do magistrado julgou milhares de processos desde 2022 com organização colaborativa e sem uso de inteligência artificial

atualizado

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Mauro Putini/Ascom TRF-1
Desembargador do TRF1 zera acervo de processos não pautados com método inovador
1 de 1 Desembargador do TRF1 zera acervo de processos não pautados com método inovador - Foto: Mauro Putini/Ascom TRF-1

O desembargador federal Eduardo Morais da Rocha, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), recebeu, na última quarta-feira (18/6), em seu gabinete, o ouvidor nacional de Justiça e conselheiro do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Marcello Terto e Silva. O encontro teve como objetivo apresentar o método de trabalho que permitiu ao gabinete do magistrado zerar o acervo de processos conclusos não pautados, com mais de 40 mil julgamentos realizados desde abril de 2022.

Ao assumir a função no TRF-1, Morais da Rocha se deparou com um acervo enorme de processos. Segundo ele, havia uma preocupação especial com ações previdenciárias, cuja demora causava impactos diretos nos beneficiários.

“Nossa Constituição é a que mais consagra os direitos sociais no mundo. Por isso, habilitar herdeiros era o que mais me causava tristeza, porque o beneficiário já havia falecido quando seu processo chegava a julgamento. Agora, todos estão recebendo em vida”, relatou o desembargador.

Uso de IA

O método adotado pelo gabinete não faz uso de inteligência artificial. Apesar disso, segundo o magistrado, o projeto é altamente customizável e pode ser adaptado à tecnologia. A organização é feita por meio de planilhas do Excel salvas no OneDrive, com acesso compartilhado entre toda a equipe. Os processos são dispostos de forma cronológica, permitindo que o andamento das ações seja acompanhado em tempo real.

Durante a visita, o conselheiro-ouvidor do CNJ parabenizou o trabalho do desembargador e sua equipe.

“O que deveria ser visto como algo natural, vemos como sobrenatural, então, precisamos buscar expandir essa experiência”, afirmou Marcello Terto. Para Morais da Rocha, o CNJ é o órgão ideal para levar adiante a experiência e torná-la mais acessível: “O CNJ é o melhor órgão para replicar e aperfeiçoar a solução que desenvolvemos”.

O desembargador também fez questão de demonstrar, ao vivo, o funcionamento do sistema, mostrando ao conselheiro os registros atualizados das planilhas. “Não há pendências, mas, enquanto estávamos ali conversando, acabaram de chegar sete processos, sendo agora o número do acervo do gabinete”, contou.

A intenção do magistrado é compartilhar a metodologia com outros tribunais e instâncias. “Minha ideia é expandir, para que esse projeto seja de domínio público e possa contribuir com outras instâncias judiciárias”, afirmou.

Números do gabinete

  • Em junho de 2025, o gabinete tem 854 processos conclusos e 2.302 tramitando.
  • Em 2024, começou o ano com 7.744 processos em tramitação e 5.012 conclusos.
  • Atualmente, o estoque de processos conclusos não pautados está zerado.
  • Os processos recebidos diariamente, se aptos, são incluídos em pauta até o fim da mesma semana.

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