Deputado usa imunidade parlamentar e traz canabidiol do Uruguai
“Eu não faço isso para financiar o comércio ilegal ou o tráfico. É uma questão humanitária, eu estou tentando ajudar quem precisa”, destacou
atualizado
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O deputado federal Marlon Santos (PDT-RS) admitiu, durante audiência pública na Comissão de Agricultura da Câmara, na última quarta-feira (20/11/2019), que traz do Uruguai, de forma ilegal, três vidrinhos de canabidiol por mês.
“Eu, pessoalmente, vou todo mês no Uruguai comprar canabidiol escondido para três pessoas que até então ,com indicação médica, não conseguiam ter acesso porque, para transportar para o Brasil, é R$ 9 mil que uma transportadora cobra”, ressaltou ao lado de ruralistas que discutiam o uso medicinal da cannabis sativa.
“Apenas três vidrinhos de canabidiol. Então eu vou a Rivera, como uma parrilla, e pego ilegalmente o canabidiol. E trago comigo. Sou deputado federal, o que que eu vou fazer, né? Posso usar essa imunidade para isso”, disse.
Ao Metrópoles, o deputado desabafou sobre a rigidez das regras de controle da substância. “Eu não faço isso para financiar o comércio ilegal ou o tráfico. É uma questão humanitária, eu estou tentando ajudar quem precisa”, destacou.
O parlamentar revelou que o destino dos vidros de canabidiol são para conhecidos dele na cidade de Cachoeira do Sul, RS, que precisam do medicamento porém não têm condições para importar o produto. Um deles é uma criança de seis anos diagnosticada com autismo. O outro vidro vai para um adolescente de 16 com epilepsia.
O terceiro vidro, segundo Marlon, vai para um senhor que tem Parkinson. “Ele era agricultor, e já não tinha capacidade de fazer mais nada. Com dois meses e meio de uso do canabidiol, ele voltou a trabalhar”, contou o deputado.
Depois das afirmações, Marlon se defendeu de acusações sobre mal uso do instituto da imunidade parlamentar. “Fico chateado quando generalizam dessa forma. Tanta gente usando imunidade para roubar e fazer coisa ruim, eu só estou tentando ajudar o próximo”.
